domingo, 1 de junho de 2014

Persuasão seletiva, ou a história de um anúncio.

http://johnhyattillustration.com/HistoryExplorationPage.html

Procuram-se homens para viagem arriscada, baixos salários, frio intenso, longos meses de completa escuridão, perigo constante, retorno seguro duvidoso, honra e reconhecimento em caso de sucesso.

Ernest Shackleton                                                                                  4 Burligton st.


O anúncio é apócrifo, nenhuma cópia foi encontrada. Existe uma recompensa de 100 US$ para quem o encontrar. Este é uma recriação do ilustrador John Hyatt.

O mais provável é que alguém o tenha inventado, quem sabe se algum membro da tripulação do Endurance, ironizando com a sua própria situação.

O certo é que a expedição do Endurance foi um fracasso bem sucedido. Liderada por Ernest Shackleton, 27 homens pretendiam atravessar a Antártida, passando pelo Polo Sul, mas não conseguiram. Sobreviveram durante quase dois anos nos mares gelados da Antártida, com episódios dignos de uma epopeia. Regressaram todos vivos.

As minhas leituras sobre o tema, terminando com o clássico Sul (atenção aos pormenores, ler as capas).










O primeiro livro foi também a minha primeira leitura sobre o tema, depois de ter visto um documentário na RTP 2. Fiz um resumo dos pontos importantes deste livro, que releio com alguma regularidade. AQUI!

Também desse livro, o mapa da viagem e a lista dos nomes dos homens que nela participaram.






Outro documentário sobre esta grande aventura, e a página da Fundação Shackleton.

A 8 de agosto de 2014 comemora-se os 100 anos do início desta epopeia. Estamos no ano do centenário.

sábado, 31 de maio de 2014

Está feito Amélia.

O livro começa onde os acasos da vida me levam, e se é certo que o ofício da escrita é para mim coisa nova, a São chega-lhe bem, certeira e despojada, com aquela irreverência que lhe conhecemos.

O pulsar da vida vivida está lá (pessoas), aproveita-se muita coisa (ensinamentos), é fruto carnudo, sustento prazeroso que recomendo. Resumindo, gostei e vou comprar o seu primeiro livro (Contrabando). Esta relação mercantil também é importante, e tem o seu lado metafísico  (é o custo de oportunidade).

Com a cara do livro (a capa) tenho uma sensação agridoce. Gosto do grafismo das letras, embora difícil de ler, não gosto das cores, e o brinco-de-princesa (a São) provoca-me uma sensação sinistra, na forma como corta as letras e na proximidade do gotejar, fazendo-me lembrar ao mesmo tempo um insecto gigante. Mas não devia ser assim, porque conceptualmente está na corrente do livro, mas na minha cabeça não liga com o que ficou da leitura: optimismo. Ou tudo isto não passa de enganos meus.

Está feito Amélia.

Um forte abraço, de apertar corações (há sempre aqueles que não deixam a humanidade cair).
Carlos


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Só para mim.

Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade... abri o livro, ao acaso, página 166, Crepuscular... só podia... a Joana fala do nascimento deste poema... Estala de Saudade o Coração... encontrei, página 17; retomando o caminho inicial, página 118, Canção Grata... página 90, Quase... Torga Régio...

Terra de Golgona,
Dente de ouro,
Rosto seráfico,
Dia plúmbeo,
Capela circular,
Fantasmas não há, e se os houver podem ser bons.

Uma charada,
Surreal,
Só para mim.

(Fábula de Veneza ou a Casa de Fataunços)

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P.S. Palavras dispersas são como afloramentos rochosos na minha paisagem interior. Palavras do momento, devaneios que procuram um sentido... o rio já lá está!... Estou a tentar transmutar, ou tudo isto não passa de um grande bluff.
Hoje, em Sintra (e nas aldeias saloias), o dia estava plúmbeo, denso e voluptuoso... brisa que agita levemente as árvores vestidas de novo, num adeus tranquilo e sem dor... lindo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Marmelada da parede.

Foi oferecida marmelada, provavelmente à hora do lanche, a um certo menino que prontamente respondeu: não, quero antes marmelada da parede...! desnorte geral, prontamente esclarecido pelo dedo que apontava para o presunto pendurado na parede (num prego, claro :), perto da chaminé.

