sexta-feira, 10 de agosto de 2018

NADA[S]_MEU[S]_0005_BÁRBARO DE MIM.


O relógio digital do autocarro expresso refletido no vidro da janela, de regresso a Lisboa [parti de Vila de Rei], marcava 21:28 [5 de agosto de 2018]. Pouca luz e máquina fotográfica limitada ditaram o resultado. Nos meus olhos pareceu mais interessante, ou seria uma forma de aliviar o tédio [não tinha luz suficiente para ler].


Hoje apetece-me esganar um poema
Cortar-me com palavras
Porque de facto
Não valho grande coisa
E persisto em continuar.

Se te dói porque não mudas?
Procura a cura!

E tudo é pretexto
Para esquecer
O que tens de fazer.

Se não fosse o dia de hoje
Não teria saído de mim
Esta barbaridade!

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Nasceu assim:





Hoje é dia de São Lourenço, e isso que interessa mártir?


Capela de São Lourenço nas Azenhas do Mar, no dia da procissão: 10 de agosto de 2018, dia de São Lourenço. Queria este lado, e naquele momento, com o que tinha, restou-me aceitar a luz que vinha.

À procura da luz..

domingo, 15 de julho de 2018

Conexões.

A conferência anual da CEI [Caretakers of the Environment International], subordinada ao tema "Let's Experience Nature", terminou ontem na Áustria. AQUI podemos ver o Gustavo a praticar tirolesa [zip-line].

O regresso é assegurado pelo João XXI [CS-TON], do mesmo ano e modelo do Fernão de Magalhães [CS-TOO].




Fotografia tirada por Max Hrusa a 22 de agosto de 2016, no Aeroporto Internacional de Viena [Vienna Schwechat - VIE]. Mais fotografias AQUI.

«Mas é precisamente devido à sua produção científica e, especialmente, a estas duas obras em particular – o Thesaurum pauperum e as Summulae logicales – que Pedro Hispano, o Papa João XXI, deve muito da sua celebridade posterior, sem o que não passaria de uma pequena nota de rodapé na História, não obstante o seu notável percurso eclesiástico, que lhe valeu a chegada ao lugar mais importante da Igreja Católica Romana. Em especial, foram as Summulae Logicales, que cercaram de larga fama o seu nome. A esse livro, aludiu Dante na Divina Comédia. E foi por causa desse livro, que o autor florentino reservou a João XXI um lugar no Paraíso.» AQUI

Não existe termo de comparação entre o viajar hoje, mesmo em termos marítimos, e as condições em que o fez Fernão de Magalhães. Incerteza máxima versus a nossa incerteza mínima, a omnipotência presumida e regateada com Deus. Parece que temos o mundo nas mãos, mas é o planeta Terra que nos tem em mãos. Por enquanto não temos alternativas, nem meios tecnológicos que nos permitam sobreviver fora dela. Metaforicamente a Gaia existe.

Stefan Zweig socorreu-se das informações e dos materiais históricos fornecidos pelo Visconde de Lagoa [João António Mascarenhas Júdice]. Ainda hoje a sua biografia "Fernão de Magalhãis – A sua vida e a sua obra, vol. I e II", editada no mesmo ano da biografia romanceada de Stefan Zweig [1938], continua a ser uma obra incontornável sobre o feito.

domingo, 8 de julho de 2018

Verbindungen.

Chama-se Fernão de Magalhães, é um A330-202, com o número de registo CS-TOO [CS é o prefixo aeronáutico para Portugal, o outro é CR, e as restantes letras a matrícula do avião].

Este domingo viajou para Viena, voltou a Lisboa, e foi para Nova Iorque. Vai cirandando pela Europa e pelas Américas.




 A fotografia foi tirada por Kiskockas a 28 de julho de 2017, no Aeroporto Internacional de Viena [Vienna Schwechat - VIE]. Mais fotografias AQUI.

"A biografia mais conhecida e, provavelmente a mais vendida", de Fernão de Magalhães, foi escrita pelo vienense Stefan Zweig. "Um caso único de tradução (directa) no mesmo ano da sua publicação original (1938) na editora vienense Reichner, e no mesmo ano da passagem de Zweig por Lisboa." AQUI 


8.ª edição de 1956. Aparada, provavelmente para obviar o trabalho de abrir uma a uma as muitas páginas fechadas [casadas] do livro, decorrentes do seu processo de fabrico [redução de custos?].
O livro tem uma nova tradução, e novo título, que respeita o original.

