ou o espaço das nuvens que passam, ou quase poesia. Isso existe?... [quase] nada. Dádiva desinteressada e desapossada, o que faço aqui é de minha autoria, salvo indicação em contrário. O que me ocupa?
Um livro que se compra ao acaso, porque alguém está apagando "preciosas" notas a lápis, que o mercado não valoriza... quanto quer pelo livro?... 5€... negócio feito (são Notas Sertanejas, não de Angola ou do Brasil, mas daqui mesmo :). A rádio que se escuta no tempo tríbulo, ou o sussuro do Ovil imaginado, a odalisca que passa, mais tarde vem à memória Cesário, e acabo por descobrir Frígida e outras. Faz tanto tempo que não leio Cesário.
Foi dia de leaving Lisboa, e também de Leaving New York... e como nós dois gostamos de ouvir :) :** A despedida com reencontro marcado é sempre doce :)
Um jantar que antes de começar já alimenta (delicioso e com pormenor, como sempre). Pat Metheny preenche o éter e leva-nos para a TSF, de conversa e para descobrir mais tarde (Carlos Vaz Marques e Fernado Alves). O tema de que não recordei o nome: last train home. Ainda levo para casa o "Manual para leitura de paisagens". A irreverência do autor promete :) Bem hajam meus amigos, José e Maria :)
Andei pela estrada de Sintra, não ao volante do Chevrolet, mas tenho as minhas suspeitas que a EN 375 é a estrada do poema (mas não é). Senti necessidade de o ouvir, o poema claro, mas hoje estou mais para o lado do Caeiro do que do Campos, temperado por mim mesmo :) À procura de quem me lesse o poema descobri a Wislawa Szymborska.
Continuo intrigado com o "óleo dos philosophos" do dia anterior. Alguém sabe o que é e para que serve?...
Oração do Escuta
Senhor Jesus,
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-Vos como Vós o mereceis,
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso,
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade santa.
Ámen
O anúncio está a passar na TV, o majestoso castanheiro chamou logo a minha atenção, e é o que interessa para aqui. Pormenores da campanha, e ponto de partida da pesquisa, AQUI.
Árvore de Interesse Público, têm AQUI a sua ficha (Castanheiro de Guilhafonso).
As vozes femininas também encantam, e como cantam :) (Coro Scala & Kolacny Brothers - Perfect Day de Lou Reed).
Nos meus alfarrábios ainda encontrei:
E o incontornável Prof. J. Vieira Natividade, o homem dos sobreiros, figura admirável e multifacetada, desconhecida dos portugueses, no país que tem o sobreiro como árvore nacional. Ler terceiro parágrafo da página 10, em que discorre sobre a paisagem florestal portuguesa.
A nossa relação com a floresta ao longo dos tempos num resumo interessante, AQUI (De facto, como povo, se possuímos alguma vocação em matéria florestal é para desarborizar, não para arborizar. Pedro Almeida Vieira).
Nem a propósito o seguinte artigo,
e a Portaria n.º 124/2014. D.R. n.º 119, Série I de 2014-06-24 que estabelece os critérios de classificação e desclassificação de Arvoredo de Interesse Público (AIP)...
É muito gratificante descobrir e usufruir do nosso património florestal, experimente :)
Preste atenção por onde anda, pois há sempre uma árvore amiga e interessante por perto. Só de memória, balizando o meu espaço e tempo, recordo os lódãos, tílias, jacarandás, palmeiras, plátanos, pinheiros, oliveiras e zambujeiros, sobreiros, macieiras (reineta saloia) e nogueiras que diariamente me fazem companhia, e faço questão de as olhar, em forma de cumprimento e deslumbramento (é mesmo assim cada dia que passa). Despidas e reticuladas ramagens no inverno, folhas tenras de verde no vício da primavera, borbulhar de vida semanal, orgia de cores, cheiros e sabores nos frutos do verão, a frescura de uma sombra, a melancolia da metamorfose outonal que dói. Este é o meu almanaque.
E tudo isto começou com um anúncio publicitário da MSTF Partners (MSTF quer dizer... descubra :)
O insólito da vida teimosa,
Minha conhecida, e até companheira.
