domingo, 19 de julho de 2015

O casamento de Sebastião...

... da Gama.


Foi no princípio dos anos 90 que descobri Sebastião da Gama, através de um memorial que existe no Portinho da Arrábida, antes de chegar à curva apertada que leva à entrada do forte, e da qual se vislumbra uma bela vista sobre a baía do Portinho.

Não sei se foi nesse dia, provavelmente não, que ouvi pronunciar a uma jovem turista italiana para o seu acompanhante, olhando para a baía, mais ou menos no local onde está o Sebastião na foto: guarda que bella...


Sebastião da Gama O Poeta Ingénuo - Revista Flama N.º 1057 de 7 de junho de 1968_P18-19

Hoje fui ver o Diário, e encontrei a data em que este episódio aconteceu: 14 de agosto de 1994. Os livros são o meu hábito, e neles anoto o que me marca. Já lá vão 21 anos.

E foi o princípio da entrada do Sebastião na minha vida. Na segunda-feira, de regresso do trabalho, passei por uma livraria, talvez a Castil do Fonte Nova, procurei o que tinham sobre o Sebastião, e a minha descoberta começou pelo Diário... continuou com Serra-Mãe, onde se encontra o Pequeno Poema, que também consta no memorial do Portinho da Arrábida, e foi crescendo e continua comigo, para sempre até que chegue o fim. O primeiro presente que ofereci à Roberta foi, como não podia deixar de ser, o Diário de Sebastião da Gama.

Quem foi e o que fez Sebastião da Gama podem descobrir aqui, neste pequeno resumo feito pela sua esposa, Joana Luísa da Gama (o melhor será gravar o ficheiro para o vosso computador e imprimir, e não esqueçam de ler as notas).


Pequena biografia de Sebastião da Gama, in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013_COM_NOTAS

Toca-me, muito, o exemplo de vida do Sebastião, simplificando: gostar da vida, da natureza, das pessoas, não se deixar abater pelas agruras... e tudo isto se consubstância na sua poesia clara, sentida, solar, vivida.

Um exemplo, o seu casamento...


... e casei-me de ramo de alecrim!, in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013


Sebastião da Gama O Poeta Ingénuo - Revista Flama N.º 1057 de 7 de junho de 1968_P21

E segue pela poesia... é para ler Manuela e Tiago :)


Poema Sinal de Sebastião da Gama, in Pelo Sonho é Que Vamos, 2.ª edição de abril de 1971

aqui a explicação do poema... é para descobrir Manuela e Tiago :)


«Sinal», in Estala de Saudade o Coração, de Joana Luísa da Gama, 1.ª edição de 2013

E isto tudo tem a ver, é o dia do vosso casamento :) 

Era para mudar o cabeçalho do blogue, mas continua, tem tudo a ver :)

Momentos importantes o Sebastião está sempre presente, tem tudo a ver :)

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P.S.

domingo, 12 de julho de 2015

No rasto da cruz.


É um seguimento de mensagem anterior, e o porquê da escolha das fotos da cruz, com tanto tema de interesse numa visita ao Palácio da Pena. De certa forma foi um acaso premeditado, dei de caras com ela ao ler o meu livro (Monografia do Parque da Pena - Estudo Dendrológico-Florestal de Mário de Azevedo Gomes, 1.ª edição 1960) "torna-viagem" (fica para uma próxima mensagem a explicação deste termo, e a estória a ele associado), enquanto aguardava a entrada no palácio, e que podem ler de seguida (clicar nas duas imagens seguintes e ler o que está marcado a verde):




Provavelmente quando se chega ao palácio não damos por ela, mas está lá, aconteceu comigo no passado, até ao dia em que li, e por acaso estava perto para confirmar. E assim surgiram as fotografias da cruz.

