Com S ou com C?... é Alfredo Pinto (Sacavem) que nas suas Cartas de Sintra nos elucida. O sublinhado a verde é meu, digital claro, as folhas de papel continuam imaculadas. Sublinhados?... só o B3 (mistério em aberto).
Passemos agora às Sintras, tenho conhecimento de duas, a primeira na Argélia e a segunda na Roménia.
Bougie, a Sintra argelina, local de exílio de
Manuel Teixeira Gomes. É o presidente
dandy quem faz a comparação, atentemos nas suas palavras:
Depois vai discorrendo sobre os encantos femininos, e outras derivações (da vida claro), que podem encontrar
aqui, um relance muito, muito fugaz do livro de Norberto Lopes sobre Teixeira Gomes.
Podem ver a capa do livro
aqui, o meu não tem, quando o comprei estava um pouco maltratado, mas tratei de o encadernar condignamente, agora está forte, lindo de se ver e ler. Os livros também se cuidam.
Béjaïa, nome actual de Bougie (ou
Bugia), não esqueceu Teixeira Gomes. Existe uma
praça com o seu nome, onde se encontra o seu busto, e o Hotel l'Étoile, local onde viveu os últimos dez anos da sua vida, tem uma placa à entrada relembrando a sua passagem pelo local (quarto n.º 13).
Reparem na ordem de leitura e escrita das datas, consoante o idioma: direita esquerda ou esquerda direita.
A sua caricatura no exílio, e o último retrato, tirado nesse hotel.
Podemos ver nas fotos antigas que se seguem como seria Bougie no tempo de Teixeira Gomes, local aprazível, vistas desafogadas, uma brisa de mar, o Forte
Abd-el-Kadero, nome de um herói argelino, o
Pico dos Macacos e o seu apêndice, o
Cabo Carbon com o seu
farol. Não traduzi de propósito, pesquisei no
Larousse e não encontrei só a palavra carbon, a tentação seria traduzir para carbono, mas não é, pois a palavra francesa é carbone. Por aqui passa a
Cordilheira do Atlas, que vai terminar na Tunísia.
Bougie (Béjaïa) é cidade
berbere, palavra para vela, em
francês, de cera para iluminar, e as que se fabricavam aqui eram famosas pela sua qualidade (cera de abelha). O nosso
Bugio é
faro, ilumina, pois é, vem de vela :)
Tudo isto é fantástico, não estive em Bougie , nem conheci Teixeira Gomes, mas os livros e a Internet permitiram construir uma ponte, e assim consegui, conseguimos, viajar no tempo e no espaço. Físicos ou virtuais, ao alcance da mão ou digital. A mão que está sempre presente, a que pega no objecto ou a que clica no rato... e temos nós
livros, dicionários,
postais ilustrados, fotografias, depois é só montar o puzzle, o roteiro de viagem: texto, imagem,
hipertexto. Explorem, cada página que se abre não se esgota no abrir. Tudo na vida não se esgota no abrir, na primeira vez, isso é apenas o começo, há que levantar e sentir a brisa no rosto... sentir no corpo o corpo e o que está fora do corpo.
Conseguem encontrar o Hotel l'Étoile? Vale a pena espreitar para estes quatro postais (
um -
dois -
três -
quatro), é uma escolha quase aleatória, dos muitos que existem
aqui.
Béjaïa é
assim... um encanto :)
Quem pratica pode procurar a geocache
Teixeira Gomes PRP7, quem
não sabe, ou quer experimentar, é um bom pretexto.
Para terminar, um
trabalho académico com referências a Bougie, e o
mapa de Piri Reis (famoso e misterioso, que ainda hoje dá azo a muitos devaneios, é assim a natureza humana) onde aparece
representada.
E agora a outra...
Sinaia, a Sintra romena, assim aparece designada num artigo da autoria do Professor Victor Buescu, publicado no Jornal de Sintra de 7 de janeiro de 1948. Aqui nasceu, no
Castelo de Peles, inaugurado em 1883, o nosso Palácio da Pena é de 1847 e
Neuschwanstein de 1892, o
Rei Carol II da Roménia, que viria a exilar-se em Portugal (
Estoril), onde faleceu. Foi sepultado no
Panteão dos Bragança (Mosteiro de S. Vicente de Fora). A sua avó paterna era Antónia de Bragança, filha da rainha D. Maria II. Em 2003 foi
transladado para a Roménia.
Aqui ficam as fotos que encontrei, pois ainda não tive a oportunidade de visitar
Sinaia.
Mais
fotos e
postais.
Existem umas famosas
placas de chumbo que foram encontradas em Sinaia. Todas as Sintras têm que ter os seus
mistérios e
lendas.
Para quem estiver interessado em saber mais sobre os romenos, com a particularidade de ter sido escrito para nós, portugueses, por Mircea Eliade, o livro que encontram
aqui. O contacto com a língua e a cultura portuguesa aconteceu na Índia, e
Camões fascinou-o.
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P.S. Em Portugal temos outras Sintras, a saber:
Sabrosa (Sintra do Douro),
Figueiró dos Vinhos (Sintra do Norte),
Alpedrinha (Sintra da Beira),
Rio de Moinhos (Sintra do Ribatejo),
Castelo de Vide (Sintra do Alentejo) e
Monchique (Sintra do Algarve). As comparações valem o que valem.