domingo, 19 de novembro de 2017

Oblíquo.

O que se segue em imagens, sentido 1. e 3. no DICIONÁRIO.


















No caos de enquadrar é ponto de fuga
Na poesia é Pessanha que é Pessoa
Numa imagem de Apollinaire
Perdido

cHUVA confusa na minha cabeça



MATERIAL DE APOIO_________________________MATERIAL DE APOIO


ÁGUA MORRENTE 
Il pleure dans mon coeur 
Comme il pleut sur la ville.
Verlaine
Meus olhos apagados, 
Vede a água cair. 
Das beiras dos telhados, 
Cair, sempre cair.

Das beiras dos telhados, 
Cair, quase morrer... 
Meus olhos apagados, 
E cansados de ver.

Meus olhos, afogai-vos 
Na vã tristeza ambiente. 
Caí e derramai-vos 
Como a água morrente
      
Camilo Pessanha


CHUVA OBLÍQUA 
                I
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...

Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...

Fernando Pessoa


AQUI...

Guillaume Apollinaire


P.S. Tudo o que ficou para trás é tão só a utilização excessiva que faço das linha obliquas imaginárias no enquadramento fotográfico [é só o que sei] como chuva que cai sempre oblíqua [nem sempre] na cabeça querendo acreditar que é o poema graficado do Pessanha [assim com erros e tudo]... hoje [19 de novembro de 2017] a caminho e no Museu do Oriente.

domingo, 29 de outubro de 2017

Quixotescos [nós, os que acreditamos e nos iludimos].

Foi bonita a festa, pá... linda e estouvada, novos e velhos embalados num amor adolescente de final de verão [e o tempo disso se calhar já passou. Ainda tens dúvidas?!]... não há racionalidade possível na loucura pulsada e desentranhada, o embalo prazeroso no presente que basta, e depois?... depois logo se vê...

Foi bonita a festa, pá... estou convosco no devaneio...

Viva a Catalunha LIVRE!!!

Patético, eu.

Mas a dor?


P.S. Ainda continuo na dúvida se deveria ter começado patético e terminado quixotesco. Descobri entretanto, e sem querer [repito-me tanto no "sem querer"] que Cervantes foi feliz em Lisboa e Barcelona.

Sinta-se livre de [me] adjetivar nas seguintes linhas:
_________________
_________________
_________________
_________________
_________________


Desconjuntando...


Uma extensão gira para adicionar ao seu Chrome. O que é?


O que é?

E tudo isto era para não ter acontecido, mas aconteceu. Necessidade imperiosa-improvável.
Estou de regresso, cento e onze dias passaram.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

50 anos de Corto Maltese.

A personagem apareceu a 10 de julho de 1967 na revista Sgt. Kirk, publicação mensal italiana de fumetti, lançada por Florenzo Ivaldi, Claudio Bertieri e Hugo Pratt [desenhador, e outras palavras terminadas em dor, criador da personagem], faz hoje precisamente cinquenta anos. A Balada do Mar Salgado, nome da história que continuaria a ser publicada até fevereiro de 1969 [curiosamente, primos, "aparecemos" todos nesta janela de tempo].


Numa cruz de Santo André [a jangada subjacente lembra a grelha de São Lourenço], faz a sua aparição o martirizado Corto Maltese... não combina... bem vendo as coisas até combina, porque mártir é aquele que vai até ao fim [aprendi na missa de sétimo dia], e à sua maneira o Corto Maltese vai até ao fim. Da mesma forma que, à sua maneira, traça o seu destino [do latim fortūna]...



Corto assim o revelou a Pandora na Balada do Mar Salgado... [falta-me fazer o meu ZAC... talvez o medo da dor]. Pandora... Gisela Dester, a vida do autor, Hugo Pratt, que estou a descobrir na leitura do seu livro de memórias e reflexões «O Desejo de Ser Inútil»... ó glorioso título!

