domingo, 8 de abril de 2018

Postais de Amêndoa.

No cartaz da exposição “Postais de Mação” consigo vislumbrar os seguintes postais de Amêndoa [feliz acaso ditado pela ordem alfabética, suponho]:


Verso do postal AQUI.

Verso do postal AQUI.

Verso do postal AQUI.

Em todos eles aparece o cruzeiro, erigido em 1940, e no caso dos dois últimos ainda eram vendidos nos anos 80, edição da Foto Rodrigues de Proença-a-Nova. O passo seguinte será averiguar se a empresa ainda existe e se teriam outros postais sobre Amêndoa [estes são os números 5. e 4. da coleção BEIRA BAIXA - Portugal / Amêndoa]. O primeiro postal é uma edição da Foto-Camara, designação vaga que dificulta a pesquisa, até ao momento inconclusiva. 

Tenho mais um postal, mas como não visitei a exposição, nem pude falar com o autor da recolha, o historiador José Raimundo Noras, fico sem saber se também estaria exposto ou se existiriam outros exemplares.


Verso do postal AQUI.

Este postal foi cortado nas laterais para poder caber numa carteira. Foi enviado pelo meu avô para os filhos em Lisboa, no aniversário do meu pai [21 anos, o início da maioridade naquele tempo]. O postal é datado, mas não se consegue distinguir bem o mês e o ano, embora cruzando datas, e sabendo que o ano de 1959 não foi bissexto, será 28 de fevereiro de 1959. É impresso em papel Gevaert [em 1964 ocorreu a fusão desta empresa com a Kodak].

Tenho conhecimento de outro postal, de menor interesse, por ser apenas do cruzeiro da Amêndoa, mas que é também uma edição da Foto-Camara, e que se encontra para venda AQUI.

Verso do postal AQUI.

Uma vista da Amêndoa antes da construção do cruzeiro. Não é um postal, mas uma fotografia que aparece na página 19 da Monografia de Cardigos do padre Henrique da Silva Louro, edição do ano de 1939 [o cruzeiro é de 1940].





A Páscoa já passou, e curiosamente hoje é a Páscoa Ortodoxa, ficam pois estas amêndoas postais, a celebração da passagem da vida que se renova.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Tensão superficial [influxo].

Por vezes o que vai regressa, recria, ou pelo menos provoca novas descobertas. Assim aconteceu com esta mensagem, e o "culpado" foi o Patrick [Somehow your raindrops on spiders' webs reminded me of it.] quando me dá a conhecer o poema:

Nostos 

There was an apple tree in the yard --
this would have been
forty years ago -- behind,
only meadows. Drifts
of crocus in the damp grass.
I stood at that window:
late April. Spring
flowers in the neighbor's yard.
How many times, really, did the tree
flower on my birthday,
the exact day, not
before, not after? Substitution
of the immutable
for the shifting, the evolving.
Substitution of the image
for relentless earth. What
do I know of this place,
the role of the tree for decades
taken by a bonsai, voices
rising from the tennis courts --
Fields. Smell of the tall grass, new cut.
As one expects of a lyric poet.
We look at the world once, in childhood.
The rest is memory.

Louise Glück [página 43

Existe uma tradução para português AQUI, mas quero a minha, e também a ilustração do Doug McLean com as duas estrofes [as voltas] finais do poema [o que te cativou Amanda].


Fonte: https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2017/05/elizabeth-strout-when-memories-are-true-even-when-theyre-not/524976/


Nostos é uma palavra grega que significa retorno, e que está na origem da palavra nostalgia. A odisseia de um regresso a casa, o equinócio da primavera que chega... fatalmente.

Outras leituras, divergentes e confluentes, em português e em inglês [estou a pensar no passeio grego que não posso, por agora, percorrer].

E tudo começou com...

Tensão superficial.
Fenómeno físico com nome poético,
De efeito estético.

Uma tentativa de haiku, no tamanho, mas falta o desconcertante-desarmante. Certinho, mas...


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Fenómeno físico com nome poético,

De efeito estético.

A pretexto do Dia Mundial da Água.

terça-feira, 20 de março de 2018

Traçado.

A caminho da Praia do Magoito, 20 de março de 2018, AQUI.

O início da primavera. Segue-se o Dia da Árvore e da Poesia, por exemplo, AQUI e AQUI.