Com ela partilho semanais instantes,
À sombra de suas vizinhas.
Uma maçã que saboreio,
Juntamente com algumas linhas de leitura,
Intervaladas no horizonte de mar que contemplo.
Está feita a cama de pensamentos em que me deito.
Breves instantes... antes de retornar ao trabalho.
Vem esta mensagem a propósito de um livro acabado de sair e que já não é possível comprar (estive agora a ver na Wook e têm novamente disponível).
Esta situação de racionamento é pretexto para um texto delicioso de Rui Ramos, que podem ler AQUI. Mas que grande embrulhada.
Mas tudo isto começou porque na sinopse do livro referem que "Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor.", o que achei curioso, pois também "embrulho" (forrar a capa do livro) os meus livros, resguardo físico e de um certo pudor, especialmente quando a leitura acontece em locais públicos (é da minha natureza).
Ao longo dos anos utilizei os mais diversos materiais e cores, raramente escrevendo por fora alguma identificação, e quando isso aconteceu preferi o lápis (na falta vai com o que houver). Depois de lido, e na hora de voltar para a estante, o "embrulho" vai para o lixo. Em alguns casos foi mantido, por ser um livro de leitura recorrente, ou porque ainda não foi arrumado, e anda a deambular por casa, ou então é "tijolo" na "torre" que cresce na minha mesa de cabeceira :)
Ficam aqui alguns exemplos de "embrulhos" sobreviventes (as digitalizações foram feitas hoje :)
Reciclado
Colorido
Plástico
Depois de várias experiências, não planeadas e ao acaso, acabei rendido ao papel vegetal. Protege e deixa transparecer, fácil de aplicar, baixo custo (excluindo o reaproveitamento de papel, que tem custo zero).
Por vezes gosto de uma extravagância, relativamente caro, em comparação com todas as outras soluções, dá gozo passear um livro assim "embrulhado" (vaidoso :)
Resumindo, livro nu só na estante :)
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P.S. A "torre" na mesa de cabeceira :)
Tenho em mãos, e em leitura, o trabalho do nosso conterrâneo José Maria Canhoto. Confesso que aguardava ansiosamente, e certamente como muitos de vós, que já têm o livro, trataram logo de ver onde aparecem os vossos nomes e fotos, e depois os círculos familiares e de vizinhança. Porventura uma vista apressada pelos restantes "bonecos" e texto (foi assim cá em casa com os meus pais). Mas o ter e ser do livro não se esgota aqui. Se ficarem por aqui é pouco, digamos que ficam a meio do caminho.
O nosso conterrâneo fez um trabalho cujos primeiros destinatários somos nós, sem preocupações académicas, no entanto isso não significou menor rigor e objetividade na procura e tratamento das fontes histórias, muitas delas transcritas no texto, facilitando o acesso a todos nós, bem como na envolvente sócio-económica, com alguns ténues afloramentos etnográficos, resultado da vivência do autor neste espaço físico (freguesia de Amêndoa, concelho de Mação, distrito de Santarém, antiga província da Beira Baixa).
O título da obra é o esqueleto da mesma, tripartido, que se articula entre si. As duas primeiras partes dão o enquadramento (ONDE e QUANDO), e abrem o caminho para a terceira (QUEM), a qual tem o maior número de páginas, por força das centenas, ou milhares (ainda não os contei), de nomes e datas coligidos. É fácil folhear e procurar um nome, mas quanto trabalho laborioso e meticuloso exigiu, os recursos investidos, e tudo começou em 1978, passaram-se 36 anos!
Certamente existem erros, ficará ao encargo de cada um de nós validar as informações referentes ao nossos familiares (nomes e datas), e caso o erro seja detectado reporta-lo ao autor (tomo a liberdade de o sugerir). Fez o melhor que sabia e podia na apresentação das árvores genealógicas, e fez muito. Sinto falta de uma sistematização bibliográfica: obras e documentos consultados, e os locais e instituições onde se encontram. Parte desta informação encontra-se dispersa ao logo do texto, mas seria oportuno um apêndice bibliográfico no final da obra, até a pensar em trabalhos futuros, que neste se venham a apoiar. É a minha sugestão.
