terça-feira, 13 de maio de 2014

Urbi et orbi...

Espalhar aos quatro ventos o nosso recato,
O longe que se faz perto,
O calor que refresca,
O que é, o que existe, o que é impossível...
Só tu sabes que é para ti. Sabes?

Isto requer um golpe de asa,
Mas falta-me o engenho.

Emprestai-me uma flor, silvestre,

Flor de esteva.


ou poema que nos toque,



para o nosso cancioneiro...

Largo do Espirito Santo, 2 - 2º

Nem mais, nem menos: tudo tal e qual
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral.

E moramos num largo... E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo).

Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas... E pensaras
que haviam nossos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho...

E o nosso quarto? Agora podes dar-me
teu corpo sem receio ou amargura.
Olha como a Senhora da moldura
sorri à nossa alma e à nossa carne.

Em tudo, ó Companheira,
a nossa casa é bem a nossa casa.
Até nas flores. Até no azinho em brasa
que geme na lareira.

Deus quis. E nós ao sonho erguemos muros,
rasguei janelas eu e tu bordaste
as cortinas. Depois, ó flor na haste,
foi colher-te e ficamos ambos puros.

Puros, Amor - e à espera.
E serenos. Também a nossa casa.
(Há de bater-lhe à porta com a asa
um anjo de sangue e carne verdadeira.

Sebastião da Gama, in "Pelo sonho é que vamos"

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P.S. São trinta e oito voltas ao Sol :)

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