Toda a envolvente sobrecarregada, eclética, não facilita, é o desnorte total, e depois aquela ansiedade de fotografar tudo, acabamos por não ver nada. Com o tempo fui aprendendo, há que desfrutar o lugar e o momento, não ter a pertensão de "ver" tudo, e se um pormenor nos chama a atenção porque não demorar um pouco mais. Tudo fica mais facilitado se pudermos voltar, ou pelo menos ter isso em mente. Se não puder ver tudo hoje voltarei outro dia, hoje tenho uma determinada sensibilidade e ou interesse, amanhã terei outra. Nas palavras do Professor José d'Encarnação a visita fica assim:



Sintra, a sedução e o mistério_José d'Encarnação_Palácio da Pena_P25
Sintra, a sedução e o mistério_José d'Encarnação_Palácio da Pena_P26-27

Em cima do acontecimento, e nos dias imediatamente subsequentes, no deslumbramento, é natural que queiramos saber mais, no meu caso ler e pensar sobre o assunto, estabelecer ligações, e assim se abrem novas janelas. Por exemplo a nota (1) levou-me este sábado ao Cemitério dos Prazeres, e no domingo de manhã a procurar, nos meus postais, livros e fotografias, a Cruz Alta. Eis parte do que encontrei:


A seta vermelha aparece no postal, não sei qual o significado. Observem a cruz gateada (ler texto inicial marcado a verde).


Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra_Tude de Sousa_1.ª edição 1950_P78-79

Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra_Tude de Sousa_1.ª edição 1950_P80-81

Roteiro lírico de Sintra_Oliva Guerra_2.ª edição 1967_P26-27


As minha fotos da Cruz Alta, tiradas em agosto de 2009.




Nesta descoberta, o jazigo da Condessa d'Edla, projeto do arquiteto Raul Lino, foi a grande surpresa. Pela originalidade do jazigo em si, não há outro igual no Cemitério dos Prazeres, um pedaço da Serra de Sintra, feito de um amontoado de granitos, ladeados por dois cedros e uma giesta atrás, e no topo a cruz, que foi o meu pretexto da visita. Melhor sorte teve Ferreira de Castro, que na Serra está sepultado; sorte que também gostaria de ter, nu na terra, renascido em árvore, perdido para sempre. Se todos fizessem o mesmo seria complicado arranjar espaço na Serra... uma grande confusão/poluição. Cremação é mais "higiénico", mas tenho as minhas dúvidas. A outra surpresa é o cemitério em si, tem um museu, que ainda não visitei (voltarei certamente), mais acasos em que tropeçei, e uma bela vista sobre o Tejo. Esta primeira visita foi estonteante. Tenho que voltar, ficou tanta coisa para ver e pensar. E como será no inverno? Ontem não foi deprimente.





Falta juntar uma terceira cruz, esta por minha iniciativa e curiosidade. Está na Igreja Matriz de São João das Lampas, concelho de Sintra. Mais tosca e desgastada, revela no entanto a mesma forma entrelaçada, simples e não dupla, e encontra-se numa igreja que tem um pórtico manuelino. Será a mais antiga de todas, e a precursora deste tipo de cruz? Ou será uma cópia saloia (popular) de uma antiga cruz manuelina? Tentei encontrar fotos e ou gravuras antigas da igreja para ver se aparecia a cruz, bem como gravuras do Mosteiro de Nossa Senhora da Pena de Sintra, mas não encontrei... por agora.





Falta por fim olhar para a cruz, a sua forma e o seu significado. São dois pares de cordas/troncos/ramos entrelaçadas, seguras por cravos, dispostos de forma não simétrica, ao sabor das necessidades. Será interessante tentar reproduzir a forma usando cordas, o que ainda não fiz, e tentar perceber as dificuldades na sua concretização e o fluir da forma. Qual o seu significado?... inventando, intuindo: vidas entrelaçadas, as duas faces, dores cravejadas, tudo isto nos mantém de pé... por enquanto (a explicação). Tentem a vossa, e tentem fazer a cruz com cordas.

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P.S.




DISPERSOS:

domingo, 5 de julho de 2015

Procuro Conselheiro Segurado.

PROCURO
Conselheiro Segurado


Nome completo, data e local de nascimento e morte, o que fez de relevante na vida e qual a sua ligação a Sintra, para além de ter nome de rua na vila, que fica AQUI. Juntar todas as fontes consultadas, bem como imagens do Conselheiro, ou com ele relacionadas (se existirem).

DOU RECOMPENSA

Almoço para uma pessoa, em restaurante a escolher, de comum acordo, no concelho de Sintra, com o autor deste blogue. As respostas devem ser enviadas por e-mail para melancoliacomum@gmail.com, até 30 de setembro de 2015. Ganha o prémio quem primeiro enviar a resposta correta, que será publicada neste blogue, no seguimento desta mensagem.

