sábado, 26 de setembro de 2015

Teens na tabela.

Ontem foi a vez da chegada de um teenager cá a casa, e no dia anterior uma teenager, noutra casa, e outros mais que foram acontecendo ao longo deste ano, e não ficamos por aqui. É mais uma etapa importante da vida, na vida de cada um de nós, mas desta fica sempre um sabor especial, que certamente contrastará com todas as outras. Há até quem queira "andar sempre por aqui", nesse tempo, só que o tempo não pára.

O tempo dos teens é dos teens, e o nosso tempo cultiva muito este tempo, mas na ambiguidade, basta olhar para a publicidade. Não é só uma questão estatística, o número de consumidores que urge arrebanhar nesta faixa etária, mas também os outros que "andam por aqui": o mito do eternamente jovem, o irreverente, a sexualidade à flor da pele, o revolucionário, o artista naïf, o intelectual despenteado ou o cientista maluco, excentricidades de "tempos mal resolvidos".

Mas ser teen é giro. Recorda-me "Os Pequenos Vagabundos", agora a cores no início dos anos 80, e que já tinha visto a preto e branco, na televisão (ao final de sábado a Marion-de-Neiges era a menina mais linda do mundo, e eu suspirava pela Nazaré), a mudança de escola, novinha em folha, e com arquitetura "espacial", foi de minha autoria o seu primeiro emblema (Escola Secundária de Benfica), o estar em segundo lugar na lista dos rapazes mais giros da turma, e também no braço de ferro, o sofrer pela Dina, desenhar a lápis (Palácio da Pena e brasão de Sintra eram os temas preferidos), o verão e a praia (Portinho da Arrábida e Praia das Maçãs), que raramente tive por ter de trabalhar, a liberdade da terrana aldeia dos meus avós. A viagem em si, a passagem por Santarém, Abrantes, e a vista do Castelo de Almourol (nunca paramos, só em adulto o visitei... é uma mágoa), o chegar de noite, sem energia elétrica, os banhos no tanque, e os tempos gloriosos da leitura de "A Civilização do Renascimento Italiano", ao som de "Thundering Hearts" do John Cougar, ou o rasgar estridente do Kai Hansen Manso numa guitarra elétrica.

Esta mensagem era para ter começado com uma alusão à Tabela Periódica, números atómicos do 13 ao 19, a terminação teen dos numerais em inglês, que simplifica e se entende, em vez do "palavrão" adolescente, e ao mesmo tempo o que mais precioso me ficou desse tempo, e para sempre: o prazer da descoberta, o gosto pelo conhecimento.

Para o teen cá de casa deixo... Autobiografia Charles Darwin (Apresentação).

Para a teen da outra casa deixo... A verdadeira história do chocolate.

Para os outros teen... Darwin Day (é para colar na parede).

Para sempre Galapiat, em jeito de epitáfio, com "Thundering Hearts" a ressoar na minha cabeça. É o meu lado teen :)

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P.S. A tarde de ontem (26/9) revelou uma grande surpresa: as estórias do Luís Martins, contadas por ele na visita guiada à exposição temporária "Artes de Pesca. Pescadores, normas, objetos instáveis" (Museu Nacional de Etnologia). Momentos de partilha, na simplicidade de quem viveu e sabe, com aquele brilho nos olhos, o sotaque, os gestos, a postura, e uma pressa sem pressa. Obrigado Luís Martins.






domingo, 13 de setembro de 2015

Uma ponta... pontas... o fim...

Vou tentar reconstruir um labirinto. O semanal e seminal convivio comigo mesmo tem sido vertido aqui, no entanto desde agosto que esta cadência se alterou, por força de imprevistos e canseiras, mas na cabeça tudo vai fervilhando e alinhavando, à medida que os meus interesses, principalmente leitura, paisagens e pessoas, tudo mais ou menos junto, em simultâneo ou desfasado, mas que vão passando. E assim de uma ponta, não atada, outras pontas apareceram, novamente não atadas (presas na escrita), e o resultado é por onde pegar?

