((Misantropo)) De guarda-chuva em riste, passo apressado, cortando as ruas, cortando a chuva, rosto salpicado, cocuruto a salvo, a caminho do banco.
Depositado o pecúlio, mão no peito protegendo papéis no bolso para não se molharem, resoluto regresso à chuva, em passo apressado, cortando as ruas, rosto orvalhado, cocuruto molhado, de regresso ao início, alguém pergunta: o chapéu de chuva?... ficou no banco!
Aconteceu comigo a 10 de setembro de 2014... desligado.
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P.S. O quarteto que não dispenso: FJV, JPC, MEC e JCN, por ordem de leitura, não de importância, mas de disponibilidade. Por agora, e na minha janela de tempo, mas convém estar atento, aberto, curioso ao mundo.
Poesia é transmutar pensamentos em papel e tinta (lápis). Escrita mais ou menos intuída, pensada, desenhada, conseguida, acabada?... mais ou menos abrangente, universal ou pessoal. Quanto menos presa no tempo e no corpo melhor. Fica só este registo do que me passou pela cabeça (em construção).
((Misantropo)): esta grafia remete para um momento absorto.
domingo, 14 de setembro de 2014
domingo, 24 de agosto de 2014
Um dia de praia...
Viver! - O corpo nu, a saltar, a correr
Numa praia deserta, ou rolando na areia,
Rolando, até ao mar... (que importa o que a alma
anseia?)
Isto sim, é viver!
O Paraíso é nosso e está na terra. Nós
É que temos o olhar velado de incerteza;
E julgamos ouvir a voz da Natureza
Ouvindo a nossa voz.
Ilusões! O triunfo, o amor, a poesia...
Não merecem, sequer, um dia à beira-mar
Vivido plenamente, - a sorver, a beijar
O vento e a maresia.
Viver é estar assim, a fronte ao céu erguida,
Os membros livres, as narinas dilatadas;
Com toda a Natureza, em espírito, as mãos dadas
- O resto não é vida.
Que venha, pois, a brisa e me trespasse a pele,
Para melhor poder compreendê-Ia e amá-Ia!
Que a voz do mar me chame e ouvindo a sua fala,
Eu vá e seja dele!
Que o Sol penetre bem na minha carne e a deixe
Queimada para sempre! As ondas, uma a uma,
Rebentem no meu corpo e eu fique, ébrio de espuma,
Contente como um peixe!
Ode Pagã de Carlos Queiroz (1907-1949), do seu livro «Breve Tratado de Não Versificação» (1948).
Poema literalmente sorvido pelos cinco sentidos do autor deste blogue, no contacto com os elementos na Praia das Maçãs. O dia quer-se preenchido assim, "analógico", o "digital" é apenas um complemento, pequeno :) É do primeiro que tudo parte, que fica, que molda... viver a vida, vida vivida. O que temos.
Poema literalmente sorvido pelos cinco sentidos do autor deste blogue, no contacto com os elementos na Praia das Maçãs. O dia quer-se preenchido assim, "analógico", o "digital" é apenas um complemento, pequeno :) É do primeiro que tudo parte, que fica, que molda... viver a vida, vida vivida. O que temos.
Amigo de Fernando Pessoa, sobrinho de Ofélia Queiroz, co-tradutor de Eminescu... tenham curiosidade!
Tudo isto chega para preencher um bom dia de verão :)
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P.S. Delicioso este mapa :)
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Tem-te-bem.
Cuidar de nós, dar atenção a nós, e o resultado extravasa para vós... replica-se.
Hoje o meu tem-te-bem foi assim:
Também teve ondas vigorosas que massajaram o corpo, água salgada que se inalou e limpou, espuma branca que se desprendeu (é giro), saltos de orca (cair de costas em cima da onda), largo horizonte que relativiza, gentes diversas de falas diversas, brisa fresca no rosto e areia quente nos pés :)
Fica em Abrantes, perto da Igreja de S. Vicente, uma rua estreita e inclinada, que fica escorregadia em dias de chuva. Tem-te-bem, tem cuidado para não escorregar. Acautela-te...um aviso amigo para que nada de mal te possa acontecer.
Procurando mais sobre o tem-te-bem, encontrei esta página, da qual sublinho o seguinte:
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Hoje o meu tem-te-bem foi assim:
| Miradouro do Alto da Vigia na Praia das Maçãs. |
Também teve ondas vigorosas que massajaram o corpo, água salgada que se inalou e limpou, espuma branca que se desprendeu (é giro), saltos de orca (cair de costas em cima da onda), largo horizonte que relativiza, gentes diversas de falas diversas, brisa fresca no rosto e areia quente nos pés :)
E tudo isto vem a propósito, ou começou, com a
![]() |
| A falha no azulejo parece um acento circunflexo, mas não é :) |
Fica em Abrantes, perto da Igreja de S. Vicente, uma rua estreita e inclinada, que fica escorregadia em dias de chuva. Tem-te-bem, tem cuidado para não escorregar. Acautela-te...um aviso amigo para que nada de mal te possa acontecer.