Por esta rua tenho passado, e continuo a passar, várias vezes por semana, ao longo dos anos, descendo (só tem um sentido de trânsito), pois raramente faço o percurso a pé, mas só há cerca de dois anos olhei para o nome da rua, e fiquei curioso em saber quem seria o Conselheiro Segurado. Fácil pensei, quando chegar a casa o Google terá a resposta, mas tal não aconteceu. O nome da rua aparece facilmente, em várias entradas, mas nada que me possa levar a descobrir quem foi o Conselheiro Segurado. Tentei várias combinações de palavras, com ou sem aspas, com sinal de mais entre palavras, juntar palavras relacionadas, por exemplo, monarquia, séc. XIX, Eça de Queirós, D. Carlos, e finalmente outros motores de busca, mas não consegui nada de relevante. Também pesquisei na minha biblioteca e na Hemeroteca Digital, e nada, continuo sem saber quem foi o Conselheiro Segurado. Eis a razão de ser deste PROCURO.

É uma rua curta e ingreme, que começa na Praça da República, perto do Hotel Tivoli, no local existiu o Hotel Nunes, que foi demolido para a construção deste. Ainda me recordo da sua construção, e o estilo kitsch, tipo pato-bravo, que perdura, e as eternas ruínas do Hotel Netto, que marcam o início desta rua. Movimentada, turistas e gente jovem, pois no seguimento desta, a Rua Soto Maior (Sotto Mayor), podemos encontrar um estabelecimento de hospedagem, a Casa de São Miguel Guest Houseum hostel, o Nice Way Sintra Palace, e uma unidade de turismo de habitação, a Casa Miradouro, bem como uma escola (fechada?), uma casa em ruínas (mais uma), que também foi uma antiga escola, e um chafariz.

Mas a Conselheiro Segurado tem os seus encantos, como esta vista, no final, descendo e olhando para a esquerda...

Quinta da Regaleira como centro, uns passos em frente e temos a Quinta do Relógio,  uns passos subindo a Villa Roma. Tudo pertinho, mais do que na foto transparece.

que está lá, mas sempre diferente consoante a hora ou a estação do ano, e o passar das gentes, mais efémero e diverso, que suscitou breves e desajeitadas palavras...

VESTIDINHO DE VERÃO

Em corpo feito, delicado,
cintado.
Às bolinhas ou com florzinhas,
arejado.
Fundo claro ou escuro,
na tez combinado ou contrastado.

Lindo, linda, lindas.

Se o perfume passa perto,
é momento de sublimação,
senão, fica só na imaginação.

16/9/2014 Pela manhã, descendo-subindo a Conselheiro Segurado.

E assim se faz a minha Conselheiro Segurado, estreita e sombria, entre o kitsch à esquerda e a ruína à direita, difícil, mas também alegre e jovial, com rasgos de luz e horizonte, e onde a beleza acontece, improvável, mas acontece.

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P.S. Ontem, "À noite em Sintra", tive, tivemos, a vossa companhia MCBG (junção das primeiras letras dos vossos nomes), um pedaço de dia/vida bem passado. É o que fica e o que importa.

A cruz perdida na multidão.
A cruz sozinha na multidão.
A sombra, cavaleiro na imaginação.

Quem conhece gosta mais, e com outro sabor, para vós MCBG :)

domingo, 28 de junho de 2015

Pessoana.


Tão limpo... o alvo base, as letras, o logotipo da editora... folheei... o que o exterior indiciava confirmou o interior... não é mais um livro de citações, as "amputações" são menos do que q.b., dito de outra forma, a prioridade é o "corpo" de onde sai a palavra chave, e fica tão fácil encontrar, de onde veio, só nos "Desassossegos" fico perdido, de como achar. No final encontrei uma pérola (deslumbramento meu, mas é coisa de nada), para mim que tinha ficado intrigado com uma pertença citação de Pessoa, daquelas que circulam por e-mail, que toda a gente reenvia, em mil e um blogues, que toda a gente copia, passa os olhos, e pensa que... ou não pensa nada... sim, eu tinha desconfiado, intrigado pesquisei, e encontrei a verdade, pois bem na página 202 também lá estava o que já sabia: pedras e castelos não "rimam" com Pessoa.

São, ainda tem a cartolina onde se encontrava exposto o falso Pessoa?

