domingo, 24 de janeiro de 2016

Aterfolhas.

Isto não assusta,
porque um dia
vai voltar...
a ter folhas.

This does not scare,
because one day
will return...
to have leaves.


Ramos de lódão fotografados e manipulados por mim no computador. A árvore encontra-se no início da Rua das Pedralvas (Lisboa).
Ontem no Ramalhão (Sintra).

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P.S. Marcelo Rebelo de Sousa, obviamente...




Final de dia (20 ou 21 de janeiro), chuvoso, passando de carro no Ramalhão, em direção a Lisboa, olhando fugazmente para uma árvore despida de folhas, vieram-me ao pensamento as palavras do início. O toque surreal "aterfolhas" surgiu hoje, na brincadeira.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O (im)previsto na «joyeuse entrée».

Final e início de ano fadado em Cascais, certamente no Cabo da Roca a começar um novo ciclo, e depois o disfrutar da vila sem pressa ou plano de maior. Nas malas o costume, na minha o «Guia Breve do Museu-Biblioteca do Conde de Castro Guimarães», dois livros de Stefan Zweig, e alguns artigos relacionados. Tinha descoberto a sua passagem pelo Hotel Atlântico (Monte Estoril), e queria saber onde ficava... deambulando, lendo, conversando.

No ano passado tinha descoberto (puro acaso), enquanto vagueavamos calmamente pela vila, a casa onde viveu algum tempo Mircea Eliade. O acaso este ano não estava nos planos, mas foi o que aconteceu. Não estive no Hotel Atlântico, nem li Stefan Zweig, acabei, acabamos, por descobrir Nicolás Muller e a Beatriz Manteigas.

Certa a passagem pelo Cabo da Roca, final de tarde, cheio de vida, não muito agreste, assim...


Olhando para sul, olhando para norte, um pouco à frente do...

Dia seguinte, Museu Condes de Castro Guimarães e Centro Cultural de Cascais, novamente o imprevisto no previsto. Premeditado o regresso a casa do Guia Breve do Museu (1952), e a visita à Exposição de Nicolás Muller no Centro Cultural, que desconheciamos por completo.

O que não estava nos planos foi a descoberta das quatro pedras epigráficas nos quatro vértices do claustro, à entrada do museu, sem autor, em quatro línguas diferentes, e que depois vim a descobrir serem de D. João Manuel, Alexander Pope, William Shakespeare e Pedro Calderon de la Barca, pela ordem em que as fui encontrando.



Entretanto aconteceu conversa com os funcionários do museu, e o Guia teve de «esperar» pacientemente, só depois percorreu as salas que estavam acessiveis, e foi feita a confrontação entre o que estava escrito e o que se tinha para ver. Por exemplo, faltavam ferragens no contador indo-português (móvel) e o «biombo chinez» apareceu noutro local, quando já dávamos como certo o seu «desaparecimento».



No Centro Cultural de Cascais as obras-primas do Nicolás Muller surpreenderam, e era o que esperava.



Mas surpresa mesmo foi os trabalhos da Beatriz Manteigas. Se a primeira exposição era, à partida, do meu interesse (Nicolás), a segunda (Beatriz) despertou logo a curiosidade da Roberta, e acabou por ser uma agradável surpresa para todos. Acabámos a andar (literalmente) a escolher qual a nossa preferida... para a frente e para trás, volta e não volta, mais de perto ou mais de longe...


A vitrine com os vários materiais de trabalho da Beatriz é simplesmente deliciosa... tanta coisa... apontamentos, desenhos, documentos, fotografias, material de pintura, a sua dissertação... pedaços da vida que passou, pedaços da Beatriz. É ao mesmo tempo comovente e fascinante, como crianças a olhar para um baú.



Esse dia terminou com «A Rapariga Dinamarquesa», quase de forma imprevista.