Procurando mais sobre o tem-te-bem, encontrei esta página, da qual sublinho o seguinte:
- Ser gentil consigo mesmo;
- "Stress" auto-imposto;
- Mordaz sentido crítico face a nós mesmos;
- Estou a crescer/realizar-me com a vida que levo e mantenho?
- Como é que eu estou a lidar com as mudanças e a passagem do tempo?
- Não somos nem superiores nem inferiores a ninguém, mas semelhantes;
- Os benefícios da bondade pessoal (ter-se bem, tratar-se bem!).
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P.S. Carpe diem.
Para ti ;)
Para ti ;)
domingo, 27 de julho de 2014
À toa...
Um livro que se compra ao acaso, porque alguém está apagando "preciosas" notas a lápis, que o mercado não valoriza... quanto quer pelo livro?... 5€... negócio feito (são Notas Sertanejas, não de Angola ou do Brasil, mas daqui mesmo :). A rádio que se escuta no tempo tríbulo, ou o sussuro do Ovil imaginado, a odalisca que passa, mais tarde vem à memória Cesário, e acabo por descobrir Frígida e outras. Faz tanto tempo que não leio Cesário.
Foi dia de leaving Lisboa, e também de Leaving New York... e como nós dois gostamos de ouvir :) :** A despedida com reencontro marcado é sempre doce :)
Um jantar que antes de começar já alimenta (delicioso e com pormenor, como sempre). Pat Metheny preenche o éter e leva-nos para a TSF, de conversa e para descobrir mais tarde (Carlos Vaz Marques e Fernado Alves). O tema de que não recordei o nome: last train home. Ainda levo para casa o "Manual para leitura de paisagens". A irreverência do autor promete :) Bem hajam meus amigos, José e Maria :)
![]() |
| Epígrafe do livro. |
Continuo intrigado com o "óleo dos philosophos" do dia anterior. Alguém sabe o que é e para que serve?...
Para terminar, começar, os conselhos do pai do Ubaldo.
Era para ser "Bricabraque de velhos acasos", mas acabou por ser assim :)
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P.S. Picos de Europa e Blog da Estante Virtual.
Oração do Escuta
Senhor Jesus,
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-Vos como Vós o mereceis,
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso,
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade santa.
Ámen
domingo, 13 de julho de 2014
O castanheiro que dá laranjas...
O anúncio está a passar na TV, o majestoso castanheiro chamou logo a minha atenção, e é o que interessa para aqui. Pormenores da campanha, e ponto de partida da pesquisa, AQUI.
E o incontornável Prof. J. Vieira Natividade, o homem dos sobreiros, figura admirável e multifacetada, desconhecida dos portugueses, no país que tem o sobreiro como árvore nacional. Ler terceiro parágrafo da página 10, em que discorre sobre a paisagem florestal portuguesa.
Árvore de Interesse Público, têm AQUI a sua ficha (Castanheiro de Guilhafonso).
As vozes femininas também encantam, e como cantam :) (Coro Scala & Kolacny Brothers - Perfect Day de Lou Reed).
Nos meus alfarrábios ainda encontrei:
E o incontornável Prof. J. Vieira Natividade, o homem dos sobreiros, figura admirável e multifacetada, desconhecida dos portugueses, no país que tem o sobreiro como árvore nacional. Ler terceiro parágrafo da página 10, em que discorre sobre a paisagem florestal portuguesa.
A nossa relação com a floresta ao longo dos tempos num resumo interessante, AQUI (De facto, como povo, se possuímos alguma vocação em matéria florestal é para desarborizar, não para arborizar. Pedro Almeida Vieira).
Nem a propósito o seguinte artigo,
Nem a propósito o seguinte artigo,
e a Portaria n.º 124/2014. D.R. n.º 119, Série I de 2014-06-24 que estabelece os critérios de classificação e desclassificação de Arvoredo de Interesse Público (AIP)...
É muito gratificante descobrir e usufruir do nosso património florestal, experimente :)
Nós estivemos aqui :)
Preste atenção por onde anda, pois há sempre uma árvore amiga e interessante por perto. Só de memória, balizando o meu espaço e tempo, recordo os lódãos, tílias, jacarandás, palmeiras, plátanos, pinheiros, oliveiras e zambujeiros, sobreiros, macieiras (reineta saloia) e nogueiras que diariamente me fazem companhia, e faço questão de as olhar, em forma de cumprimento e deslumbramento (é mesmo assim cada dia que passa). Despidas e reticuladas ramagens no inverno, folhas tenras de verde no vício da primavera, borbulhar de vida semanal, orgia de cores, cheiros e sabores nos frutos do verão, a frescura de uma sombra, a melancolia da metamorfose outonal que dói. Este é o meu almanaque.