O mentor desta Pessoana é o Nuno Hipólito, que já "conhecia" de "As Mensagens da Mensagem", quando esta obra estava apenas disponível em formato digital, e que este disponibilizava gratuitamente a todos que a solicitassem.

Não conheço o Nuno, perdi a oportunidade de estar com ele na Feira do Livro de Lisboa deste ano, mais do que um autógrafo, dar dois dedos de conversa, o estar e acontecer, como pessoas que gostam de Pessoa, descobrir coisas que gravitam à volta de Pessoa e de nós próprios, outras coisas, outros nadas improváveis do acaso, ou ficar só pelo nada do autógrafo. Somos Pessoas :)

O desassombro, o despojamento do Nuno encantam-me, tão limpo ele também. No meu blogue não existe o copiar e colar (só dos links), mas abro uma exceção, eia a apresentação da sua Pessoana... eu sei que não é só tua Nuno, mas é...


«Desde pelo menos os meus 20 anos que leio Fernando Pessoa. Quando digo leio, devia dizer leio obsessivamente, visto que, depois do meu primeiro encontro com ele, nunca deixei de querer ler mais dele e sobre ele. A minha obsessão começou com a colecção de livros de bolso da Europa-América, provavelmente a menos refinada das edições de Pessoa, mas também a mais importante porque dava acesso a todos, pelo simples facto de ser barata. Cada livro custava cerca de 3 euros na altura. Sem esforço, mesmo para alguém sem grandes posses como era o meu caso, podia coleccionar um livro a cada mês; levar cada um deles para casa, anotá-lo nos transportes públicos enquanto ia para a Universidade ou para o trabalho. E foi isso que eu fiz, até ter todos os volumes. Apesar de terem passados tantos anos, os pequenos livros da Europa-América continuam a constituir a base indispensável da "minha Pessoana".
Se pudesse dizer a mim mesmo, há tantos anos, que um dia teria a oportunidade de lançar uma colecção parecida, isso iria parecer descabido e até um pouco ridículo. Este foi um sonho que nunca tive grande coragem de perseguir pela impossibilidade e que concretizou, como todos os grandes sonhos, pelo acaso. O acaso foi ter a oportunidade de publicar um livro sobre a Mensagem na mesma editora que publicou a Mensagem em 1934. Também isso me pareceu, e ainda me parece hoje em dia, como algo difícil de ter acontecido enquanto coincidência. A Parceria A. M. Pereira, apesar de antiga, a mais antiga editora em Portugal, era e é frágil, de pequena dimensão; um sonho em si mesmo que persistiu nem se sabe muito bem como através de mais de 160 anos de revoluções, crises e guerras. Há algo de belo na persistência dos sonhos, sobretudo quando não os perseguimos e somos mesmo assim alcançados por eles. Tanto no caso da Parceria como no dos meus livros, o sonho era e sempre foi, apenas existirmos. 
Desde que conheci de dentro a editora, em 2007, não me fazia sentido que eles não tivessem o Pessoa deles, que Pessoa não permeasse o catálogo e os infectasse como me infectou a mim na mesma obsessão incrível e iluminadora. Quando apresentei, em linhas vagas e quase  fora do meu próprio corpo, o projecto de uma "Colecção Pessoa" ao responsável editorial da Parceria, Carlos Cabral, num café estranho no meio de um parque estranho, perto do Estoril onde o próprio Pessoa habitava estranhamente por vezes a casa da irmã, não acreditei que fosse algo que se realizasse. Foi como contar um sonho que temos a um amigo - e o Carlos tornou-se amigo pela cumplicidade de o ouvir - mas sempre na estranheza de ser um sonho que só eu compreendia. Mais tarde o Jorge, director da Parceria juntou-se a esta trindade imaginada e tornou-se também familiar ao discurso vago do projecto, com um entusiasmo que merece reconhecimento adicional e grato. O último elemento entre nós, o Zé, responsável pelo design, fez-se quarta presença alta, como espírito que salvaguarda e conhece apenas à distância mas em mistério. 
A colecção será, como o Carlos, o Jorge, a Parceria e eu, frágil e simples, despretenciosa. Sinto que agimos todos em sonho e é a melhor forma de o fazermos, porque assim ficamos aquém dos horrores da realidade. Era o que Pessoa iria querer. Temos planeados já vários volumes, mas logo se vê se acontecem ou não, depende claro da realidade horrorosa os aceitar. Mas, mesmo que não os aceite, este sonho, ao se concretizar tornou-se, estranhamente, maior do que ele mesmo. Pessoa sempre disse que a realidade mata o sonho, mas é caso para dizer que agora é ela que o pode alimentar. 
Começamos com um volume de citações. Ideia do Jorge, claro, porque o Jorge é a realidade. Mas o sonho entrou pelo Jorge adentro e o conteúdo do livro não é nada parecido com outros livros de citações de Pessoa. Porquê? Não vale a pena explicar, mas quem conhece Pessoa vai perceber certamente e quem não o conhece vai ficar intrigado para que o tenha de conhecer, sem fuga possível. A única forma de ignorar Pessoa é não olhar para ele. Tenho a certeza disto. A seguir a este volume, vamos lançar um dedicado à diarística e escritos mais íntimos. O objectivo é revelar aos poucos os níveis paralelos desta grande alma sofredora que tantos desconhecem ainda em profundidade. E é pena. Muita pena. Pessoa é tanto e pode ser tanto mais, não só porque é Pessoa, mas porque é um de nós, o melhor e o pior de nós - o sonhador que nunca desistiu, como o Carlos, o Jorge e eu, dos sonhos que não se perseguem mas que sempre nos alcançam se forem sinceros.»



