segunda-feira, 23 de junho de 2014

O português dos 3 M.

«Sou marujo, mestre e monge
marujo de águas paradas
mas que levam os navios
às terras por mim sonhadas

também sou mestre de escola
em que toda a gente cabe
se depois de estudar tudo
sentir bem que nada sabe

mas nem terra ou mar me prendem
e para voar mais longe
dum mosteiro que não houve
e não haja me fiz monge»

Seu nome: George Agostinho Baptista da Silva.

Por onde começar?... é turbilhão, excitação, riqueza de um homem singular, plural e bom.
Começando pelos mais pequenos, o título do livrinho (carinhoso o diminutivo meu) sobre o Agostinho:








Dos vários que tenho escolhi dois. Duas capas com imagens marcantes e que balizam o segmento de vida. O ir e voltar, o Brasil, e a Paraíba em particular (sublinhado meu).


É o gato do Agostinho que aparece na capa.

O partir, para sempre, o que fica... para sempre.



O essencial sobre o Agostinho e as últimas cartas, onde aparece estas "Quadrinhas de quando em quando":

Mas esta vai hoje mesmo
por ser aquela que fez
São João à Lua Cheia
do Junho do nove e três

“Que me baptize o Luar
e faça de mim portento
banhado sempre na Luz
de que serei instrumento.”

E porque estamos em véspera de São João, do Porto onde nasceu, em Campina Grande por onde andou.

Rever as "Conversas Vadias" (foi aqui que conheci o Agostinho, deslumbrado, eu, como tantos portugueses), ou o documentário "Um pensamento vivo", feito pelo seu neto no centenário do seu nascimento, é um imperativo. É uma "vida consequente" aquela que se revela nos depoimentos daqueles que com ele conviveram (ver o que se passou no início da Universidade de Brasília, está no documentário).

Ficam ainda citações e poemas.

O próximo é o São Pedro :) Acompanhado de quem? Nem eu mesmo ainda sei!

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P.S. Agradeço ao meu amigo Vasco o rosto do Santo António que me deu a conhecer (nosso interesse comum, o exemplo de vida do Santo).


É um trabalho do brasileiro Cicero Moraes, que fez uso de software livre, apresentado em Pádua no passado dia 10 de junho (Dia de Portugal, feliz coincidência). A pré-visualização da nova reconstrução da face do Santo vai estar exposta até 29 junho (Dia de São Pedro).

Aconteceu futebol, um empate no Mundial que torna tudo mais difícil, mas é um jogo, apenas um jogo. Portugal, e a nossa vida, é mais do que um jogo. Apliquemos a nossa energia em fazer mais e melhor, cada um de nós faz um pouco de Portugal. Outros no passado já o fizeram.

domingo, 15 de junho de 2014

Oratione Credo... Antonius.

Saúde, inteligência e bom senso,
Para levar a vida em frente,
Puxar pelos novos, auxiliar os velhos,
Ser o eixo da roda da vida.

Criar riqueza para distribuir,
Contribuir para a felicidade do nosso semelhante,
E outras formas de vida, em qualquer lugar.

Procurar o caminho da virtude.

Por agora e em construção,
Em jeito de oração (aquilo em que acredito).

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P.S. Não parece mas deu muitas voltas, na minha cabeça, e pelos mais diversos motivos (o Santo e o Renegado).

Na sua escrita, e atualização do blogue, foi utilizado o Puppy Linux, num Magalhães ressuscitado. Substituído o HDD por um cartão SD 16GB (Class 10), 7,80€, e o software zero euros.
É a "economia da filigrana" (expressão minha): fazer muito com pouco. O muito é engenho e imaginação, criando valor. O ouro, ou outro metal, empresta-lhe o brilho e o esqueleto delicado. O Magalhães ficou um mimo :) Acrescentei ainda um rato (8,80€), mas foi uma estravagância, não gosto de trabalhar com o touchpad. A necessidade aguça o engenho.

Semana dos Antónios (Fernandos de nascimento, do germânico Fardinanthi, empreendimento da viagem. Ambos empreenderam a viagem.) de Lisboa para o mundo, e sem se preocuparem com isso, o Santo e o Poeta. O primeiro a 13 morreu e o segundo a 13 nasceu (roda da vida, o eixo somos nós... mais um dia). O José fala do primeiro, o Francisco escreve sobre o segundo. Ganhem um pouco de tempo.




Para terminar este post scriptum, a pedra de vícios que o tempo não consegue desgastar: O Sermão.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Os Dias de Portugal.

É nome de livro, que a memória reaviva a 10 de junho. Ler os seus discursos é... experimente... aqui e aqui (ano de 2007).

O João Bénard da Costa era o "homem do cinema", expressão que diz quase tudo, mas não diz nada, quando ficamos só com estas palavras. Ao ler o seu artigo sobre a cidade de Mântua, e o nevoeiro que salta das fotos (Revista Volta ao Mundo - Março 2005), fiquei curioso e comecei a procurar (ir ao encontro de, ser consequente). É puro deleite o que escreve. Infelizmente perdi a revista, mas fica prometida a digitalização e disponibilização no blogue, quando a encontrar.