É muito gratificante descobrir e usufruir do nosso património florestal, experimente :)
Nós estivemos aqui :)
| Carvalho de Calvos |
Preste atenção por onde anda, pois há sempre uma árvore amiga e interessante por perto. Só de memória, balizando o meu espaço e tempo, recordo os lódãos, tílias, jacarandás, palmeiras, plátanos, pinheiros, oliveiras e zambujeiros, sobreiros, macieiras (reineta saloia) e nogueiras que diariamente me fazem companhia, e faço questão de as olhar, em forma de cumprimento e deslumbramento (é mesmo assim cada dia que passa). Despidas e reticuladas ramagens no inverno, folhas tenras de verde no vício da primavera, borbulhar de vida semanal, orgia de cores, cheiros e sabores nos frutos do verão, a frescura de uma sombra, a melancolia da metamorfose outonal que dói. Este é o meu almanaque.
E tudo isto começou com um anúncio publicitário da MSTF Partners (MSTF quer dizer... descubra :)
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P.S. Dias com árvores, um blogue a não perder, Vinte e cinco árvores de Lisboa e Árvores do Concelho de Cascais.
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P.S. Dias com árvores, um blogue a não perder, Vinte e cinco árvores de Lisboa e Árvores do Concelho de Cascais.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Sinclinal...
As árvores morrem de pé, esta vive deitada...
O insólito da vida teimosa,
Minha conhecida, e até companheira.
Com ela partilho semanais instantes,
À sombra de suas vizinhas.
Uma maçã que saboreio,
Juntamente com algumas linhas de leitura,
Intervaladas no horizonte de mar que contemplo.
Está feita a cama de pensamentos em que me deito.
Breves instantes... antes de retornar ao trabalho.
Um exemplo de "linhas"... AQUI.
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P.S. Fotos georreferenciadas. Onde fica?... Geotag ajuda.
O insólito da vida teimosa,
Minha conhecida, e até companheira.
Com ela partilho semanais instantes,
À sombra de suas vizinhas.
Uma maçã que saboreio,
Juntamente com algumas linhas de leitura,
Intervaladas no horizonte de mar que contemplo.
Está feita a cama de pensamentos em que me deito.
Breves instantes... antes de retornar ao trabalho.
Um exemplo de "linhas"... AQUI.
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P.S. Fotos georreferenciadas. Onde fica?... Geotag ajuda.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Embrulhada e embrulho de livros.
Vem esta mensagem a propósito de um livro acabado de sair e que já não é possível comprar (estive agora a ver na Wook e têm novamente disponível).
Esta situação de racionamento é pretexto para um texto delicioso de Rui Ramos, que podem ler AQUI. Mas que grande embrulhada.
Mas tudo isto começou porque na sinopse do livro referem que "Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor.", o que achei curioso, pois também "embrulho" (forrar a capa do livro) os meus livros, resguardo físico e de um certo pudor, especialmente quando a leitura acontece em locais públicos (é da minha natureza).
Ao longo dos anos utilizei os mais diversos materiais e cores, raramente escrevendo por fora alguma identificação, e quando isso aconteceu preferi o lápis (na falta vai com o que houver). Depois de lido, e na hora de voltar para a estante, o "embrulho" vai para o lixo. Em alguns casos foi mantido, por ser um livro de leitura recorrente, ou porque ainda não foi arrumado, e anda a deambular por casa, ou então é "tijolo" na "torre" que cresce na minha mesa de cabeceira :)
Ficam aqui alguns exemplos de "embrulhos" sobreviventes (as digitalizações foram feitas hoje :)
Depois de várias experiências, não planeadas e ao acaso, acabei rendido ao papel vegetal. Protege e deixa transparecer, fácil de aplicar, baixo custo (excluindo o reaproveitamento de papel, que tem custo zero).
Por vezes gosto de uma extravagância, relativamente caro, em comparação com todas as outras soluções, dá gozo passear um livro assim "embrulhado" (vaidoso :)
Resumindo, livro nu só na estante :)
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P.S. A "torre" na mesa de cabeceira :)
Esta situação de racionamento é pretexto para um texto delicioso de Rui Ramos, que podem ler AQUI. Mas que grande embrulhada.
Mas tudo isto começou porque na sinopse do livro referem que "Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor.", o que achei curioso, pois também "embrulho" (forrar a capa do livro) os meus livros, resguardo físico e de um certo pudor, especialmente quando a leitura acontece em locais públicos (é da minha natureza).
Ao longo dos anos utilizei os mais diversos materiais e cores, raramente escrevendo por fora alguma identificação, e quando isso aconteceu preferi o lápis (na falta vai com o que houver). Depois de lido, e na hora de voltar para a estante, o "embrulho" vai para o lixo. Em alguns casos foi mantido, por ser um livro de leitura recorrente, ou porque ainda não foi arrumado, e anda a deambular por casa, ou então é "tijolo" na "torre" que cresce na minha mesa de cabeceira :)
Ficam aqui alguns exemplos de "embrulhos" sobreviventes (as digitalizações foram feitas hoje :)
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| Reciclado |
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| Colorido |
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| Plástico |
Por vezes gosto de uma extravagância, relativamente caro, em comparação com todas as outras soluções, dá gozo passear um livro assim "embrulhado" (vaidoso :)
Resumindo, livro nu só na estante :)
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P.S. A "torre" na mesa de cabeceira :)
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