Finalmente, o livro também pode ser visto como um repto a todos nós. O que fazer com o nosso legado, não interessa se é muito ou pouco, rico ou pobre, provavelmente até sem relevância a nível regional ou nacional (o que não creio), mas é o que temos, e se o não fizermos dificilmente estranhos o farão por nós. Há que começar por uma ponta, em coisas simples, que se estão a perder lentamente, especialmente entre os mais novos, como o desfrutar do espaço físico e humano (o que se come, bebe e respira), estórias e história, ou até o arriscar construir uma vida aqui, na nossa terra (ousados precisam-se).
O José Maria Canhoto tem feito a sua parte, na minha modesta opinião o único, em termos de resgatar e preservar a história da nossa Amêndoa, e disso são exemplo os vários artigos que tem escrito no Jornal Voz da Minha Terra. Fica aqui uma amostra de dez artigos.
Para terminar, uma página ao acaso :) Será?
Um grande bem-haja para si, José Maria Canhoto, e um forte abraço,
Carlos (filho da Terra)
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P.S. Fotos de minha autoria, transformadas em papel de parede para o computador. Sinta-se livre de as usar, e da próxima vez que for "à terra" desfrute da terra :)
A foto da Serra do Santo foi tirada na aldeia do Pé da Serra a 4 de outubro de 2009. É a vista da nossa casa :) Provavelmente estarão a olhar para o "umbigo de Portugal".
Por onde começar?... é turbilhão, excitação, riqueza de um homem singular, plural e bom.
Começando pelos mais pequenos, o título do livrinho (carinhoso o diminutivo meu) sobre o Agostinho:
Dos vários que tenho escolhi dois. Duas capas com imagens marcantes e que balizam o segmento de vida. O ir e voltar, o Brasil, e a Paraíba em particular (sublinhado meu).
Rever as "Conversas Vadias" (foi aqui que conheci o Agostinho, deslumbrado, eu, como tantos portugueses), ou o documentário "Um pensamento vivo", feito pelo seu neto no centenário do seu nascimento, é um imperativo. É uma "vida consequente" aquela que se revela nos depoimentos daqueles que com ele conviveram (ver o que se passou no início da Universidade de Brasília, está no documentário).
O próximo é o São Pedro :) Acompanhado de quem? Nem eu mesmo ainda sei!
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P.S. Agradeço ao meu amigo Vasco o rosto do Santo António que me deu a conhecer (nosso interesse comum, o exemplo de vida do Santo).
É um trabalho do brasileiro Cicero Moraes, que fez uso de software livre, apresentado em Pádua no passado dia 10 de junho (Dia de Portugal, feliz coincidência). A pré-visualização da nova reconstrução da face do Santo vai estar exposta até 29 junho (Dia de São Pedro).
Aconteceu futebol, um empate no Mundial que torna tudo mais difícil, mas é um jogo, apenas um jogo. Portugal, e a nossa vida, é mais do que um jogo. Apliquemos a nossa energia em fazer mais e melhor, cada um de nós faz um pouco de Portugal. Outros no passado já o fizeram.
Saúde, inteligência e bom senso,
Para levar a vida em frente,
Puxar pelos novos, auxiliar os velhos,
Ser o eixo da roda da vida.
Criar riqueza para distribuir,
Contribuir para a felicidade do nosso semelhante,
E outras formas de vida, em qualquer lugar.
Procurar o caminho da virtude.
Por agora e em construção,
Em jeito de oração (aquilo em que acredito).
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P.S. Não parece mas deu muitas voltas, na minha cabeça, e pelos mais diversos motivos (o Santo e o Renegado).
Na sua escrita, e atualização do blogue, foi utilizado o Puppy Linux, num Magalhães ressuscitado. Substituído o HDD por um cartão SD 16GB (Class 10), 7,80€, e o software zero euros.
É a "economia da filigrana" (expressão minha): fazer muito com pouco. O muito é engenho e imaginação, criando valor. O ouro, ou outro metal, empresta-lhe o brilho e o esqueleto delicado. O Magalhães ficou um mimo :) Acrescentei ainda um rato (8,80€), mas foi uma estravagância, não gosto de trabalhar com o touchpad. A necessidade aguça o engenho.