domingo, 22 de abril de 2018

Stati in obstati.

Árvore classificada de interesse público, o plátano de Hipócrates no Jardim do Príncipe Real é um propágulo do célebre plátano existente na ilha de Cós, oferecido pelo governo grego e plantado neste local no dia 9 de janeiro de 1956 [passaram 62 anos, cálculo rápido Gustavo].


O autor deste blogue [1,70m] junto ao mesmo.
Paulo de Cantos esteve envolvido nesta ação, morava em frente ao local onde foi plantado, no N.º 5 da Praça do Príncipe Real [agora é o Miss Jappa], e onde também chegou a funcionar o Centro de Profilaxia da Velhice por ele criado [A vida começa aos 75!].




O extravagante [é um elogio] Paulo de Cantos, que descobri recentemente,  e cujos livros passam a constar dos meus desejos ambicionados [será que irei encontrar algum esquecido], é mais um dos extravagantes que por este jardim passaram... o Estranhíssimo Colosso [certeiro epíteto] certamente se sentou debaixo do [extravagante] Cedro-do-Buçaco que lá existe, resultado do trabalho de várias gerações de jardineiros, que podando e "espraiando" deram forma à sua copa.

«Esta espécie, denominada vulgarmente por Cedro-do-Buçaco, na realidade não é um cedro (Cedrus), mas sim um cipreste (Cupressus). Por outro lado o restritivo específico lusitânica, sugere que a sua origem seria Portugal, mas na realidade é originária da América Central (México, Guatemala e Costa Rica). Tal engano advém do facto do autor desta espécie (Philip Miller), em 1768, ter feito a sua classificação a partir de exemplares provenientes de Portugal, mais precisamente da Mata do Buçaco. Miller não conhecia o país de origem da espécie e supôs que teria vindo de Goa, erro que foi repetidamente cometido em diversas publicações anglo-saxónicas desde o século XVIII, de forma que ficou conhecida na língua inglesa por Cedar-of-Goa (Cedro-de-Goa).» [AQUI]


Volteando ao seu redor, de olhos ao alto, e a periférica [visão] a controlar, evitando assim esbarrar com alguém, escutei inglês com sotaque americano, português com sotaque brasileiro, castelhano e algum português à mistura. Os versos do Agostinho vieram-me depois à lembrança, talvez os tivesse escrito à sua sombra:


do inventar o nosso caminho [página 143]


«Crente é pouco. Sê-te Deus

e para o nada que é tudo
inventa caminhos teus»

ás novas janelas para a vida  [página 193]


«Não corro como corria

nem salto como saltava
mas vejo mais do que via
e sonho mais que sonhava»



As várias idades exercitam-se de várias formas no jardim, onde sentado, observava os velhos gesticulando a jogar ás cartas, as crianças a brincar e a gritar, os adultos a conversar e a passear. Perto do meu banco esta folha, talvez do plátano de Hipócrates.

Para aproveitar o dia, duplamente especial para mim, e apesar de ter demorado mais tempo do que pensava, porque a paisagem, a companhia e o sol estavam convidativos [num banco de jardim], fui ainda ao Jardim Gulbenkian, borbulhante de vida, em primavera estridente...


Não sei o teu nome; no ar e no chão.

e aconteceu, de forma premeditada, em incerto momento, a declamação DESTE poema [na minha voz].

Isto aconteceu ontem, e o Google Doodle de hoje é sobre o Dia da Terra, que também estava nas minhas premeditações, o que não estava era a mensagem da Jane Goodall, e em particular as palavras «tapestry of life», por causa delas procurei a transcrição que aqui vos deixo:
«I’m Jane Goodall, otherwise known as Doctor Jane Goodall, and I’m here to talk about the importance of Earth Day and the kind of message that I would like to give to the citizens of the world. I think I was born loving animals, my whole childhood really was animals animals animals. There was one moment when I was in Gombe National Park and it began to pour rain, and then the rain stopped and I could smell the smell of wet hair on the chimpanzees and I could hear the insects singing loudly, and I just felt absolutely at one and it was a sense of awe and wonder. Out in the rainforest you learn how every thing is interconnected and each little species, even though it may seem insignificant, has a role to play in this tapestry of lifeWhat better day than earth day to really make a determined effort to live lives in better harmony with nature. Every single individual matters, every single individual makes some impact on the planet every single day and we have a choice as to what kind of difference we are going to make.»

O título da mensagem poderia ser Extravagantes,  mas a ideia inicial não apontava nesse sentido, apesar do título ser extravagante, as "extravagâncias" só apareceram depois. Stati in obstati aparece na moeda eslovena de €1 [a mais poética é a de 5 cêntimos], com a efígie do autor do primeiro livro impresso em esloveno, Primož Trubar, que casualmente me veio parar à mão e me intrigou [pensei que fosse latim, mas é esloveno].  Na minha livre tradução, De pé e permanecer [Stand and exist]. Tem tudo a ver com a comemoração do quarto aniversário deste blogue [começou ASSIM].

E tudo isto é parte da tapeçaria [trama] da minha vida, que também ontem assinalei com o início de mais uma volta ao Sol.

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Post scriptum




Paulo de Cantos: um editor à frente do seu tempo;

Arraial! Arraial! Pelo Povo de Portugal, por Paulo de Cantos;
Arvoredo de Interesse Público;
Árvores Monumentais de Portugal;
Árvores, Monumentos Vivos;
Primavera Silenciosa de Rachel Carson [o livro que desencadeou o movimento ambientalista];
Meio século de Primavera silenciosa: um livro que mudou o mundo;
Oliveira mais antiga de Portugal nasceu há 3350 anos [para o José Carlos].

Está a Fazer-se Cada Vez Mais Tarde, é a minha sugestão mana [para resolver uma charada, depois te conto].

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