"A subtil influência que deu origem a este livro" [palavras suas na Introdução à obra] ocorreu a bordo do navio que o levava à América do Sul.


Stefan Zweig cruzando o Atlântico na sua primeira viagem ao Brasil, em 1936. AQUI

"Lembra-te tu, ó impaciente, lembra-te tu, ó insaciável, como tudo se passava antigamente! Compara por momentos esta viagem com as de outrora, sobretudo pensa naqueles aventureiros que descobriram estes mares portentosos, que descobriram o mundo para nós – e envergonha-te." [página 15, na Introdução]


Da direita para a esquerda: Stefan Zweig, João António Mascarenhas Júdice [4.º visconde de Lagoa e historiador, que o ajudou na preparação do livro] e Américo Fraga Lamares [editor da Livraria Civilização], na sua passagem por Lisboa em 1938. AQUI

Em 1938 Stefan Zweig esteve hospedado durante três semanas no Hotel Atlântico, no Monte Estoril. "Aproveitou a estadia para tentar convencer os governantes portugueses a usarem parte de Angola para a criação de um Estado judaico." AQUI

O meu pai tinha-me falado vagamente sobre o assunto, e fiquei surpreso ao encontrar esta informação, mais ainda por envolver Stefan Zweig. Averiguei e encontrei a resposta [AQUI, página 10]:

O seu biógrafo brasileiro Alberto Dines, que o conheceu e conviveu com ele, defende na biografia Morte no Paraíso (Dines 2005 na 1ª edição portuguesa, o original brasileiro é de 1981, 3ª ed. brasileira 2002) que Zweig tinha querido sondar junto de Salazar as possibilidades de Angola vir a acolher os judeus fugidos a Hitler, mas o ditador não o recebeu, apesar da mediação da comunidade judaica. Acrescente-se, porém, que Zweig tinha outros contactos com figuras do regime que o ajudaram na passagem da sua primeira mulher Friderike von Winternitz por Portugal a caminho do exílio americano.

"Da estância estância balnear do Estoril, Zweig escreveu duas cartas aos seus amigos Joseph Roth e a Siegmund Freud, convidando-os para passarem um «intermezzo meridional» nesse «local tranquilo da Riviera» portuguesa." AQUI

Stefan Zweig cresceu na "cultura de café vienense", que vem desde o final do século XIX, e chega até aos nossos dias com a sua inclusão, em 2011 [no mesmo ano do Fado], na Lista do Património Imate
rial da Humanidade [UNESCO]. Neles se aprende o "Vive e deixa viver".

"Para compreender isto é preciso saber que o café vienense era uma instituição de características únicas, não havendo no mundo nada que se lhe possa comparar. Trata-se, na realidade, de uma espécie de clube democrático, acessível a qualquer um pelo módico preço de uma chávena de café, e onde o cliente, em troca deste pequeno óbolo, pode ficar sentado horas seguidas, discutindo, escrevendo, jogando às cartas, recebendo a sua correspondência e, sobretudo, consumindo um número incontável de jornais e revistas. Em qualquer bom café vienense estavam disponíveis todos os jornais da cidade, mas não só, também os de todo o Império alemão, juntamente com os franceses, os ingleses, os italianos e os americanos, além de um conjunto de importantes revistas literárias e artísticas de todo o mundo"

in "O Mundo de Ontem", Stefan Zweig, Assírio & Alvim, 2.ª edição, reimpressa em agosto de 2015, página 61.

No final da II Guerra Mundial, Stefan Zweig foi um dos que sucumbiu, quando parecia que o nazismo estava para ficar, vieram para Portugal, entre 1947 e 1958, mais de 5500 crianças austríacasA região do Médio Tejo acolheu 100 crianças, assim distribuídas: 26 em Abrantes, 21 em Ourém, 15 em Torres Novas, 11 em Tomar, 9 em Mação, 9 na Sertã, 4 em Vila de Rei e 1 em Ferreira do Zêzere. O meu pai ainda se recorda de as ver em Cardigos, eram crianças como eleNo recente Nº 31 da revista Zahara encontra-se um artigo sobre as crianças que vieram para Mação [ainda não consegui a revista]. Entretanto a doutoranda Ana Regina Pinho prossegue o seu trabalho sobre estas crianças [AQUI]. Em 2005 foi publicado um livro com testemunhos destas crianças [vem a caminho].