Esta manta de retalhos começa com o artigo 'Condição humana', de João Pereira Coutinho, na revista Domingo (jornal Correio da Manhã de 30 de agosto de 2015). (AQUI)
... Mas tirando um texto longo (e excelente) de Joana Emídio Marques, (AQUI)
... o que existe é uma “serenidade terminal” (bela expressão), só possível quando a doença apagou até os instrumentos emocionais mais básicos, como o reconhecimento dos objectos banais e a simples empatia humana.
... dois anos depois, é escrita esta viagem ao mundo da “desmemoria”. 'De Profundis, Valsa Lenta' pode ser, como escreve João Lobo Antunes em excelente prefácio, um contributo raro e inestimável para as ciências neurológicas. Mas para nós, leitores comuns, o testemunho de Cardoso Pires é uma aula de escrita - e uma meditação “lenta”, como a ‘Valsa’ do título, sobre a fragilidade humana. Ler ou reler Cardoso Pires é brindar a essa fragilidade com um sorriso - e um “fio de música”.

Entretanto, e porque tinha passado pelo Portinho da Arrábida, dou comigo a ler, puro acaso, 'No sexto aniversário da minha morte' de João Bénard da Costa.

O último parágrafo do link anterior é delicioso, desde o «fora da agenda», aprecio e cultivo, e «Nunca os consigo ler em papel (no ecrã). Imprimo o texto (na versão on-line) e leio depois», também me acontece o mesmo, como ao Pedro Mexia. (gralha a rosa, a minha correção a verde).





Entretanto descubro que Oliver Sacks morreu. Fui sempre adiando a compra e a leitura dos seus livros, não sei porquê... o impulso de ir, mas o passo em frente que não foi dado, e que agora se concretiza, depois da leitura do artigo 'Oliver Sacks, autor de Despertares, adormeceu para sempre'. Acabei de encomendar a sua autobiografia.
... vida multifacetada do médico que pôs a pessoa no centro da narrativa médica e explicou ao mundo as doenças mais paradoxais do cérebro humano. 
... cruzamento único que Sacks inventou entre a neurologia e a arte de contar, motivado pelo seu amor pelos seus doentes.
“Sacks contribuiu para humanizar uma série de estranhas perturbações neurológicas – e, em certa medida, tornou naturais bizarros sintomas tais com os tiques e os tremores dos doentes”, disse ao PÚBLICO por email o conhecido neurocientista português António Damásio. “Fez os leitores perceber que, por detrás da estranheza dessas manifestações, há também uma pessoa que pensa e que sente. Essa foi um feito notável, conseguido por Sacks ao longo de décadas de escrita incessante.”
Sacks escrevia com uma humanidade e uma empatia sem iguais (já para não falar da sua mestria literária e científica) sobre as patologias neurológicas mais bizarras. E tinha sempre coisas profundas e emocionantes a dizer sobre a luta dos doentes com as suas trágicas doenças, descrevendo como ninguém os mistérios do mais misterioso dos órgãos que é o cérebro humano.
... “[Sacks] nunca faz o leitor sentir-se um voyeur; a sua abordagem é subtil, e o que emerge de todo o seu trabalho é o seu respeito pelos seus sujeitos. Parece amar os seres humanos (…). Não ama a humanidade em abstracto, mas admira e aprende com cada indivíduo, não importa o quão devastado [pela doença]”.
... Histórias fascinantes e ao mesmo tempo angustiantes, uma vez que mostram a fragilidade do mundo perceptual construído pelo nosso cérebro – do nosso único elo com o mundo que nos rodeia. 
... “Todos os médicos aspiram a ser um pouco como Sacks (…) pela sua óbvia humanidade e pela sua escrita sublime, que vai ao âmago do que significa ser humano e frágil”, 
... A seguir, com a sua habitual sensibilidade, acrescentava:  “[Sinto-me] intensamente vivo [e espero que, no tempo que meresta], aprofundar as minhas amizades, dizer adeus às pessoas que amo, escrever mais, viajar se tiver forças para isso, atingir maiores níveis de compreensão e de perspicácia.” 
E mais à frente, como que se desculpava: “Ainda me importo profundamente com o Médio Oriente, com o aquecimento global, com as desigualdades crescentes, mas essas coisas já não me dizem respeito; pertencem ao futuro.” Confessava ainda:  “[Não posso] fingir que não tenho medo”, mas acrescentava logo: “O meu sentimento predominante é de gratidão.” E concluía: “Acima de tudo, fui um ser que sente, um animal que pensa, neste maravilhoso planeta, e isso foi só por si um enorme privilégio e uma enorme aventura.”