O menino de ontem, cavalheiro feito, completa hoje mais uma volta ao Sol, ou seja, mais um prego no dito cujo (só para os entendidos, eu levo 1 de avanço :).

Coisas nossas que não esquecem.

Muitos parabéns e um forte abraço.

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P.S. Curiosidades do marmeleiro e da "marmelade" (não foi o Herman que inventou).

domingo, 25 de maio de 2014

Outras Sintras (Cintras).

Com S ou com C?... é Alfredo Pinto (Sacavem) que nas suas Cartas de Sintra nos elucida. O sublinhado a verde é meu, digital claro, as folhas de papel continuam imaculadas. Sublinhados?... só o B3 (mistério em aberto).



Passemos agora às Sintras, tenho conhecimento de duas, a primeira na Argélia e a segunda na Roménia.

Bougie, a Sintra argelina, local de exílio de Manuel Teixeira Gomes. É o presidente dandy quem faz a comparação, atentemos nas suas palavras:


Depois vai discorrendo sobre os encantos femininos, e outras derivações (da vida claro), que podem encontrar aqui, um relance muito, muito fugaz do livro de Norberto Lopes sobre Teixeira Gomes.

Podem ver a capa do livro aqui, o meu não tem, quando o comprei estava um pouco maltratado, mas tratei de o encadernar condignamente, agora está forte, lindo de se ver e ler. Os livros também se cuidam.

Béjaïa, nome actual de Bougie (ou Bugia), não esqueceu Teixeira Gomes. Existe uma praça com o seu nome, onde se encontra o seu busto, e o Hotel l'Étoile, local onde viveu os últimos dez anos da sua vida, tem uma placa à entrada relembrando a sua passagem pelo local (quarto n.º 13).

http://zephyron.blogspot.pt/2008/10/bougie-un-illustre-portugais.html

http://ahistorianacidade.wordpress.com/2010/12/04/bejaia-cidade-onde-manuel-teixeira-gomes-faleceu/

http://automne-en-berberie.blogspot.pt/2013/11/bejaia-port-kabyle.html
Reparem na ordem de leitura e escrita das datas, consoante o idioma: direita esquerda ou esquerda direita.

 A sua caricatura no exílio, e o último retrato, tirado nesse hotel.



Podemos ver nas fotos antigas que se seguem como seria Bougie no tempo de Teixeira Gomes, local aprazível, vistas desafogadas, uma brisa de mar, o Forte Abd-el-Kadero, nome de um herói argelino, o Pico dos Macacos e o seu apêndice, o Cabo Carbon com o seu farol. Não traduzi de propósito, pesquisei no Larousse e não encontrei só a palavra carbon, a tentação seria traduzir para carbono, mas não é, pois a palavra francesa é carbone. Por aqui passa a Cordilheira do Atlas, que vai terminar na Tunísia.

Bougie (Béjaïa) é cidade berbere, palavra para vela, em francês, de cera para iluminar, e as que se fabricavam aqui eram famosas pela sua qualidade (cera de abelha). O nosso Bugio é faro, ilumina, pois é, vem de vela :)

Tudo isto é fantástico, não estive em Bougie , nem conheci Teixeira Gomes, mas os livros e a Internet permitiram construir uma ponte, e assim consegui, conseguimos, viajar no tempo e no espaço. Físicos ou virtuais, ao alcance da mão ou digital. A mão que está sempre presente, a que pega no objecto ou a que clica no rato... e temos nós livros, dicionários, postais ilustrados, fotografias, depois é só montar o puzzle, o roteiro de viagem: texto, imagem, hipertexto. Explorem, cada página que se abre não se esgota no abrir. Tudo na vida não se esgota no abrir, na primeira vez, isso é apenas o começo, há que levantar e sentir a brisa no rosto... sentir no corpo o corpo e o que está fora do corpo.

http://www.vitaminedz.com/bejaia-ou-bougie-algerie-vue-generale-en-1930/Photos_20155_137710_6_1.html

http://www.vitaminedz.com/bougie-algerie-vue-generale-prise-du-fort-abd-el-kader/Photos_20155_137060_6_1.html
Conseguem encontrar o Hotel l'Étoile? Vale a pena espreitar para estes quatro postais (um - dois - três - quatro), é uma escolha quase aleatória, dos muitos que existem aqui.