Não me recordo ao certo por onde comecei a ler Corto Maltese, não foi A Balada, pela qual não me entusiasmei na primeira leitura, talvez pelas Célticas, no princípio/meio [?] dos anos 80.

Esta imagem está aqui por causa do subtítulo.
O amarelado de base é a patine do tempo. Sim, já são velhos estes livros.

Publicado pela Edições 70 [excepto A Balada publicada pela Bertrand], paulatinamente ia comprando e lendo, e foi assim que juntei todos os títulos publicados. Vinha da fase do Tintim e do Alix [esqueci-me do Astérix, bem lembrado Jorge], digamos que fiz um upgrade em sintonia com a maturidade crescente.

A personagem inspira admiração, mas é inacessível, não dá para ser como o Corto, alto e espadaúdo [eu]; na maneira de pensar e de agir [a coragem do Corto] muito menos, verdadeiramente nunca sei o que está na cabeça do Corto. Tudo somado é o lado nonsense de tudo, as ambiguidades, os pormenores, as referências propositadamente [assim o entendo, mas posso estar enganado] esparsas e ecléticas, o toque e o cheiro da poesia [intuída]. Passaram algumas décadas e não reli Corto, o que acabei de escrever foi o que ficou das leituras dos anos 80. Da mesma forma que a Hipazia da Fábula de Veneza,

Esta imagem está aqui por causa do gato :)

Esta imagem está aqui por causa da frente do Corto.

ou a Boca Dourada e os cangaceiros em Sob o Signo do Capricórnio,

Esta imagem está aqui por causa da genealogia do Corto, e do par de mãos dadas [voluptuosa elegância].

Esta imagem está aqui por causa do perfil do Corto... e os chapéus.

Afinal os chapéus existiam mesmo, era um Brasil que não conhecia [ao tempo].

Falta-me terminar a leitura de «O Desejo de Ser Inútil»... afinal o Universo Corto tem tanto de ti [As Etiópicas, por exemplo, ganham outro sentido], e ler, pela primeira vez, as derradeiras obras As Helvéticas [1988] e  [1992], para poder recomeçar, num tempo diferente.

Esta imagem está inclinada porque assim está no meu livro; e está aqui porque... [é linda]
Penúltima página da Balada.


Post scriptum

Tanta coisa vai ficando para trás: o Conselheiro Segurado [obrigado Osvaldo]; o kitsch visto numa capa de Thoreau; acerca de «Uma selecção para ouvir no carro do Abel»; a vida de um cardo; o esboço da minha Sintriana [o Chá da Pena, ou a arte do professor Emílio de Paula Campos, por exemplo]; as subtilezas do poema Liberdade, a pensar no Gonçalo; os contos da Maria Archer que não acabei de ler; uma placa para um diospireiro ou a "coroa" para uma coluna num miradouro.

Do pouco tempo que tenho para mim,
O Muito do pouco que me é cortado.
Amachucado...
Irra!

[Intencionalmente escrito em Helvetica]

sábado, 24 de junho de 2017

[intencionalmente deixado em branco]

Invariavelmente só queremos dar conta dela quando nos ronda. Eu, que tenho a curiosidade de a tentar antever nos meus próprios sinais de envelhecimento, que ressaltam com o virar das décadas, capítulos das páginas do livro da vida, corri para os braços da poesia para encontrar algum conforto na compreensão, que não é mais do que o desespero de quem não tem fé.

Atitude egoísta, lá irei, e foi assim que encontrei na antologia «Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade» [página 70] o seguinte soneto do Teixeira de Pascoaes:

Ao crepúsculo

Ó tristes lábios meus, rezai, rezai!

É a hora, sim, do Enigma. Eis o momento
Da extrema-unção da luz... E tudo vai
Com ela. E só nos fica o pensamento!

Pela flor que murchou no esquecimento;

Pela asa que se eleva e logo cai;
Pelo sol, pelas nuvens, pelo vento,
Ó tristes lábios meus, rezai, rezai!