O fim do início do ano levou-nos à Coleção Masaveu no MNAA. Mais uma vez o previsto vai dar lugar ao imprevisto, na forma de desconhecido, certamente por ignorância minha, e que se traduz na descoberta de um grande nome da pintura espanhola: Joaquín Sorolla... Xoakin Soroya é a forma de pronunciar (a grafia é minha e não respeita as regras da IPA). É um dos quatro grande nomes destacados no cartaz da exposição, mas não dei por ele. O que não se conhece ignora-se. Só dei por ele quando fiquei em frente dos seus quadros. Foi o princípo de uma grande curiosidade, que ainda continua, e que estou a cultivar, ao ponto de olhar para Espanha com outros olhos. Posso dizer que Sorolla resgatou a minha curiosidade sobre Espanha, se é que alguma vez a tive verdadeiramente.

Parte do que vi de Sorolla...


A família de Rafael Errázuriz Urmeneta (1905) - Sorolla
Nadadores (Jávea) (1905) - Sorolla
O regresso da pesca (1908) - Sorolla
Vista de Toledo (1912) - Sorolla

São imagens do catálogo, que comprei uma semana depois, meramente ilustrativas e orientadoras, que requerem a leitura do texto que as acompanha, e o meu regresso ao MNAA para as contemplar, todas. Aqui o tamanho é igual, na realidade são muito diferentes. Esta última é a responsável pelo resgate que referi anteriormente.

Tudo isto é muito pouco para se ter uma ideia do trabalho, da importância, da vida de Sorolla. Ficam aqui sugestões de descoberta:

Mas a visita ao MNAA (Museu Nacional de Arte Antiga) começou assim...


Calvário (C. 1460-1465) - Joan Reixach

com o «sentido patético dos gestos contidos de dor». Cada um de nós deambulava, encontrava, chamava o outro, partilhava uma opinião. Gustavo ficou muito interessado nas naturezas-mortas.


Natureza-morta com objetos de ourivesaria (1624) - Juan Bautista de Espinosa

Esta, bem diferente, foi alvo da sua curiosidade. Mas Roberta também, a seguinte é a sua preferida...


Natureza-morta com flores e frutos (C. 1668) - Juan de Arellano

mas também o rosto, o olhar desta escultura... olha para os olhos...


São Diogo de Alcalá (1652-1658) - Pedro de Mena y Medrano

chamando a minha atenção. Outro quadro que junta preferências, eu e Gustavo...


Mercado de Valência (1901) - Santiago Rusiñol

ou o seguinte que o fascinou...


Paisagem de primavera (Anfiteatro) (1911) - Santiago Rusiñol

ou o seguinte, em que nos juntámos os três a ver o que aqui não dá para ver...


A Sagrada Família com São Joaquim e Santa Ana (1768) - Luis Egidio Meléndez

a cor sobre uma superfície imaculada... a cor, mas que cor... azul, amarelo, vermelho...

Leigos viemos... vimos e sentimos, alguma coisa de leigo cada um perdeu, o estar perto do belo nos enterneceu, nos provocou. No meu caso ficou um imenso desejo de descobrir mais, por isso senti a necessidade de comprar o catálogo, começar a ler, e voltar.

Ainda houve tempo de saltitar por duas obras e uma exposição...




e visitar o «SEQUEIRA NO LUGAR CERTO».

E foi assim o nosso imprevisto no previsto, que nos proporcionou uma entrada feliz (joyeuse entrée) no novo ano; diferente de «Joyeuse Entrée», subtilezas!

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P.S. O cabeçalho do blogue tem por base um excerto do quadro Malvarrosa de Sorolla, a letra é a P22Monet Impressionist. Monet que disse de Sorolla: o pintor da luz acima de todos os outros.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Minimalista_minimalist.


Fonte_sourcehttps://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/201511

Fonte_sourcehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%ADpoda

Fonte_sourcehttp://www.littlethings.com/driving-style-personality-quiz/

Fonte_sourcehttp://www.tsf.pt/programa/sinais/emissao/sinais-d-maria-ii-4952096.html

Fonte_sourcehttp://www.askphilosophers.org/topics


(está a passar na RTP neste momento, 11h52 1JAN2016
on air now, January 1, 2016, 11:52 AM, public broadcasting 




O ontem que se projeta no hoje. Uma mão cheia de... sejam curiosos.
Yesterday projected on today. A handful of... be curious.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Luxúria... um forte desejo de CO2 e CH4 no Natal.

