domingo, 13 de setembro de 2020

Notícia necrológica do nosso Elias.

Elias do Rosário da Silva
[Elias Carolino]
Pé da Serra - Amêndoa - Mação

Fotografia do seu Bilhete de Identidade, no ano de emissão: 2003, tinha 65 anos.

Cumpre a nós, esposa Laura, filho Carlos e filha Manuela, neto Gustavo, nora Roberta e genro Tiago, comunicar a morte por causas naturais do nosso Elias. O funeral realizou-se a 5 de setembro de 2020, no Cemitério de Benfica, em Lisboa.

Nasceu no Pé da Serra, a 1 de março de 1938, em casa de seus pais, e faleceu em Lisboa, a 4 de setembro de 2020, em sua casa, onde residia desde 1966, ano do seu casamento. De uma a outra, sempre pelo seu pé, percorreu 82 anos.

Por sua iniciativa arranjou trabalho e rumou a Lisboa, tinha 17 anos [1955]. Recordava sempre os conselhos da mãe Rosário e o desagrado do pai Américo, na hora da partida. Chegou com a vontade do poema Fala do Homem Nascido. Esteve empregado apenas 8 meses, despediu-se e começou a trabalhar por conta própria, subindo na vida a pulso, com aquele tino para o comércio, que tinha visto no seu adorado avó paterno Joaquim Carolino [Joaquim da Silva].

Como bom Carolino falava alto, e com o coração na bocaHomem de dar a quem precisava ou considerava, cioso dos seus juízos, e de palavra, foi um prático da vida. 

Reaprender a viver com a ausência, na saudade e na memória, no que de melhor nos legou: coragem, sagacidade e honestidade, e não cultivarmos em nós os seus defeitos: teimosia, mágoa e rigidez. Como um rito de passagem.

A todos os que estiveram presentes no funeral, de facto e ou pensamento, o nosso obrigado. Aos que não estiveram presentes por minha [Carlos] falta peço perdão: intencional palavra final, no tempo das espigas e das uvas.


[Texto em apreciação / reconstrução.] 



TEXTO FINAL PARA O JORNAL «VOZ DA MINHA TERRA»


Elias do Rosário da Silva
[Elias Carolino]
Amêndoa



Cumpre a nós, esposa Laura, filho Carlos e filha Manuela, neto Gustavo, nora Roberta e genro Tiago, comunicar a morte, por causas naturais, do nosso Elias. O funeral realizou-se a 5 de setembro de 2020, no Cemitério de Benfica, em Lisboa.

Nasceu no Pé da Serra, a 1 de março de 1938, em casa de seus pais, e faleceu em Lisboa, a 4 de setembro de 2020, em sua casa, onde residia desde 1966, ano do seu casamento. De uma a outra, sempre pelo seu pé até ao fim, percorreu, com coragem, sagacidade e honestidade, 82 anos.

A todos os que estiveram presentes no funeral, de facto e ou pensamento, o nosso obrigado. Aos que não estiveram presentes por minha falta [Carlos] peço perdão: intencional palavra final, no tempo das espigas e das uvas.

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Post scriptum


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Uma pele de raposa.

Comentou comigo que também caçava coelhos e raposas com armadilhas, como aquelas da notícia do jornal, e mostrou-me a fotografia:


A leitura do Correio da Manhã, no seu escritório do armazém, era uma rotina diária.

Teria 12 anos, e no local onde a armou não a encontrou, mas a vegetação rasteira estava revolvida, talvez do animal a se debater. Mas não se ficou por aqui, indagou nos meandros da aldeia e encontrou nas traseiras da casa do António Eugénio uma pele de raposa, preparada numa armação e a secar ao sol.

Foi ter com o seu pai, o meu avô Américo, e contou-lhe o sucedido. Este disse-lhe para ficar descansado, que iria falar com o homem. Assim foi, e quando o abordou perguntou-lhe se não teria encontrado uma armadilha com uma raposa: foi o meu rapaz que a armou. Prontamente lhe respondeu que sim, e disse-lhe: é um bom moço, ele que venha ter comigo, leva a armadilha e a pele já preparada.

Foi a última estória que o meu pai me contou, e posso dizer que é um bom resumo do que ele era: observador, inteligente [a professora pediu a seu pai para que prosseguisse os estudos, concluída a 4.ª classe], não baixava os braços facilmente, e honesto [atente-se na forma como pai e filho abordaram o problema]. Adjectivos facilmente comprováveis por quem com ele conviveu.

Tinha a sua vaidade e ciume, mas com parcimónia, palavra que aprendeu comigo e que passou a usar, mandão [como diz a minha mãe], não gostava de ser contrariado, e na disputa um leão [também era do Sporting], era a sua alcunha na escola primária dos Martinzes, onde andou e tinha família da parte da sua mãe. Não aceitava que lhe pisassem os calos, por vezes dado a extrapolações imaginativas, era a sua sagacidade, mas sempre bem disposto. Homem de dar a quem precisava ou considerava, cioso dos seus juízos, e de palavra. Um prático da vida: com 17 anos vem trabalhar para Lisboa [Rua do Convento da Encarnação], no emprego que ele próprio arranjou [Manuel da Silva Barreiros & Filhos, Lda.]. Passados 8 meses despede-se e começa a trabalhar por conta própria, até ao fim da vida.