Imagem retirada daqui.

Conexões!... Verbindungen!...

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domingo, 1 de julho de 2018

À pala [de]...

Foi este domingo, a entrada não é paga, e porque Palla [Victor] é um dos arquitetos do livro [o outro é o Costa Martins]. E aqui arquitetos é em sentido literal e figurado, tal como a exposição e o seu título: «Lisboa 'Cidade Triste e Alegre': Arquitetura de um Livro». Está no Museu de Lisboa [Palácio Pimenta] até 16 de setembro de 2018.

Arquitetado e concretizado, coube ao tempo dar-lhe o estatuto de livro de culto sobre Lisboa: o "poema gráfico".




«É o que costuma acontecer com os livros de culto – que não são bem o mesmo que livros raros. O livro raro é quase impossível de encontrar, está a um passo de estar perdido, mas pode não valer nada. O livro de culto, pelo contrário, está em todo o lado mas não se lhe pode tocar. Tantaliza. Não pela escassez mas, porque, apesar de estar em todo o lado, insiste em escapar-se.
[...] limitamonos a participar de um processo coletivo e constante de recuperação, um formigar de interesses, de instituições, de eventos, de palestras, de exposições, que alimentam o livro e o mantêm vivo, atualizando o seu significado para novos contextos.
[...] é um livro moderno porque acumula esses sentidos: é um passeio disperso por um espaço urbano pobre, provinciano, rural, que se torna moderno porque dois arquitetos fotógrafos o olharam e registaram esse olhar de maneira moderna, sob a forma de um livro que acarinha o próprio ato de ser folheado.
[...] o índice é a parte mais linear, onde os autores constroem uma narrativa documental quase literária a pretexto de fornecer os dados técnicos e o contexto por trás de cada uma das imagens. É um índice que se lê para um livro que se vê.
[...] Cada fascículo era precedido e acompanhado de notas explicando o processo, o livro, seduzindo os leitores para o processo. Até o material incluído em cada fascículo era selecionado de maneira a que o leitor pudesse ir lendo o livro aos poucos. Ou seja, havia também um modo periódico de o ler, concebido para desaparecer no momento em que os fascículos se tornavam num livro.
[...] Era também um exemplo da economia modernista: a partir de um conjunto limitado de peças, módulos, e da sua disposição engendrava-se um repertório aparentemente ilimitado de leituras, de usos.»

in "Outra vez te releio", Mário Moura. Catálogo da Exposição [páginas 147 a 152].


Montagem minha, a partir da digitalização da capa e da lombada do catálogo da exposição, em virtude de exceder a área do meu scanner. Na lombada a palavra arquitetura está na grafia anterior ao AO. Provavelmente uma gralha.

Alguns dos meus momentos de apropriação. Dúvidas e pensamentos desconexos que estas "legendas" ajudaram a por um pouco de ordem. O lento método de tentativa e erro de um autodidata. 


A técnica não é senão o instrumento...
Halo de poeira cuprosa assinalando as mãos, foi o que também vi.


... a simples atitude selectiva e a escolha consequente são já factores que começam por negar o acaso.


Assisti ainda, quase na totalidade [mais de 30' de um total de 44'], ao documentário 'Lisboa, Cidade Triste e Alegre' de Luís Camanho, 2005.


Saída da sala onde podemos ler o texto do José Rodrigues Miguéis, encomendado para a obra,  qual friso cronológico... deslumbrante. Texto completo AQUI, de leitura imprescindível.


Estou a "ler o livro aos poucos", através da reedição da primeira versão do livro em fascículos, que o Jornal Público entretanto lançou. [Reduzida 15% lineares nas dimensões da edição original por decisão contratual da maioria dos Herdeiros dos Autores.]


Montagem minha, a partir da digitalização separada dos fascículos. Por vezes o scanner funciona como uma quase máquina fotográfica.

"Bato a pala" a tudo isto, e é para voltar.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

NADA[S]_MEU[S]_0004_IMPONDERABILIDADE.