Ontem, ao final da manhã na Praia das Maçãs, li 'The Joy of Old Age. (No Kidding.)', 'My Own Life' e 'Mishearings'. Há mais para ler AQUI.

E de tantos entretantos, o entretanto de ontem para finalizar, descoberto no prefácio escrito pelo  neurocirurgião João Lobo Antunes para o livro 'Ser Mortal':
Seja-me permitida mais uma nota pessoal, mas a leitura é assim, pois um livro bom está aberto a que lhe acrescentemos outros parágrafos! Meu pai morreu há 10 anos, e enquanto minha mãe foi viva, a biblioteca que construíra e que vigiava com zelo feroz, manteve-se quase intacta. Minha  mãe morreu há pouco. Agora, filhos e netos (muitos) foram esvaziando as prateleiras, conforme as suas preferências intelectuais ou os seus interesses académicos. Porque descobrira um livro que, pensei, seria muito do gosto da minha filha mais velha, telefonei-lhe a dar-lhe conta disso. Passados minutos mandou-me o seguinte SMS: «É bom fazer parte de uma família em que os livros são tão preciosos como as jóias.»  
Este livro sobre o qual escrevi estas palavras ficará na minha Biblioteca, esperando que um dia alguém o leve... como jóia.

Dou por terminada a manta de retalhos, e descubro que andei ás voltas sobre o fim.


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P.S.

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobras de tempo.

Uma ausência, que não é de férias, mais parece antiférias, como a antimatéria, o oposto de um certo continuum, picotado relâmpago, ou rasgo de luz muito breve, por vezes violento e doloroso, ou calmo e prazeroso, mas de tão breve que passa, a dor e tudo o resto.

Neste rasgo de ausência, o meu continuum foi feito de obstáculos, que se foram vencendo é certo, mas à custa dos meus poucos rendilhados de luz, como o estar aqui, uma pausa que se inala ou se escuta, desenhar no olhar a linha do horizonte a quatro olhos, ou um poema que se lê ao deitar, quando o corpo exausto não é apenas «cadáver adiado que procria».

Dando espaço à perspetiva, não é muito diferente do que se passa numa vida, no entanto é preciso ter cuidado, o que passa pode ser nosso, e o que se nos vai passando?...

Ontem foi um resumo de rendilhados de luz, assim...

Guarda que bella...




Rumo
Autorretrato


Gentileza
Momento
O resto já passou, mas é bom que se não passe (que não se repita, a perda de tempo).

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P.S. Quarenta e duas voltas ao Sol, parabéns Cármen. O teu presente...

Texto retirado da Revista Gulbenkian Descobrir Março a Setembro 2015.

Foto-composição minha, que andou em bolandas, e que teve vários inícios, desde "O prato", "O que me mantém", e agora é tua.

domingo, 2 de agosto de 2015

O meu culto do chá.

É o momento, de preparar e beber, a pausa, a cadência, não cronometrada, interiorizada, o início ou o fim (do dia), uma certa noção de equilíbrio, acompanhado de pensamentos, palavras, cumplicidades,... sem pressa. No meu caso bastam 20 minutos para tudo isto.

Começa com a escolha do chá, preto ou verde, o resto são infusões, não são chá. Ambos da mesma planta, camellia sinensis, diferem apenas no processo de secagem das folhas (oxidação).





Os meus preferidos estão na imagem, bem como os utensílios que uso. Chá verde por enquanto só o "híbrido" Lemon Macaroon da Lipton, em saqueta piramidal (por isso não está na foto), e ao final do dia.

Como escolho?... no começo do dia o "rafeiro" Lipton ou o ambarino Ceylon, quase sempre a escolha é entre os dois, mas por vezes apetece-me o No. 1, um mitigado Earl Grey, que por vezes também apetece ao final do dia.






A água, parte importante desta relação, deve ser escolhida e tratada com esmero, Luso e Evian são as minhas preferidas, e nunca as deixo ferver. Quando começa um impercetível libertar de vapor, a fazer bolinhas, sem deixar "rosnar", está no tempo de apagar o lume e colocar o saquinho, uma invenção norte-americana, é aqui que o meu lado prático se sobrepõe a tudo o resto (também sou assim). A imersão deste dura cerca de 3 minutos, a cor âmbar vai-se definindo, intervalada por duas a três espreitadelas.