Béjaïa é assim... um encanto :)

https://www.flickr.com/photos/tomtalib/11102752914

Quem pratica pode procurar a geocache Teixeira Gomes PRP7, quem não sabe, ou quer experimentar, é um bom pretexto.

Para terminar, um trabalho académico com referências a Bougie, e o mapa de Piri Reis (famoso e misterioso, que ainda hoje dá azo a muitos devaneios, é assim a natureza humana) onde aparece representada.

E agora a outra...

Sinaia, a Sintra romena, assim aparece designada num artigo da autoria do Professor Victor Buescu, publicado no Jornal de Sintra de 7 de janeiro de 1948. Aqui nasceu, no Castelo de Peles, inaugurado em 1883, o nosso Palácio da Pena é de 1847 e Neuschwanstein de 1892, o Rei Carol II da Roménia, que viria a exilar-se em Portugal (Estoril), onde faleceu. Foi sepultado no Panteão dos Bragança (Mosteiro de S. Vicente de Fora). A sua avó paterna era Antónia de Bragança, filha da rainha D. Maria II. Em 2003 foi transladado para a Roménia.

Aqui ficam as fotos que encontrei, pois ainda não tive a oportunidade de visitar Sinaia.

http://en.wikipedia.org/wiki/Sinaia

http://www.romaniatourism.net/where-to-go/mountains/

http://photos2see.wordpress.com/2013/05/08/sinaia-town-romania-travel-photography/

Mais fotos e postais.

Existem umas famosas placas de chumbo que foram encontradas em Sinaia. Todas as Sintras têm que ter os seus mistérios e lendas.

Para quem estiver interessado em saber mais sobre os romenos, com a particularidade de ter sido escrito para nós, portugueses, por Mircea Eliade, o livro que encontram aqui. O contacto com a língua e a cultura portuguesa aconteceu na Índia, e Camões fascinou-o.


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P.S. Em Portugal temos outras Sintras, a saber: Sabrosa (Sintra do Douro), Figueiró dos Vinhos (Sintra do Norte), Alpedrinha (Sintra da Beira), Rio de Moinhos (Sintra do Ribatejo), Castelo de Vide (Sintra do Alentejo) e Monchique (Sintra do Algarve). As comparações valem o que valem.

sábado, 17 de maio de 2014

A propósito de Turim...

Aqui nasceu e morreu Primo Levi. Escreveu...

Capa da primeira edição italiana e da edição portuguesa de 2001.


Pode ler o resto aqui, bem como outras páginas soltas, sublinhadas a lápis por mim, um livro que faz parte do meu cerne. Também escreveu sobre ciência, de um ângulo inesperado, o que lhe valeu o prémio de melhor livro de ciência jamais escrito, pela Real Academia de Londres, a 19 de outubro de 2006. Pode ler aqui um excerto.

Deixo esta dica para decifrarem o seu epitáfio:



Mas em Turim (Piemonte) também temos o Sudário, a FIAT, e de lá vieram três rainhas portuguesas, a começar pela primeira, D. Mafalda, e a antepenúltima, D. Maria Pia. D. Luís I mandou forrar de seda azul as paredes do seu quarto no Palácio da Ajuda, para combinar com o ruivo dos seus cabelos. Existe uma ligação de 9 séculos entre Portugal e o Piemonte.

Brasão Bragança e Saboia (rainha M. P.) na cozinha do Palácio Nacional de Sintra (interior das chaminés cónicas).

E nem a propósito, é inaugurada hoje uma exposição sobre os tesouros da Casa de Saboia no MNAA. Esta exposição também tem uma contrapartida em Itália.

Não fui a Turim, mas gostava muito de ter ido.

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P.S. O futebol é... mas para mim não é.

Ascensão...


Enquanto espero a abertura do sinal luminoso... elevo-me no olhar e no espírito... fico feliz com este deslumbramento de simplicidade em pleno maio.

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P.S. É uma foto georreferenciada, pode descobrir onde a tirei com a ajuda do Geotag.