Rezai por tudo quanto a morte leva,

Nas horas doloridas, em que a treva
Mostra seu negro vulto que arrepia...

E sinto, em mim, um vago horror profundo,

Uma tristeza já de fim do mundo,
Como se nunca mais houvesse dia...

O meu "eixo" está nas palavras a negrito, nem sequer é uma interpretação, é mais o que eu quero [alcanço] ler/ver do poema, porque as "horas doloridas" ou a "tristeza já de fim do mundo" só amassam ainda mais, e a resposta do Pascoaes é "rezai, rezai!"...

Mas hoje na missa de corpo presente o "rezai, rezai!", sem fuga possível, encontrou um seguimento nas palavras do padre, do qual não sei o nome e tenho pena [porque gosto de personalizar]... confiança na esperança. Embora fique na mesma, porque o problema de base quanto à fé se mantém, o problema [absurdo/medo da morte] pode ter uma solução para aqueles que acreditam.

A Tia Lurdes acreditava, o Tio Abel assim-assim, e era por eles que deveria ter começado, pelas minhas lembranças, e não pela tentativa narcísica de compreensão, no relativo conforto estatístico da idade que tenho [o meu egoísmo].

Como afilhado e sobrinho sempre senti um carinho e uma deferência de ambos por mim, é certo que vivemos muito tempo na mesma rua, e partilhei com o meu primo Paulo a "gloriosa" adolescência, mas penso que os restantes primos também se aperceberam desse carinho que a Tia Lurdes tinha por todos, fazia parte da sua essência, de fato ela prezava muito a família. Da minha madrinha "herdei" o jeito de fazer as coisas bem, mesmo à custa de um certo tempo, infelizmente não "herdei" a fé. O Tio Abel tinha vincado nele a preocupação da subsistência, que por vezes se sobrepunha a tudo e o tornava insensível, mas era um sujeito bem disposto, que gostava de ajudar, um trabalhador muito consciente do seu dever. Tantas estórias dos seus "desvairos" de fim de semana... não fazia a coisa por menos... 5L! As viagens na Mercedes grande para a Terra, a cadeira de esplanada, pintada de verde, onde se sentava ao fundo, o cesto com as couves do Chão de Lopes, as "bolas" de plátano que lhe atiramos... nesse dia tu apanhaste Paulo :)

As últimas boas recordações que guardo foram da apanha da azeitona [2009 e 2010]: eu e os meus pais, a Tia Lurdes e o Abel... uma equipa :) O meu pai conduzia o Golfo do Abel [sentado ao lado], os restantes três atrás. O tempo de viagem era aproveitado para conversar. Aqui vos deixo uma estória contada pela Tia Lurdes sobre o que ela ouvia à Conceição Carregueira [Pé da Serra] ao levantar de manhã:

Deitava os olhos ao telhado e os buracos a luzir [casa de gente pobre]
OLÁ RIBA! [toca a levantar]
À vidinha vidinha que tanto custas.

Hoje, dia de São João do ano de dois mil e dezassete, a Tia Lurdes e o Tio Abel fecharam os seus círculos excêntricos.

[Fotos, agosto e novembro de 2009, AQUI]

domingo, 11 de junho de 2017

Maria, horta e jardim.

[...] Voltaire termina ‘Cândido, ou o Otimismo’ de uma forma enigmática, mas deliciosa – sim, o otimismo é bom; mas "devemos cultivar o nosso jardim".
O que li AQUI, mas que não consegui confirmar na edição que tinha à mão,



pois termina assim: mas é preciso cultivar a nossa horta.

Jardim e horta não são sinónimos declarados, quase funcionam como antónimos, se pensarmos na dualidade corpo/mente, prosaicamente: comem-se de formas diferentes.

No original em francês temos: mais il faut cultiver notre jardin.

A nossa palavra jardim vem do francês jardin, que de fato é mais abrangente. A nossa horta vem do latim hortu, por via da palavra horto, esta sim também mais abrangente, como jardin. Mas também é certo que traduzir é interpretar, é como a aplicação das leis, raiando a reinvenção e a subtileza.