Vertido para a chávena, confirma-se a cor, o cheiro não muito intenso, e o açúcar fica por último. Uma colherinha só na primeira chávena, das duas feitas com o mesmo saquinho. Sabe-me melhor começar com um leve doce, e depois ficar só com o sabor do chá.





Ambas são temperadas com leite, fica "veludo" (não adstringente) no paladar, e a cor "aconchegante" (a superfície serena), e está pronto o presente (momento) que sorvo.





Tudo é feito por "cabotagem", a tentativa e erro que afina cor e paladar. Também gosto de cheirar o resultado final, uma a duas vezes por chávena.

Ainda não consigo preparar para ficar calmo, faço porque estou calmo, ou porque estou cansado, em que já não penso em nada, e fico só num esforço mínimo que me garante no final desfrutar e aconchegar... tão bom!... deixo de estar prostrado, a caminho do iluminado?... não creio, é apenas a rima, o brincar com as palavras. O meu culto do chá é assim, adjetivo e não nome.

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P.S. 



domingo, 19 de julho de 2015

O casamento de Sebastião...

... da Gama.


Foi no princípio dos anos 90 que descobri Sebastião da Gama, através de um memorial que existe no Portinho da Arrábida, antes de chegar à curva apertada que leva à entrada do forte, e da qual se vislumbra uma bela vista sobre a baía do Portinho.

Não sei se foi nesse dia, provavelmente não, que ouvi pronunciar a uma jovem turista italiana para o seu acompanhante, olhando para a baía, mais ou menos no local onde está o Sebastião na foto: guarda que bella...


Sebastião da Gama O Poeta Ingénuo - Revista Flama N.º 1057 de 7 de junho de 1968_P18-19

Hoje fui ver o Diário, e encontrei a data em que este episódio aconteceu: 14 de agosto de 1994. Os livros são o meu hábito, e neles anoto o que me marca. Já lá vão 21 anos.

E foi o princípio da entrada do Sebastião na minha vida. Na segunda-feira, de regresso do trabalho, passei por uma livraria, talvez a Castil do Fonte Nova, procurei o que tinham sobre o Sebastião, e a minha descoberta começou pelo Diário... continuou com Serra-Mãe, onde se encontra o Pequeno Poema, que também consta no memorial do Portinho da Arrábida, e foi crescendo e continua comigo, para sempre até que chegue o fim. O primeiro presente que ofereci à Roberta foi, como não podia deixar de ser, o Diário de Sebastião da Gama.

Quem foi e o que fez Sebastião da Gama podem descobrir aqui, neste pequeno resumo feito pela sua esposa, Joana Luísa da Gama (o melhor será gravar o ficheiro para o vosso computador e imprimir, e não esqueçam de ler as notas).


Pequena biografia de Sebastião da Gama, in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013_COM_NOTAS

Toca-me, muito, o exemplo de vida do Sebastião, simplificando: gostar da vida, da natureza, das pessoas, não se deixar abater pelas agruras... e tudo isto se consubstância na sua poesia clara, sentida, solar, vivida.

Um exemplo, o seu casamento...


... e casei-me de ramo de alecrim!, in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013


Sebastião da Gama O Poeta Ingénuo - Revista Flama N.º 1057 de 7 de junho de 1968_P21

E segue pela poesia... é para ler Manuela e Tiago :)


Poema Sinal de Sebastião da Gama, in Pelo Sonho é Que Vamos, 2.ª edição de abril de 1971

aqui a explicação do poema... é para descobrir Manuela e Tiago :)


«Sinal», in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013

E isto tudo tem a ver, é o dia do vosso casamento :) 

Era para mudar o cabeçalho do blogue, mas continua, tem tudo a ver :)

Momentos importantes o Sebastião está sempre presente, tem tudo a ver :)

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P.S.

domingo, 12 de julho de 2015

No rasto da cruz.