IMPONDERABILIDADE

Assaltou-me assim de repente,
A ideia de saltar,
Mas não foi só pensamento,
Pois já tenho as pernas no ar.


2018/06/17 - 15h21m58s


2018/06/17 - 15h24m02s

Mas para encontrar o momento,
Não basta ser rápido a pressionar,
Há que antecipar o enquadramento,
Da imagem a capturar.


2018/06/17 - 15h24m58s

2018/06/17 - 15h23m04s

Visionamos a ilusão,
Do que não sentimos no ar,
Suportamos no chão,
O peso do nosso acordar.


2018/06/17 - 15h24m40s

2018/06/17 - 15h25m50s

Hoje deu-me esta vontade de desencantar quadras básicas: desconcentrei do trabalho e troquei encomendas. As fotografias aconteceram no Cabo da Roca, no passado domingo, em escassos minutos. O pai Carlos puxou pela ideia, o filho Gustavo alinhou nela, e desatámos a saltar, e a nos retratar, revezando-nos na tarefa. Foi tão bom.


Sem hora premeditada, e apenas porque o céu ardente chamou a atenção, aconteceu este acaso do ocaso do Sol, cerca de 5 minutos antes de este se pôr, no dia do Solstício de Verão.


IC19 perto de Queluz.

domingo, 10 de junho de 2018

Cottinelli.

Entrei... depois de tantos anos a olhar de passagem, com desvelo, do lado de fora da antiga Colónia de Férias da CP, na Praia das Maçãs. Inaugurada em 1943, esteve a funcionar como tal até ao verão de 2004.

Tinha vago conhecimento do seu autor, mas a exposição sobre a obra da pintora Helena Roque Gameiro, sua futura concunhada, avivou o meu interesse, não tanto pela obra, mas pela maneira de ser, pelo génio multifacetado, pelo "boneco" dele mesmo e dos amigos Helena e José, numa tentativa bem humorada de acelerar o casamento dos dois, AQUI. O arquiteto José Ângelo Cottinelli Telmo.

Sabia que a CP pretendia vender este património, o valor de referência era dois milhões de euros, e se os tivesse não hesitaria em negociar e tomar posse. Um capricho de sonho.

No antigo refeitório irá abrir uma Loja Amanhecer, e no alpendre de acesso, depois de ter feito referência à sua existência, encontrei a capela. As restantes edificações terão outros usos comerciais/turísticos [fábrica de cerveja artesanal, hostel, etcétera], alugados pelo investidor estrangeiro que comprou a totalidade do imóvel. Apressado, e porque o meu propósito no local era outro, não fotografei. Foi na passada terça-feira, 5 de junho de 2018.


Perspectiva do refeitório, cozinha e recreio coberto, e do pórtico de entrada. Cottinelli Telmo, 1942.
Catálogo da exposição "Os arquitectos são poetas também", página 42.

«Ao mesmo tempo, Cottinelli ia empreender uma pesquisa em torno dos códigos formais capazes de materializar um regionalismo de novo tipo. Em busca de alternativas aos duros blocos de geometria estrita, procurava um modo para fazer conviver as raízes vernáculas com uma modernidade possível, sensata e periférica. A primeira obra onde tal ficou patente terá sido a Colónia de Férias da CP, na Praia das Maçãs (1942, inaug. 1943). O edifício principal era caracterizado pelo extenso telhado que lhe unificava a forma e acentuava o sentido de aderência ao solo. O alpendre do recreio coberto, espaço de transição profundo e sombrio, estabelecia a continuidade entre o edificado e a envolvente natural. As técnicas tradicionais de construção eram usadas de modo expressivo, revelando um especial apreço pela aparência dos materiais naturais e pelas marcas da manufactura. Uma pedra cinzenta de textura rude era usada na caracterização das superfícies, a par dos paramentos de reboco áspero e dos planos de telha.»

João Paulo Martins. "A Arquitectura dos nossos dias". Catálogo da exposição "Os arquitectos são poetas também", páginas 42 e 43. Lisboa: EGEAC, Padrão dos Descobrimentos, 2015.