Somos poesia,
Talvez enamorados,
Quando as janelas de tempo se casam,
Por exemplo,
Num banco de jardim.



Belos dias nos esperam,
A traçar.

Da realidade diversa e dispersa, um foco
Da necessidade de libertar da pena
Do prazer
O recato da roda dos expostos
Aclarar difuso... infixo
Metamorfoses!


https://en.wikipedia.org/wiki/Tree_of_life_(biology)

Numa parede da Quinta do Bulhaco, AQUI.


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Mesa [ex] posta...

À procura de um local, que afinal está cercado, andei ao redor, e na impossibilidade de entrar fui observando à distância, e restou-me o céu, parece...



os braços sinuosos de um rio que irrigam uma imensa floresta. Invertendo o canal de cor azul da imagem, um pouco mais de contraste e uma ligeira correção gama, fica assim:



Um Amazonas se revela. Descendo à terra, a "ramalhal figura" no meio do jardim. «O português, se é magro, trota», dizia, e dei por mim a pensar que há um certo trotear nas minhas passadas diárias. Bem observado Ramalho.

O porte arbóreo do Ramalho na estátua de Numídico Bessone.


E voltei à Casa / a casa...


Afinal queria tão somente estar na companhia da Fernanda de Castro, desembrulhada do papel precioso [escasso e simples] que outrora embrulhava o pão. Recordo a Dona Alice da padaria, penso que ainda é viva.

No primeiro volume das suas memórias, página nove, leio o seguinte:

«Não sei se é um bem, se um mal esta corrida para o espaço, mas não posso esquecer os olhos angustiados daquela criança que me perguntou ao ver no cinema um foguetão apontado para o céu:

— Vão matar os anjos?
Sim, confesso: estou de mau humor por causa da Lua.

A Lua sempre foi dos poetas, não esse miserável planeta que os sábios inventaram, mas

A Lua que eu amo,
Nimbada de luar,
Algo de branco, puro,
Inacessível,
Algo para cantar
quando o silêncio, a noite, a solidão
são lágrimas de sangue que o Poeta
se recusa a chorar.

Ainda a propósito da Lua: julgamos conhecer os outros e nem sequer nos conhecemos a nós. Nunca me considerei especialmente romântica, e afinal parece que sou. Aborrece-me que os homens vão à Lua, que transportem para a Lua os seus pequenos problemas, os seus micróbios, os seus miseráveis engenhos. E mais uma vez me vêm à memória aquelas palavras dum cavador de enxada em Castelo Novo, na Beira Baixa, tinha eu quinze ou dezasseis anos:

— A menina sabe porque é que o Sol é tão bonito?
Logo a seguir, sem me dar tempo a responder:
— É porque os homens não lhe tocam!

Tenho estado a pensar que a solução seria, talvez, escolher, adoptar, promover outro planeta, ou, já agora, uma estrela. Mas não, nenhum astro me parece já suficientemente distante, definitivamente inacessível. O melhor será inventar um planeta para uso exclusivo dos poetas, como um nome branco, suave, com ressonâncias de harpa eólica:

Luália
da lívida brancura da magnólia,
do pálido esplendor
da camélia, da azálea.

Ou então:

Luélia
clara, distante,
a palidez de Ofélia.»



A leitura continua. O segundo volume trouxe-mo a minha irmã da Livraria Esperança, na ilha da Madeira, não tinham o primeiro volume, mas por mãos amigas acabou por vir parar às minhas mãos. Mãos irmanadas. Na capa a Fernanda de Castro aparece retratada por Tarsila do Amaral [óleo sobre tela de 1922]. Se a semente alada da tipuana, qual marcador de livro, me levou ao Jardim de Santos para iniciar a leitura do volume, não consumada por estar fechado o jardim, foi na feita mesa na Casa Roque Gameiro que comecei a saborear o livro. Falta [re]embrulhar o livro com o papel da padaria, porque o livro também é pão. Tentei, mas não consegui, sem ter de cortar a folha, o que obviamente me recusei.


2015/06/20 / 11:40:04 AQUI.

Nas nossas tipuanas
No tapete amarelo-dourado ou na semente alada
Encontra-se o que não se procura...