Não é fácil contrariar o desejo de consumir, de ter, especialmente quando à nossa volta tudo nos convoca, e provoca, para a orgia. Mas há que resistir, encontrar prazer onde menos se espera, prazeres tricotados na mente com a matéria dos sentidos, que nos libertam do peso de existir, do tempo que parece acelerar, do vazio que sempre teima em se instalar, numa aproximação infinitésimal da vida quotidiana: menos tempo, menos tempo, mais insatisfeito, mais insatisfeito, mais e mais, que resulta em menos e menos. Não precisar de tanto liberta-nos.

A face visivel destes desenganos são os padrões de consumo, e a forma como são produzidos esses bens. Hábitos que se instalaram, conforto no desperdício, segurança imaginada: o alimento perto e abundante, com embalagens giras, as engenhocas que nos fazem sentir senhores dos nossos destinos, e todos os dias há coisas novas, e assim vai crescendo a economia, rapidamente esgotando os recursos, reduzindo o nosso espaço de manobra.

É impossivel estar sempre a crescer, olhem para vós... estão sempre a crescer?... E quanto mais se crescer, assim, mais perto chegamos ao fim, e mais doloroso o ajustamento futuro. O futuro vai-nos cair em cima. Neste momento já não é nada fácil, por exemplo, se reduzir o número de presentes que irei comprar este Natal, se viajar menos, se comer menos (e esta é uma época de excessos), certamente estarei a contribuir para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), os principais gases com efeito estufa (falta um terceiro que é o vapor de água), mas também estarei a contribuir para um abrandamento da atividade económica, mais despedimentos, perda de rendimento, dificuldades em cumprir compromissos assumidos. E quando não se pode fazer o que todos fazem, fica-se mal.

É uma teia de compromissos, de bugigangas, de tempo que se esgota, uma bola de neve que vai aumentando e acelerando, a que se pode juntar uma avalanche: as emissões de gases com efeito estufa estão a provocar o aumento da temperatura, provocando o degelo, que por sua vez pode desencadear a libertação de grandes quantidades de metano acumulado no permafrost, com efeito multiplicador sobre esse mesmo efeito de estufa, o que pode provocar alterações drásticas e repentinas no clima (é um risco real). Nos oceanos não é apenas a subida do nível do mar, que é já um problema, mas as alterações nas correntes oceânicas, o grande motor de distribuição de calor à escala global. Neste momento as alterações climáticas já estão a acontecer, e é fácil de perceber porquê: olhem para a vossa futura da eletricidade, e confirmem os quilogramas de CO2 que lançaram para a atmosfera no mês passado, só por esta via, mas falta o resto (viagens, alimentação, conforto térmico...). Quantos quilogramas produziam os vossos avós?

As condições favoráveis em que prosperamos estão a desaparecer rapidamente, ameaçando o nosso futuro. Não vamos lá só com a "neutralidade" e com o "assim que possível", devemos explorar todas as vias, a nível individual e coletivo, tecnológicas e de comportamento, aqui não existem fronteiras nem crescimento que nos valham.

Fazer diferente e começar já, ser a diferença. Vai ser difícil, muito difícil, olhem à vossa volta, a começar pela forma como ocupamos o espaço, como cresceram as nossas cidades, movimentos de pessoas e trocas comerciais, por onde passam as estradas, espaços de grande concentração que exigem um grande vaivém diário, no caso de Lisboa a perda de grandes áreas agrícolas que foram cobertas de betão, o produzir e consumir local desapareceu. É fácil desperdiçar centenas de quilómetros numa semana só nestes percursos ineficientes. A generalização rápida de meios individuais de locomoção elétrica, com as restrições de autonomia que este tipo de veículo tem, iria certamente induzir novos comportamentos.

Diversificação e complementaridade de novas formas de energia, com destaque para as renováveis, mas também de novas fontes alimentares, e da composição da nossa dieta alimentar, do combate ao desperdício e ao supérfluo, e tudo isto desemboca em novos hábitos de consumo.

Uma economia baseada no crescer e no vaivém não é sustentável. Mais do mesmo não é caminho, é abismo.