 E assim ocupei a semana, que não a de trabalho, na pesquisa e leitura de artigos sobre o Cottinelli. Tive ainda um desvio, que poderia ter sido fatal, para o Eduardo Anahory, autor da capa do Guia Oficial da Exposição do Mundo Português. A sua Aiola [de onde vem o nome] na Arrábida, e outros pormenores, quase mudaram o curso, mas o livro da Joana no sábado de tarde, o catálogo da exposição [que não visitei] na manhã de domingo, no Padrão dos Descobrimentos, e a descoberta do seguinte pormenor nas escadarias da entrada, colocaram-me novamente no caminho [só então comecei a pensar escrever o que agora leem].




Mas antes a subida entusiástica ao topo do Padrão, pelas escadas, não só pela vista como pelo propósito: relembrar Cottinelli [o Padrão é de sua autoria].




A corveta NRP Jacinto Cândido (número de amura F476) estava no Tejo, provavelmente por causa das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


No alto, e apesar do exíguo espaço para tanta gente, ainda consegui ler recatadamente. O que faltava em espaço de suporte, existia em abundância de horizontes [céu, mar e terra].




Fui de seguida ao Cemitério dos Prazeres, onde está sepultado Cottinelli Telmo [esposa e mãe também lá se encontram], para confrontar o pormenor dos sulcos verticais no eretor [ou espelho] dos degraus da escadaria de entrada do Padrão, com o que tenho de memória da sua lápide tumular. Pude verificar o mesmo pormenor dos sulcos verticais na cruz de volumetria paralelepipédica, que tanto quanto pude constatar é única, na sua forma, naquele cemitério. Ou seja, pode existir intencionalidade. Fiquei intrigado.





«E os arquitectos são poetas também!
Negar-lhes esse condão, ou negarem-no alguns
a si proprios, é materializar vilmente o
pensamento, é inferiorizar tudo o que é superior
no homem e que nada tem que ver com os
instintos.»

Cottinelli Telmo [data?]

[O que se encontra escrito na badana azul da capa do citado catálogo da exposição.]

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Post scriptum

  • Fonte do cabeçalho: Cottinelli, AQUI;
  • Documentário: Cottinelli Telmo: uma Vida Interrompida, AQUI.

O lilás do jacarandá espraiado pelo chão do cemitério.

domingo, 3 de junho de 2018

Exercício.

Qual o nome?

O nome científico, na sua universalidade e exatidão, reduz drasticamente a indefinição, sem deixar de ter em atenção, na sua génese, alguma peculiaridade grafada no latim, e a glória de quem a descobriu, arrumando-o num cantinho.

https://identify.plantnet-project.org/

Mas também existe o nome comum, de compleição utilitária, da semelhança ingénua, do díspar contorno cultural, e uso prático.

Há que chegar a um nome, é importante ter um nome, pois concretiza e memoriza.

http://flora-on.pt

Se apenas tenho uma fotografia, e não suspeito sequer do nome, começo por pesquisar na primeira página, categoria Useful plants ou Europa Ocidental; são as mais utilizadas para plantas silvestres, mas nos jardins abunda a pluralidade continental.

Procurar nos resultados apresentados, nomeados, a maior semelhança possível com a nossa imagem de partida, e assim se encontra "a ponta". O aspecto singular da espécie, total ou parcial, facilita o trabalho, mas não é a situação mais vulgar, e os pormenores tendem a gerar uma grande dispersão de resultados, principalmente com folhas e troncos. Por exemplo, uma fotografia tirada na época de floração ajuda muito, porque é um fator de individualização.

Se tiver uma hipótese de nome, ou descrição de pormenores morfológicos ou ambientais, deverei começar pela segunda página, que tem a vantagem acrescida de se referir ao nosso território. 

Podemos cruzar as informações entre as duas bases de dados, por forma a aferir resultados, ou a encontrar resultados não acessíveis na sua consulta isolada. Encontrado um nome ou nomes candidatos, também podemos usar o Google para despistagem, mas cuidado no banalizado uso descuidado.

Passemos a um exemplo:

Espécie fotografada por mim na Serra da Arrábida a 20 de maio de 2018. Esta também é informação relevante para ajudar na identificação e validação. Uma fotografia mais "limpa" também facilita, por EXEMPLO. Tem o meu dedo [literalmente, mas também no trocadilho].

Muito provavelmente será... RESPOSTA.


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Post scriptum [contextu varium]