Em desassossego, esqueci de mandar colocar as duas datas...


Nasceu no Pé da Serra, a 1 de março de 1938, em casa de seus pais.
Faleceu em Lisboa, a 4 de setembro de 2020, na sua residência.
De uma a outra, sempre pelo seu pé, percorreu 82 anos.

Adeus Pai... deixei de ter a quem perguntar.


P.S. Osvaldo, fico em falta para contigo, tu que és meu amigo de longa data, padrinho do único neto do Elias, e que estás sempre presente por tua iniciativa, esqueci-me de te dar a notícia. Só agora, ao escrever estas linhas, me dei conta. Paula, tu também.

sábado, 20 de junho de 2020

Flor de jacarandá na sobremesa.

Estão no meu caminho diário, agora em floração. Deixei escapar, a meio da semana, o lindo tapete violeta, mas não me canso de os olhar. Em queda, aquela flor atraiu a minha atenção e veio comigo para casa.







Fica bem assim, na sobremesa a decorar, à espera que olhes para a flor de jacarandá...




[Aconteceu há minutos.]


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Post scriptum


Passou e murchou... efémera expectativa.
Comi o pastel de nata... também aqui há surpresa, para vós, a minha foi o passar despercebida, pois que me tenho quedado em Macau.

Perfeito imperfeito.

De frente e aproximando, ou esgrimindo com a luz o ângulo à superfície, encontra-se o momento da criação material: a tinta na superfície do papel e os sulcos de pressão: eis a impressão, é como olhar para a superfície da nossa pele com atenção. Os mais antigos têm esta verdade muito exposta, estão nus: tenta-me um certo prazer voyeur...









No caso presente talvez não haja casamento perfeito entre papel e tinta, o que pode explicar os deslizes: por culpa de quem? falta no prelo?



Como eu gosto destas páginas...



Imperfeitas.



Nos alfarrábios testa-se os sentidos: os óbvios visão, tato e olfato, na ordem arbitrátia da ocasião e de quem o tem na mão:  a audição inventa-se, por exemplo, desfolheando na mão e prestando atenção ao som, que também indica a secura das folhas. Do paladar nada sei, são as inimigas traças.






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Post scriptum


As imagens são do opúsculo A Gruta de Camões, de Wenceslau de Moraes, onde também se descobre a contradição. Escancaro um exemplo da pejada imperfeição. Mas há mais subtilezas pelas páginas fora.


A Chave e o Livro, primeiro episódio de uma série de programas do saudoso António Manuel Baptista.



[Todo o Começo é Involuntário...]

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O caminho para o céu pode ser espinhoso.

Há um verde inesperado, porque embutido



E a densidade de espinhos, a subir



E não é só no tronco que se procura a luz



Completa-se assim a sua imponência



Que a base denuncia.



De verde e espinhos se faz vida


Montagem fotográfica.

Mas há que esperar pelo encanto, quando florir.

Uma paineira [
Chorisia / Ceiba speciosa] no Jardim Botânico Tropical.



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Post scriptum

«O tronco está coberto de acúleos, como protecção contra os primatas que trepam pela árvore para obter os frutos. Quando é jovem, o tronco desta espécie, é verde e tem capacidade fotossintética, que permite a realização de fotossíntese quando não tem folhas.»
[AQUI]

«acúleos são semelhantes a espinhos, mas diferem destes por não apresentarem vascularização e, portanto destacam-se das plantas com facilidade sem provocarem maiores danos ao vegetal.»
[AQUI]

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Hoje, no jardim da Vila Sassetti, em Sintra.

Nublado chovia, e da tensão superficial criaram-se gotas e brilho...



que puxavam pelo lustre da cor



numa quietude



num desejo



numa ordem



de olhos ofegantes



de lágrimas



de tempo



de chão



de caminho



de coisa nenhuma



de não poder mais


e desejar




todo eu



e o meu brazão.



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Post scriptum

Ordem das fotografias e palavras soltas sem premeditação, num ato espontâneo de contrição, de tanto belo que vi e senti. É o momentum do dia. Trouxe travesseiros e queijadas, da Piriquita, que saboreei em casa, com chá e companhia.



CRAS INGENS ITERABIMUS AEQUOR
Horácio, Ode I, VII, vv. 30-32.

11 de junho de 2020, Corpo de Deus; se me importa, ou se entendo, e sem ofensa.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Formalismos técnicos.

Começo por avisar que o título, como tantos outros, aparece, rumina-se, mais ou menos tempo, e nos repentes fica... desajeitado?

Andar num jardim, nesta estação, não tem nada de pensar, é seguir com os olhos o que está provado resultar: de cor... e odor. Sem o querer acabei por descobrir que existe todo um processo de découplage...



até ao resultado final:



Um espanto... de agapanto [Espécies do Género Agapanthus].

Dispensáveis mais formalismos técnicos.