Cultive dentro de si, e exteriorize, a FRUGALIDADE e a CRIATIVIDADE... no seu dia a dia, na sua vida, e sinta-se feliz, com menos CO2 e CH4 :)

Foi assim que encontrei a minha árvore de Natal para este ano. A ideia surgiu no domingo passado (13), em frente de minha casa. Estar atento, desperto para os pequenos prazeres, no meu caso as árvores, tenho outros pequenos prazeres... diversificar, complementar... e bastou ajeitar com o pé direito, em forma triangular, o amontoado de folhas dispersas pelo asfalto... no meio delas destacava-se um linda folha... ficou a estrela. Um leve vento criou um adorável imprevisto na hora de fotografar, e ficou assim...





Depois foi trabalhar em casa a fotografia eleita, e ficou assim...






A primeira para imprimir, e ou enviar por email, a segunda é o meu papel de parede no computador... o asfalto virou céu estrelado... na noite de Natal vamos ter lua cheia. A última vez foi em 1977, a seguite, depois desta, será em 2034 (é como estará a Terra e todos nós?)

FELIZ NATAL a todos vós, do fundo do coração... PAZ e BEM.
MERRY CHRISTMAS to all of you, from the bottom of my heart... PEACE and ALL GOOD.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Momiji...

... os tons de fogo e dourados que o outono pinta nas folhas dos plátanos. Semana após semana o novembro vai nos oferecendo este espetáculo de cor, a que se junta o movimento, em certos dias de vento. Podemos então observar espirais, mais ou menos conseguidas, de coloridas folhas dançantes, ou o crepitar pelo chão seco, quando o vento se espraia ao longo de um passeio empredado, atapetado de folhas encarquilhadas, férreas e térreas, fábricas de energia que cumpriram a sua missão... nesses fugazes momentos vale a pena fechar os olhos e ficar a escutar... uma sugestão AQUI (plátanos, castanheiros, e tílias no fim da rua), num sábado de manhã, antes das 9h, para evitar a poluição sonora, o apinhar de gente e carros.

É preciso estar atento, tudo isto se vai afinando, a cor e os sons, de uma semana para outra pode-se ganhar em cor, perder no movimento, ou vice-versa, mas depois de passado o ponto certo já não há regresso, só no próximo outono. Tudo isto se vai gastando, e já perto do inverno resta o cavername arbóreo, no caso dos plátanos ficam então expostas as desumanas podas de que são vitimas... varelas espetadas num tronco cheio de tumescências... castrados.

Foto do outono passado (13DEZ2014)

Podemos ir mais além nos sentidos, juntar o paladar e o olfato, fritando e comendo as folhas secas de momiji, como fazem os japoneses, a tempura (fritura) de momiji. Quanto ao sabor só fazendo, podem encontrar a receita AQUI. A técnica da tempura foi introduzida pelos jesuitas portugueses no Japão, com origem em Goa?... resumindo, peixinhos da horta à japonesa :)

Montagem feita com fotos tiradas DAQUI.

Foto do outono passado (22NOV2014)

Para terminar, foto deste outono, mas que revela mais uma surpresa. A árvore é um diospireiro descendente de um que sobreviveu à bomba atómica lançada sobre Nagasaki (Revive Time: Kaki Tree Project). As cores do outono e da esperança.

Foto deste outono (21NOV2015)

Esta árvore encontra-se à entrada do MU.SA - Museu das Artes de Sintra, do lado esquerdo de quem sobe a escadaria de acesso. Não tem qualquer identificação. Soube da sua existência ao ler este ARTIGO.

Resta o mais importante... vens do ródio, vais para o paládio, mais uma volta ao Sol que completas hoje. Muitos parabéns mana :) Esta mensagem foi escrita a pensar em ti e para ti :)

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P.S.




domingo, 22 de novembro de 2015

Ascensão de Maria.

Não foi no dia 14 de novembro de 2015, nem nos dias seguintes, que aconteceu a ascensão de Maria, mas ao longo de uma vida, longa de tudo, coerente na palavra e ação, e na ação na palavra, uma relação biunívoca com a vida, que começou no dia 20 de maio de 1916.