Que permeia e nos eleva
Que salva e dá sentido

A beleza espalhada pelo mundo.

domingo, 28 de janeiro de 2018

NADA[S]_MEU[S]_0002_TUA FOLHA.

Deste por ela no chão da garagem... espalmada.




Radiografando...






O tronco esfoliado, no Jardim Botânico da Ajuda...




A árvore que rejuvenesce da cabeça aos pés.

Sinais.

Ao saíres de manhã dei-te atenção redobrada [chovia], e fiquei a observar-te, não deste por isso, o teu olhar fixo avançava para a estrada. Estava contente, mas estou sempre assim pela manhã.

Mais tarde, as dezenas de números que antecediam a minha senha para o Cartão de Cidadão, deram-me tempo para procurar a leitura e a serenidade de que estava despido. Existiria ainda o espaço da INCM nas Laranjeiras?... deambulei e não. Havia um Pingo Doce por perto, recordei... é isso, os Ensaios da Fundação. Número 8, infinito de pé, acabou por ser o escolhido... as dificuldades do nosso Gustavo, e outras contingências.




O primeiro gesto é sempre a abertura aleatória e o poisar dos olhos na página, à procura... título, parágrafo, imagem, uma ponta de palavra por onde puxar. Ficha técnica, índice, prefácio, no seguimento e em ordem alterável no instinto da ponta que agarrei.

MINÚCIAS foi a ponta, página 35 só para que conste, porque o interesse do número é o seu alcance prático. E segui, por vezes saltitei: interdependência, direito de errar, valor, preferências, factos, evolução, valor intrínseco, egoísmo, egoísmo universal, sentido, distinções, diversidade, felicidades, realidade, a medida de todas as coisas, raciocínio, representação, sonho, ilusão, contingência, realidade necessária, números, hipóteses, partes e todos, Deus, raciocínio, sorte, justificação falível, controlos e ajustes, lógica, argumentação, verdade. Soou o beep, tinha chegado a minha vez.

O regresso sem pressa tem sempre muito préstimo, e foi o que aconteceu. Conjecturei sobre alguém só pelo cheiro que senti, mas continuei a ler, e quando me levantei para sair do Metro confirmei visualmente que estava errado [não é marginal].

No papel que tinha não queria escrever, e para escrever no livro faltava o lápis. No dia em que um livro chega pela primeira vez à minha mão registo a data, local de compra e o valor. Por vezes também uma pequena descrição das razões do meu "encontro" com o livro, ou o que me aconteceu nesse dia. É um vago e disperso registo diarístico. Acabei por escrever nas páginas em branco no final do livro com a minha esferográfica. O assunto ficou resolvido assim:



Mas retomando os sinais, descobri “Como se não existisse nada” na Loja PÚBLICO no Colombo, ou a karandash Edelweiss [não a comprei]: lembrei-me de nós e de ti. Os coentros que detestava e que acabei por gostar de tanto os utilizares, ou o musical [lamechas... estou a ser cruel] que aprendi a apreciar.

Cheguei primeiro a casa. Confessei-te depois que desisti da ideia de ir ter contigo, sem que o esperasses, ao Continente, por causa do trânsito, e assim foi. Pensei em surpreender-te aquando da tua chegada a casa, mas para não te assustar [és assustadiça eu sei] pensei em colocar um papel no chão, com algumas palavras ou bonecos de antecipação. Pensei, confessei, mas não fiz.

Dei pela minha falta quando vi a carta e os chocolates: o derradeiro sinal.



Os sinais confessados casaram com o teu sentimento, e assim ficámos, equivocados, até ao momento em que perguntas, objetivamente, e te respondo: esqueci!... 26 de janeiro de 2001.


Na tua mágoa vejo espelhada a definição de Amor do Christian Millau no seu "Dicionário de um pouco de tudo e qualquer coisa" [degustem este delicioso título]: Substância de origem divina. Uma de suas propriedades é poder dissolver-se na vida quotidiana. AQUI

Posso tentar, mas não quero, atenuantes... mas, dissolvendo amor no nosso quotidiano este fica mais doce. Outra via é procurar maneira de te distrair, para que esqueças o preço do meu perdão... Mestre Sebastião.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Alcance prático II.

in "Le jardin des plantes", 1842.
Um exemplar para venda, TENTADOR.