É um seguimento de mensagem anterior, e o porquê da escolha das fotos da cruz, com tanto tema de interesse numa visita ao Palácio da Pena. De certa forma foi um acaso premeditado, dei de caras com ela ao ler o meu livro (Monografia do Parque da Pena - Estudo Dendrológico-Florestal de Mário de Azevedo Gomes, 1.ª edição 1960) "torna-viagem" (fica para uma próxima mensagem a explicação deste termo, e a estória a ele associado), enquanto aguardava a entrada no palácio, e que podem ler de seguida (clicar nas duas imagens seguintes e ler o que está marcado a verde):




Provavelmente quando se chega ao palácio não damos por ela, mas está lá, aconteceu comigo no passado, até ao dia em que li, e por acaso estava perto para confirmar. E assim surgiram as fotografias da cruz.

Toda a envolvente sobrecarregada, eclética, não facilita, é o desnorte total, e depois aquela ansiedade de fotografar tudo, acabamos por não ver nada. Com o tempo fui aprendendo, há que desfrutar o lugar e o momento, não ter a pertensão de "ver" tudo, e se um pormenor nos chama a atenção porque não demorar um pouco mais. Tudo fica mais facilitado se pudermos voltar, ou pelo menos ter isso em mente. Se não puder ver tudo hoje voltarei outro dia, hoje tenho uma determinada sensibilidade e ou interesse, amanhã terei outra. Nas palavras do Professor José d'Encarnação a visita fica assim:



Sintra, a sedução e o mistério_José d'Encarnação_Palácio da Pena_P25
Sintra, a sedução e o mistério_José d'Encarnação_Palácio da Pena_P26-27

Em cima do acontecimento, e nos dias imediatamente subsequentes, no deslumbramento, é natural que queiramos saber mais, no meu caso ler e pensar sobre o assunto, estabelecer ligações, e assim se abrem novas janelas. Por exemplo a nota (1) levou-me este sábado ao Cemitério dos Prazeres, e no domingo de manhã a procurar, nos meus postais, livros e fotografias, a Cruz Alta. Eis parte do que encontrei:


A seta vermelha aparece no postal, não sei qual o significado. Observem a cruz gateada (ler texto inicial marcado a verde).


Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra_Tude de Sousa_1.ª edição 1950_P78-79

Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra_Tude de Sousa_1.ª edição 1950_P80-81

Roteiro lírico de Sintra_Oliva Guerra_2.ª edição 1967_P26-27


As minha fotos da Cruz Alta, tiradas em agosto de 2009.




Nesta descoberta, o jazigo da Condessa d'Edla, projeto do arquiteto Raul Lino, foi a grande surpresa. Pela originalidade do jazigo em si, não há outro igual no Cemitério dos Prazeres, um pedaço da Serra de Sintra, feito de um amontoado de granitos, ladeados por dois cedros e uma giesta atrás, e no topo a cruz, que foi o meu pretexto da visita. Melhor sorte teve Ferreira de Castro, que na Serra está sepultado; sorte que também gostaria de ter, nu na terra, renascido em árvore, perdido para sempre. Se todos fizessem o mesmo seria complicado arranjar espaço na Serra... uma grande confusão/poluição. Cremação é mais "higiénico", mas tenho as minhas dúvidas. A outra surpresa é o cemitério em si, tem um museu, que ainda não visitei (voltarei certamente), mais acasos em que tropeçei, e uma bela vista sobre o Tejo. Esta primeira visita foi estonteante. Tenho que voltar, ficou tanta coisa para ver e pensar. E como será no inverno? Ontem não foi deprimente.





Falta juntar uma terceira cruz, esta por minha iniciativa e curiosidade. Está na Igreja Matriz de São João das Lampas, concelho de Sintra. Mais tosca e desgastada, revela no entanto a mesma forma entrelaçada, simples e não dupla, e encontra-se numa igreja que tem um pórtico manuelino. Será a mais antiga de todas, e a precursora deste tipo de cruz? Ou será uma cópia saloia (popular) de uma antiga cruz manuelina? Tentei encontrar fotos e ou gravuras antigas da igreja para ver se aparecia a cruz, bem como gravuras do Mosteiro de Nossa Senhora da Pena de Sintra, mas não encontrei... por agora.





Falta por fim olhar para a cruz, a sua forma e o seu significado. São dois pares de cordas/troncos/ramos entrelaçadas, seguras por cravos, dispostos de forma não simétrica, ao sabor das necessidades. Será interessante tentar reproduzir a forma usando cordas, o que ainda não fiz, e tentar perceber as dificuldades na sua concretização e o fluir da forma. Qual o seu significado?... inventando, intuindo: vidas entrelaçadas, as duas faces, dores cravejadas, tudo isto nos mantém de pé... por enquanto (a explicação). Tentem a vossa, e tentem fazer a cruz com cordas.