No penúltimo capítulo a trupe de desventurados fica a aguardar melhor destino numa quinta. Entre o vizinho dervixe que não lhes dá troco às suas efabulações filosóficas, e o vizinho turco que no trabalho encontra a cura para «o aborrecimento, o vício e a necessidade», estamos mais próximos da horta que sustenta, o terra a terra... e «cada qual tratou de exercer os seus talentos.», ou seja, cultivar o seu jardim.

Talento[s]... cuidar para que floresça[m]. Os teus, como estão e o que fazes com eles?

O cólofon revelou-me o nome da tradutora: Maria Archer. Quem és tu Maria?... horta, jardim?

Dos vários pontos de partida, alguns dos quais estão remetidos para o final desta mensagem, encontrei o seguinte livro, que terminei hoje de ler.


A fota da capa é de 1931, Maria Archer tinha 32 anos. Tinha-se divorciado um ano antes.

«[...] pose ao estilo da época [Betty Boop, acrescento eu], com ar sorridente e mesmo provocante, com um ombro a descoberto. Exala a segurança de uma mulher que se sente atraente e confiante.» Página 34 do livro.
Escritora, jornalista, conferencista, tradutora. Mulher culta e autodidata. A condição feminina na sociedade portuguesa do seu tempo, exposta a nu nos seus romances. A realidade colonial vivida, das terras e gentes por onde passou, nos seus escritos de pendor etnográfico. As suas obras críticas ao regime e o exílio. Portugal, África, Brasil.

O regresso a Portugal em 1979, debilitada e sem recursos, «quase sem darmos por isso. Mão amiga a troxe, semi consciente e piedosamente a internou na Mansão de Santa Maria de Marvila [com o tempo deixou de funcionar, um sucedâneo AQUI]» (página 122). Morreu a 23 de janeiro de 1982. Passou o seu testemunho de luta  para que as mulheres tenham iguais oportunidades.

A Maria era assim (páginas 112 e 113 do livro):

Esta situação terá ocorrido no início dos anos sessenta [no Brasil] [...] uma das meninas que refere ter ouvido a Dona Maria [Archer] a falar com a sua mãe, dizendo que nada substituia a escola. Tendo em conta que se tratava do seu próprio emprego [precetora das meninas], que estaria, assim, em causa, como veio a acontecer quando recorreram a outras formas de ensino para essas meninas, não deixa de ser surpreendente aquela afirmação, porque o facto de viver em casa da família pressupõe que se trata de um emprego a tempo inteiro. [...] Outro elemento que confirma o que relatámos atrás é referido por uma das duas irmãs, que afirma que a Dona Maria lhes falava da importância da liberdade de pensamento, de ação e sexual da mulher, o que seria contrário às ideias da mãe das jovens, [...] o que a levaria a repreender a precetora.
Outro aspeto curioso é a referência ao seu aspeto sempre cuidado e elegante, [...] ao qual é aduzido um pormenor: o seu jeito de mãos para arranjar acessórios, possivelmente muitas vezes para si própria.


Post scriptum


Do prefácio do livro consta o seguinte:

E aqui estamos com um livro sobre a mulher ousada, sem medo e assim elogiada por João Gaspar Simões, em outubro de 1949: «Esperem o juízo do tempo, e verão! Quando em 2049 se celebrar o centenário do aparecimento de Há-de Haver Uma Lei... todos os editores portugueses dignos desse nome baixarão os olhos, envergonhados, ao ouvir esta tremenda efeméride: em 1949, Maria Archer, autora de duas dezenas de volumes, teve de publicar a expensas suas o seu livro de contos Há-de Haver Uma Lei... pois não havia então em Portugal um único editor capaz de perceber que este livro era uma coleção de obras-primas do conto português».




Consegui um exemplar e estou a ler. Mas vamos começar pelos pormenores.