Poinsettia é a legenda da ilustração [belíssima]. A "flor de Nochebuena" que Joel Roberts Poinsett, filho de um médico francês, e primeiro embaixador dos EUA no México, aficionado botânico amador, descobriu no Taxco em 1828. Encantado pela viva cor, enviou alguns exemplares para a sua terra, a Carolina do Sul,  iniciando a sua difusão pelos seus amigos e jardins botânicos.

Floresce por altura do solstício de inverno [pequenos nódulos amarelos], no hemisfério norte é a época natalícia, mas o nome comum em Portugal é "Manhãs de Páscoa", ou aportuguesando, poinsétia. O nome científico é Euphorbia pulcherrima, "a mais bela eufórbia", em latim. As suas folhas vermelhas, que desconhecedores, podemos supor flores, são na verdade brácteas, uma solução evolutiva que permite uma maior eficácia e eficiência, pois «estas folhas modificadas permitem a polinização / reprodução desempenhando a função das flores noutras plantas, sem deixar de ganhar energia através da fotossíntese por serem folhas. Também evitam o consumo de energia associado à formação de flores coloridas e odoríferas mas incapazes de fotossíntese. Isto é possível porque a planta é polinizada por aves e não por insectos. De facto, as aves não são sensíveis a aromas de flores mas são atraídas pela cor vermelha das folhas.» AQUI


Um enternecido obrigado pela foto e esmero na informação.

Chamei-lhe tanganhos, palavra que conheço da terra dos meus pais, numa descrição apressada, ao emaranhado de ramos, que não estão secos, e que suportam as vívidas"flores" da poinsétia. E foi o anzol da palavra que me leva a ler...


O primeiro descompromisso do ano, e sem querer também aconteceu a 5.

a prosa poética da Mariana... as gravuras e o cheiro a tinta mais intenso, de que gosto, as duas coisas andam ligadas, a sentida gramagem do papel no arquear e na suavidade, a leitura do contemporâneo quotidiano, com alguns pontos mais apelativos pela proximidade das experiências, que de uma forma ou de outra acabamos todos por ter, as gravuras que se tentam encaixar e subverter quando não se entendem à primeira. Ainda não terminei.



Um alcance muito prático... suportar melhor os dias.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Entre os dois...

Primeiro foi entre ti e mim, tocaste-me com a graciosidade do teu desprendimento [julguei-te outra, sim outra], e estavas certo, afinal não eras um cristo [significado 2]... renovavas-te... e estava tudo tão certo, e eu não o sabia no momento... passeei-me em frente de ti, mirei-te, fotografei-te passavam 18 minutos do início do novo ano.



E fiquei...



As sombras que desabrocham, só dei por elas depois, até poderia ter-te centrado na cruz, mas não estava a ver, estava a sentir, e ainda bem que não te preguei...




Tudo subtileza e elevação... dá vontade de fechar os olhos, projetar o peito para a frente, e os braços para trás, suavemente... e inspirar... quase que se levantam os pés do chão... um alongamento es... não arrisco a palavra... poisando de seguida na expiração [expiação]...

E voltei de dia, tinha de voltar... seria?



Não, era Ele...



E mais forte [contradição?]...




Este meu desapego, que é uma falta [de contradição em contradição]...

Descobri depois que aqueloutro, o que está em frente...



Se revela assim



Não padece na cruz, lança o repto, suporta... é o suportai da mensagem anterior.

Entre o Jesus do Filip Moroder Doss, que se encontra no novo presbitério do Recinto de Oração, e o Jesus da Catherine Greene, que se encontra no interior da Basílica da Santíssima Trindade, há redenção.
«When Greene was tasked with an extremely demanding commission to make a large scale crucifixion work for the new Basílica da Santíssima Trindade at Fatima, Portugal, she felt compelled to avoid the melodrama and tragedy that heretofore dominated the genre. The Basilica is a marvel of contemporary architecture, designed to a grand scale with a colossal interior that seats nine thousand congregants. Greene preferred to depict Christ as the redeemer no longer suffering, a choice that is more fitting within the optimistic grandeur of the location. Rather than hanging painfully on broken arms, Christ appears upright with arms and hands outstretched wide in anticipation of resurrection. Greene’s stylistic approach is close to the manuscript depictions of Christ from the early middle ages when symbolism had not yet been superseded by sublime mimesis. The crucifix lacks the menace of solid form, being made of two bars that simply approximate the shape of the cross. Christ’s body is tensed with vigour and strength and lifted upwards with the possibility of flight. It is a redemptive work that sits well in its very impressive surroundings.» AQUI
Entre os dois há um voo de possibilidades...