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P.S.




DISPERSOS:

domingo, 5 de julho de 2015

Procuro Conselheiro Segurado.

PROCURO
Conselheiro Segurado


Nome completo, data e local de nascimento e morte, o que fez de relevante na vida e qual a sua ligação a Sintra, para além de ter nome de rua na vila, que fica AQUI. Juntar todas as fontes consultadas, bem como imagens do Conselheiro, ou com ele relacionadas (se existirem).

DOU RECOMPENSA

Almoço para uma pessoa, em restaurante a escolher, de comum acordo, no concelho de Sintra, com o autor deste blogue. As respostas devem ser enviadas por e-mail para melancoliacomum@gmail.com, até 30 de setembro de 2015. Ganha o prémio quem primeiro enviar a resposta correta, que será publicada neste blogue, no seguimento desta mensagem.

Por esta rua tenho passado, e continuo a passar, várias vezes por semana, ao longo dos anos, descendo (só tem um sentido de trânsito), pois raramente faço o percurso a pé, mas só há cerca de dois anos olhei para o nome da rua, e fiquei curioso em saber quem seria o Conselheiro Segurado. Fácil pensei, quando chegar a casa o Google terá a resposta, mas tal não aconteceu. O nome da rua aparece facilmente, em várias entradas, mas nada que me possa levar a descobrir quem foi o Conselheiro Segurado. Tentei várias combinações de palavras, com ou sem aspas, com sinal de mais entre palavras, juntar palavras relacionadas, por exemplo, monarquia, séc. XIX, Eça de Queirós, D. Carlos, e finalmente outros motores de busca, mas não consegui nada de relevante. Também pesquisei na minha biblioteca e na Hemeroteca Digital, e nada, continuo sem saber quem foi o Conselheiro Segurado. Eis a razão de ser deste PROCURO.

É uma rua curta e ingreme, que começa na Praça da República, perto do Hotel Tivoli, no local existiu o Hotel Nunes, que foi demolido para a construção deste. Ainda me recordo da sua construção, e o estilo kitsch, tipo pato-bravo, que perdura, e as eternas ruínas do Hotel Netto, que marcam o início desta rua. Movimentada, turistas e gente jovem, pois no seguimento desta, a Rua Soto Maior (Sotto Mayor), podemos encontrar um estabelecimento de hospedagem, a Casa de São Miguel Guest Houseum hostel, o Nice Way Sintra Palace, e uma unidade de turismo de habitação, a Casa Miradouro, bem como uma escola (fechada?), uma casa em ruínas (mais uma), que também foi uma antiga escola, e um chafariz.

Mas a Conselheiro Segurado tem os seus encantos, como esta vista, no final, descendo e olhando para a esquerda...

Quinta da Regaleira como centro, uns passos em frente e temos a Quinta do Relógio,  uns passos subindo a Villa Roma. Tudo pertinho, mais do que na foto transparece.

que está lá, mas sempre diferente consoante a hora ou a estação do ano, e o passar das gentes, mais efémero e diverso, que suscitou breves e desajeitadas palavras...

VESTIDINHO DE VERÃO

Em corpo feito, delicado,
cintado.
Às bolinhas ou com florzinhas,
arejado.
Fundo claro ou escuro,
na tez combinado ou contrastado.

Lindo, linda, lindas.

Se o perfume passa perto,
é momento de sublimação,
senão, fica só na imaginação.

16/9/2014 Pela manhã, descendo-subindo a Conselheiro Segurado.

E assim se faz a minha Conselheiro Segurado, estreita e sombria, entre o kitsch à esquerda e a ruína à direita, difícil, mas também alegre e jovial, com rasgos de luz e horizonte, e onde a beleza acontece, improvável, mas acontece.

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P.S. Ontem, "À noite em Sintra", tive, tivemos, a vossa companhia MCBG (junção das primeiras letras dos vossos nomes), um pedaço de dia/vida bem passado. É o que fica e o que importa.

A cruz perdida na multidão.
A cruz sozinha na multidão.
A sombra, cavaleiro na imaginação.

Quem conhece gosta mais, e com outro sabor, para vós MCBG :)