Vai no segundo volume, e vou ficar à espera do seguinte, e vou oferecer quando for de oferecer, dos familiares aos amigos e de quem se gosta, não importa há quanto tempo, muito.

Quem é Pessoa para os portugueses, o que pensam dele, qual a sua importância para o país e para cada um de nós... lê Pessoa? Isso torna-o mais feliz?... Isto tudo importa para alguma coisa?... A moda das sondagens, o quantificar... e O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo?... e o vosso desassossego?... está na hora de partir, é fácil com o Nuno como nosso mentor :)

Pessoa não foi feliz, teria sido preferivel que tivesse casado com a Ofélia, que a obra fosse às ortigas, e que tivesse feito pela felicidade. Ninguém saberia que teria existido, eu não estaria aqui com estas banalidades, e teria outros poetas para me contentar/deslumbrar/descobrir, mas a estória dos "ses" não existe, e é assim e está bem, e isto tudo é nada... e eu gosto de ti meu caro Pessoa... e para que é que isto me serve, isso interessa?... cala-te!... straight...

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P.S.

Fiz alterações no texto e acrescentei uns Bonecos do Stuart na minha mensagem anterior, confirmem AQUI :)

Não tem nada a ver, mas a semana passada também tive o meu torna-viagem, fica para uma próxima mensagem, este torna-viagem é da Parceria.

sábado, 20 de junho de 2015

António e Francisco.



Segura delicadamente o Menino nos braços, do lado esquerdo (como na maioria das representações), atente-se no pormenor do mindinho da mão esquerda de António. Entreolham-se com familiaridade (imagino ternura), e o menino traquina, que mais parece uma personagem de Quim e Manecas com o seu narizinho arrebitado e cabeçinha redondinha, segura-se ao hábito de António com a sua mãozita, perto do pescoço. O rosto barbado... lembra Francisco e não António... o negativo revela o velho Francisco, o original o novo António, são as imagens que tenho encucadas.

Na vida real foram amigos, António mais novo cerca de 10 anos. Partiram para "a vida", Francisco em Assis e António em Pádua, e por esta razão estão associados, oficialmente, a estas duas cidades, como manda a regra. António também é de Lisboa, do Brasil, do mundo, teve até posto de capitão.

António e Francisco são de todos nós, mas isso de posse de pouco vale, há que seguir e praticar o exemplo. Por minha parte vou-me esforçando, na simplicidade e frugalidade das decisões diárias da vida, orientadas pelo bem, a Terra nossa casa comum, que partilhamos com outras formas de vida no presente, e em que estado a deixaremos para a vida que virá depois de nós (medida do nosso grau de egoismo e inconsciência)e finalmente na pedagogia do olha para o que eu faço e não para o que eu digo.

O desenho é de Stuart Carvalhais, as divagações minhas.

Podem usar as imagens como papel de parede no vosso computador, foi assim que surgiu o negativo do António, que logo me pareceu velho, o menino fica lourinho... o que a minha imaginação tece! Por uma questão de economia de recursos e simplicidade, a cor base da minha área de trabalho é o preto.