P.S. Sendo mais explícito, aqui têm o mapa com a localização dos dois cristos, de frente um do outro, que se contrastam na forma [gestos], na cor, mas, unidos na mensagem, não estão presos à cruz. No início vislumbrei uma figura feminina, obviamente dissonante, mas depois evoluiu para a minha questão acerca da Fé [palavra feminina]. Sou eu que estou entre os dois, sem saber o que fazer... Não me canso de observar a escultura do Filip Moroder Doss, razão pela qual aqui estão seis fotografias dessa obra. Ver de ângulos diferentes e com luz diferente, bem vistas as coisas tudo começou com a luz, foi ela que me capturou, e o que a Carissa Farrell escreveu sobre o cristo da Catherine Greene completou o que me faltava, por isso a citação. Vale a pena atentar no pormenor do mosaico que aparece em duas das fotos. E tudo o que acabei de revelar foi aclarando [construído] ao longo da semana que passou, mas fica sempre a porta aberta a outras interpretações :) O resto foi tudo acasos, como este de hoje: o que fazer com esta anotação feita por mim num livro: otimismo da vontade, pessimismo da razão. Continuo a andar às voltas... e o tempo passa!
Arriscando a palavra: espiritual... alongamento espiritual, um claro contraponto/prolongamento dos alongamentos da coluna que tenho de observar por causa da minha lombar. Explicadinho assim talvez tenha perdido a graça.

O título desta mensagem poderia ter sido:
Entre as duas...

domingo, 31 de dezembro de 2017

Alcance prático.

"porque nada educaria melhor os moços e melhor livraria os velhos da vilania"

Escreveu Mário Dionísio no seu estudo sobre Van Gogh, primeiro parágrafo da página 6; e foi assim que encontrei um trocadilho: um livro livra, a propósito de livraria.  O livro acompanhou-me porque é fácil de ler... letra grande e assunto de remoer [contradição?].

As portas apareceram sem as procurar, mas a que procuro não se abre...



Portas da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima.




Um acidente com o tempo, uma forma de luz que se encontra. Não resolve nada, mas no vaivém...


Primeiro dos catorze painéis da via sacra da Basílica de Fátima realizados por Lino António [JESUS É CONDENADO À MORTE].

para além da geometria, ouço a explicação do suportai... ajudai-vos uns aos outros, a construção do sentido de comunidade... não te resignes num grito lancinante de silêncio/afasia [acrescento eu].


Minha trindade.

"Ver implica a descodificação dessa ínfima parte do espectro luminoso que atinge a retina e numa fracção de segundo invade a nossa consciência, dando-nos a conhecer a «realidade visual» - «aquilo que se vê e se faz ver» - que, de certa forma, nos é familiar."

Escreveu Ana Mantero no artigo "Roque Gameiro, o desejo de pintar o «visível», segundo parágrafo da página 30 do catálogo da exposição «ROQUE GAMEIRO, O Mar, A Serra, A Cidade».

"Na velha dicotomia entre natureza e ambiente (em inglês, "nature vs nurture"), o ambiente tem um papel muito importante quando se trata de correlações que se estendem ao longo de várias gerações."

Escreveu Luís Cabral sobre "O Bisavô Alfredo", quarto parágrafo da página 36 do citado catálogo anterior, mais as palavras que desgarrei do parágrafo seguinte: bondade, capacidade de observação, noção de escala, distinção entre o acessório e o essencial, o belo como valor natural e transcendental, os gostos que não se discutem... mas educam-se, o bem que se herda e se semeia.

E qual o alcance prático de tudo isto? Desconjuntado, quebrado o embalo do início do dia, a ruminar o dia anterior, e na ânsia de acabar antes do fim do ano, sem entretanto ter pensado mais, fica assim mesmo, o que estou a passar em Fátima. E continua.


P.S. As fontes e o objeto [partido: fácil de arranjar, e um significado onde o não há: porque partiu o que segura o tempo?] do acaso:



Uma charada...