Tudo junto, e cultivado, sem pretenção de maior que não tenha sido o caminho da virtude, podemos hoje dizer, e aproveitando a coincidência das palavras do seu nome com o percurso da sua vida, longeva e resistente como o carvalho, uma pequena pedra de valor (Pedrina), firme e inabalável (Rocha), que cumpriu a sua parte em vida.


As memórias de vó Maria em livro, escritas por ela.

É assim vó Maria, nas palavras que nos deixa, com aquela simplicidade que se basta a si mesmo, sem complicações ou pretensões, direta, quando escreve: apesar de tudo, sou feliz e estou convicta do dever cumprido.


Vó Maria em oração, que se nos oferece...






... Roberta estou oferecendo esta oraçaos com lembrança da vó não estou obrigando a rezar. Só quero dizer que a oração é a fortaleza da nossa existencia. É onde se encontra a paz. Não que agente só tenha paz mas se vier algo que desanime agente tem de olhar para o crucifico de Cristo como ele morreu




Vó Maria sapeca...


Vó Maria bordadeira...



A sua alegria e fé é para mim é um duplo mistério. Não a sua fé em particular, nem a sua ligação com a alegria, e como ela articulou ambas, mas a fé no geral, e aquele mistério de acordar todos os dias alegre, com aquela sensação de ter uma folha em branco para escrever, e sem a angustia de a preencher. Não a ligação entre ambas, que certamente existirá, mas de onde vem a fé?... será um recurso de sobrevivência?... e especialmente a forma como espraiava a alegria, não ostensiva, com uma certa constância e naturalidade, e não foi certamente porque a vida fosse fácil.

É a forma como passamos pelas dificuldades da vida, como as ultrapassamos e o que fica delas: as cicatrizes, os medos, o fechar sobre si mesmo, a desconfiança e a inveja, tudo o que nos torna mesquinhos e amargos, ou pelo oposto, a reagir no excesso quando se tem, ou se promove aquilo que se não teve, e que na abundância, leia-se excesso, se julga encontrar... a felicidade.

É um equilíbrio delicado que a sorte de cada um dita, o destino como se diz, mas também, e muito, a resiliência de cada um, que também se constrói no meio do caos, quer da abundância, quer da escassez. Não é a mesma coisa ter ou não ter um braço, certamente isso altera o curso da vida, fica mais difícil, mas se ficar amargo, fechado, mais dificil ainda fica. Por vezes são esses choque que nos abrem os olhos, e nos fazem superar a nós mesmo, por vezes nem damos por isso, carregamos o fardo... andamos entre o sucumbir e o progredir.

Completou 99 voltas ao Sol, chegou ao elemento químico Einstênio, no dia de... e tantas outras coisas, mas o que importa, e é supreendente, é que são 99 voltas de coerência, é obra. Testemunho dado, dever cumprido.

A...deus vó Maria.

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P.S.
A Solidão dos Moribundos, de Norbert Elias;
Ser Mortal, de Atul Gawande.

domingo, 8 de novembro de 2015

Cinco já passaram.

Tudo gira em torno da temperatura... a do carro, a do corpo, a da Terra... se ela dá sinais de aumentar algo não está bem, é preciso perceber o que está a acontecer e atuar, não deixar chegar ao limite das consequências, irreversíveis ou não.


Onde estão as fronteiras?

Somos cada vez mais, mas com tendência para abrandar, moldados pela evolução cultural, que se vai sobrepondo à biológica. O bem-estar definido e materializado a Ocidente, que usa muitos recursos, de forma cada vez mais eficiente, mas que gasta muitos recursos, transmutados nos mais variados consumos crescentes, efetivados e ambicionados (a oriente e a sul).

Feitas as "contas", e elas já foram feitas em 1972 (The Limits to Growth), e olhando novamente para elas (A Comparison of `The Limits to Growth` with Thirty Years of Reality), dá para perceber que não estamos numa trajetória sustentável. Os recursos que não chegam, a temperatura que aumenta, um novo equilíbrio que se "desenha", e que nos pode ser desfavorável, e não temos outro lugar para onde ir, e como ir. A ameaça é tanto maior quanto maior é a nossa dependência: total, não conseguimos sobreviver fora da Terra.

As alterações climáticas estão a acontecer.

Cinco reequilíbrios já passaram.



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P.S.