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P.S. Iconografia antoniana;
     Variantes iconográficas nas representações antonianas;
     Restos de Santo Antônio expostos em Pádua;
     Iconografia Franciscana.

Hoje é Dia do Relógio de Sol (irmão Sol, irmã Lua).

Um poema que, comigo, liga bem com a imagem do início:

EM QUE SE FALA DO MENINO JESUS

Fiz a maldade e olhei Jesus.
Ele baixou os olhos e corou,
e toda a gente julgou
que quem fez a maldade foi Jesus.


E todos Lhe perdoaram...


- Obrigado, Menino! Mas agora
tira os olhos do bibe e vem brincar,
que eu prometo, pra não Te ver corar,
já não fazer das minhas.
Anda jogar ao pé das flores, no chão,
comigo, às cinco pedrinhas...;
anda jogar, pra esqueceres
o preço do meu perdão...

Sebastião da Gama, in Serra-Mãe (página 69, 6.ª edição, Edições Ática)


O meu problema é que sou "esquecido" (acontece o mesmo convosco?), por isso nada melhor do que colocar um "lembrete" num local de passagem diária, com parede de azulejo onde posso fixar com fita cola sem danos de maior, a cozinha. Também tem a vantagem de outros puderem ver e ler, é a pedagogia :)



Sugestão de apresentação, outras cores disponíveis.

domingo, 14 de junho de 2015

Um homem claro.

António Manuel Baptista.

Recordo de o ver na televisão nos anos 70, ainda hoje tenho na memória uma experiência por ele efetuada, e o gosto pela ciência que ele plantou em mim. Quando era menino queria ser cientista, dizia desassombradamente e com um certo orgulho, mas acabei por não o ser.

Continuo sem saber qual o nome do seu programa, já tentei e pesquisei no site da RTP, na web, mas nada, o melhor que consegui foi este programa que podem visualizar AQUI. Alguém se recorda do nome do programa?

Só mais tarde aparceria o Carl Sagan e a série Cosmos, mas António Manuel Baptista é primordial na minha existência, em cima da Terra e debaixo do Céu, e só os gatos andam no telhado. A entrevista que se segue foi publicada no N.º 88 da revista Ler (fevereiro 2010), é uma forma de estar um pouco com o António Manuel Baptista, de o dar a conhecer. Se for mais cómodo para vós podem transferir e imprimir as imagem, pois as digitalizações foram feitas no tamanho original.







Soube da sua morte pelo Francisco José Viegas, no seu Blog no Correio da Manhã.



Comprei, li e releio os seu livros, sempre deleitosos e oportunos, encontram-se disponíveis para venda AQUI.

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P.S.

domingo, 31 de maio de 2015

Os caranguejos do Carl na prosa do Wenceslau e do Lafcadio.

Por esta ordem de autores esta história chegou até mim:
  1. A seleção artificial (página 25 do livro, episódio 2 da série Cosmos) do Carl Sagan;
  2. A encarnação dos Taira afogados do Wenceslau de Moraes;
  3. Os espíritos de guerreiros do clan Heiké-gani do Lafcadio Hearn.

eis o esboço que posso offerecer-vos,
(desenho de Wenceslau de Moraes)

mandei photographar um caranguejo.


O pano de fundo é a batalha de Dan-no-ura, Japão, 25 de abril de 1185.



Minamoto no Tomomori.
A amante Tenjo-no-Tsubone.
O guerreiro Sagami Goro.

Tsuba alusiva à batalha de Dan-no-ura.

Reler Os carangueijos de Dan-no-ura, por Wenceslau de Moraes.

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P.S. Os jacarandás estão exuberantes, este rompe o verde ao redor, outros despem-se do verde... singelos, inesperados, não é preciso procurar o mais bonito, o maior, o melhor... enquadramento, técnica, lente, máquina, pouco importa... eles estão aí... a cor, o cheiro, o pegajoso nos pés.


Hoje, perto de mim, sem preocupação... com descontração.

O último jacarandá florido de Lisboa.

Há 161 anos (30 de maio de 1854) nasceu em Lisboa, na Travessa da Cruz do Torel, n.º 4, Wenceslau de Moraes.

Work(s) of Lafcadio Hearn.

Heikegani.

Maggie May by Rod Stewart (não tem nada a ver, mas aconteceu ouvir, e foi tão bom).