1. O ex-líbris na capa:


Em 1949 tinha a autora  50 anos. Fantástico, e mais não digo...

AINDA [há estrelas no céu]... o ainda transformou-se em LINDA por ilusão ótica provocada pela pouca luz ambiente, e um subconsciente encantado que assim o quis ler. Ficou mais ou menos assim...



2. A listagem das suas obras ao tempo:



Aparece a tradução de Cândido [Guimarães & C.ª Editores], a que está na origem desta mensagem, e da qual procuro uma primeira edição.

3. O excerto do diário de André Gide no início em epígrafe [mais referências a Gide AQUI]:





Post scriptum 2

«Parece uma horta, é só flores»... proferido num tom exclamativo esta manhã [sábado, 17 de junho], em Queluz, por um transeunte [aparentava quarenta anos, de perna tatuada], enquanto enxotava do para-brisas algumas pétalas.

----------------------------------
O que encontrei e li na internet sobre a Maria:

Maria Archer (1899-1982);
Maria Archer - Século XX - Centro Virtual Camões;
Singularidades de Maria Archer;
Menina e moça em África;
Entre o Índico e o Atlântico: Incursões literárias de Maria Archer;
Percursos de Maria Archer no Brasil - Teses USP;
Terras onde se fala português.

domingo, 28 de maio de 2017

À boleia...

Apanhei-te no domingo [passado], afixei-te na parede da cozinha, andaste comigo na folha que ficou ao lado do travão de mão. Só passados alguns dias te entendi.


CRAS INGENS ITERABIMUS AEQUOR
Amanhã enfrentaremos de novo o mar infinito

AQUI Revista Monumentos 26, página 248, nota 51

É o permanente desafio e tensão que se renovam a cada dia.

Apanhei-te a meio da semana, penso que a propósito do Gutenberg [por causa do lápis que me ofereceste prima], era uma expressão latina, tive o cuidado de juntar o link onde te encontrei, juntamente com outros numa mensagem, assim o pensei mas não te encontro. Puxo pela memória mas nem uma réstia.




Apanhei-te ontem, sábado, e foi a súmula das voltas que dou e que não sei para quê.


A vida é o que acontece enquanto estamos ocupados a tratar de outros planos AQUI Revista Ler, Primavera 2017, página 39

De segunda a quinta a besta de carga tende a sobrepor-se aos lampejos na mente, o cansaço dá a estocada final.

Como um código morse sem sentido tudo volta a acontecer no próximo fim de semana... desconexo.

AGUENTA... ENDURE...

domingo, 21 de maio de 2017

Stuart preparador.


Clique para ampliar.

Encontrei esta imagem no «Epistolário de José Leite de Vasconcelos» (Suplemento a "O Arqueólogo Português; 1). Fiquei intrigado sobre a ligação entre os dois.

Sem querer, descobri no texto do Guilherme d'Oliveira Martins, inserido no livro «José Leite de Vasconcelos (1858-1941) – Peregrino do Saber», página 31, a seguinte passagem:

Com ele colaboraram artistas: Stuart de Carvalhais, como preparador, e Francisco Valença, como desenhador.

Ativada a memória e estabelecida a ligação, temos os primórdios do Stuart, não como desenhador, então com 22 anos (Leite de Vasconcelos tinha 51 anos), tornando até inteligível o desenho: todos aqueles artefactos e ossos, o seu trabalho de preparador.

E como terá conseguido este trabalho?

Compaixão

A semana revelou-se atribulada, mas nas palavras escritas (quase a adivinhar o que iria acontecer): «Compreendo perfeitamente e identifico-me. O máximo de coragem para levar para a frente essa empreitada. [...] Somos sempre bons a dar conselhos, o pior é vivê-los», ou nas palavras proferidas: «vem cá trazer as mercadorias», sem  mais mas, uma verdadeira mão estendida, senti e encontrei alento. Obrigado a vós. A palavra título é isso mesmo.