O dia também é de poesia, ou não fosse dia de Camões. Fiquei na dúvida se deveria escrever este lugar comum,  mas cedi perante a memória de um homem que representa a nossa língua, mas que também é o português das venturas de desventuras do seu tempo. Na sua vida, e na vida de tantos portugueses, cabem mais do que uma, são vidas espaçosas, literalmente, e em vários planos. Ainda hoje espalhados pelo mundo.

Os poemas que hoje me ocorreram foram "Meu país desgraçado" de Sebastião da Gama, e "Nevoeiro" de Fernando Pessoa (pode em ambos fechar os olhos e ouvir, experimente).

Andando ás voltas, com Portugal no pensamento, ainda tropecei na origem da palavra, uma ideia para, ou o nome de uma fruta (também em romeno).

VALETE, FRATRES.

domingo, 1 de junho de 2014

Persuasão seletiva, ou a história de um anúncio.

http://johnhyattillustration.com/HistoryExplorationPage.html

Procuram-se homens para viagem arriscada, baixos salários, frio intenso, longos meses de completa escuridão, perigo constante, retorno seguro duvidoso, honra e reconhecimento em caso de sucesso.

Ernest Shackleton                                                                                  4 Burligton st.


O anúncio é apócrifo, nenhuma cópia foi encontrada. Existe uma recompensa de 100 US$ para quem o encontrar. Este é uma recriação do ilustrador John Hyatt.

O mais provável é que alguém o tenha inventado, quem sabe se algum membro da tripulação do Endurance, ironizando com a sua própria situação.

O certo é que a expedição do Endurance foi um fracasso bem sucedido. Liderada por Ernest Shackleton, 27 homens pretendiam atravessar a Antártida, passando pelo Polo Sul, mas não conseguiram. Sobreviveram durante quase dois anos nos mares gelados da Antártida, com episódios dignos de uma epopeia. Regressaram todos vivos.

As minhas leituras sobre o tema, terminando com o clássico Sul (atenção aos pormenores, ler as capas).










O primeiro livro foi também a minha primeira leitura sobre o tema, depois de ter visto um documentário na RTP 2. Fiz um resumo dos pontos importantes deste livro, que releio com alguma regularidade. AQUI!

Também desse livro, o mapa da viagem e a lista dos nomes dos homens que nela participaram.






Outro documentário sobre esta grande aventura, e a página da Fundação Shackleton.

A 8 de agosto de 2014 comemora-se os 100 anos do início desta epopeia. Estamos no ano do centenário.

sábado, 31 de maio de 2014

Está feito Amélia.

O livro começa onde os acasos da vida me levam, e se é certo que o ofício da escrita é para mim coisa nova, a São chega-lhe bem, certeira e despojada, com aquela irreverência que lhe conhecemos.

O pulsar da vida vivida está lá (pessoas), aproveita-se muita coisa (ensinamentos), é fruto carnudo, sustento prazeroso que recomendo. Resumindo, gostei e vou comprar o seu primeiro livro (Contrabando). Esta relação mercantil também é importante, e tem o seu lado metafísico  (é o custo de oportunidade).

Com a cara do livro (a capa) tenho uma sensação agridoce. Gosto do grafismo das letras, embora difícil de ler, não gosto das cores, e o brinco-de-princesa (a São) provoca-me uma sensação sinistra, na forma como corta as letras e na proximidade do gotejar, fazendo-me lembrar ao mesmo tempo um insecto gigante. Mas não devia ser assim, porque conceptualmente está na corrente do livro, mas na minha cabeça não liga com o que ficou da leitura: optimismo. Ou tudo isto não passa de enganos meus.

Está feito Amélia.

Um forte abraço, de apertar corações (há sempre aqueles que não deixam a humanidade cair).
Carlos


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Só para mim.

Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade... abri o livro, ao acaso, página 166, Crepuscular... só podia... a Joana fala do nascimento deste poema... Estala de Saudade o Coração... encontrei, página 17; retomando o caminho inicial, página 118, Canção Grata... página 90, Quase... Torga Régio...

Terra de Golgona,
Dente de ouro,
Rosto seráfico,
Dia plúmbeo,
Capela circular,
Fantasmas não há, e se os houver podem ser bons.

Uma charada,
Surreal,
Só para mim.

(Fábula de Veneza ou a Casa de Fataunços)

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P.S. Palavras dispersas são como afloramentos rochosos na minha paisagem interior. Palavras do momento, devaneios que procuram um sentido... o rio já lá está!... Estou a tentar transmutar, ou tudo isto não passa de um grande bluff.
Hoje, em Sintra (e nas aldeias saloias), o dia estava plúmbeo, denso e voluptuoso... brisa que agita levemente as árvores vestidas de novo, num adeus tranquilo e sem dor... lindo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Marmelada da parede.

Foi oferecida marmelada, provavelmente à hora do lanche, a um certo menino que prontamente respondeu: não, quero antes marmelada da parede...! desnorte geral, prontamente esclarecido pelo dedo que apontava para o presunto pendurado na parede (num prego, claro :), perto da chaminé.

O menino de ontem, cavalheiro feito, completa hoje mais uma volta ao Sol, ou seja, mais um prego no dito cujo (só para os entendidos, eu levo 1 de avanço :).

Coisas nossas que não esquecem.

Muitos parabéns e um forte abraço.

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P.S. Curiosidades do marmeleiro e da "marmelade" (não foi o Herman que inventou).