domingo, 25 de maio de 2014

Outras Sintras (Cintras).

Com S ou com C?... é Alfredo Pinto (Sacavem) que nas suas Cartas de Sintra nos elucida. O sublinhado a verde é meu, digital claro, as folhas de papel continuam imaculadas. Sublinhados?... só o B3 (mistério em aberto).



Passemos agora às Sintras, tenho conhecimento de duas, a primeira na Argélia e a segunda na Roménia.

Bougie, a Sintra argelina, local de exílio de Manuel Teixeira Gomes. É o presidente dandy quem faz a comparação, atentemos nas suas palavras:


Depois vai discorrendo sobre os encantos femininos, e outras derivações (da vida claro), que podem encontrar aqui, um relance muito, muito fugaz do livro de Norberto Lopes sobre Teixeira Gomes.

Podem ver a capa do livro aqui, o meu não tem, quando o comprei estava um pouco maltratado, mas tratei de o encadernar condignamente, agora está forte, lindo de se ver e ler. Os livros também se cuidam.

Béjaïa, nome actual de Bougie (ou Bugia), não esqueceu Teixeira Gomes. Existe uma praça com o seu nome, onde se encontra o seu busto, e o Hotel l'Étoile, local onde viveu os últimos dez anos da sua vida, tem uma placa à entrada relembrando a sua passagem pelo local (quarto n.º 13).

http://zephyron.blogspot.pt/2008/10/bougie-un-illustre-portugais.html

http://ahistorianacidade.wordpress.com/2010/12/04/bejaia-cidade-onde-manuel-teixeira-gomes-faleceu/

http://automne-en-berberie.blogspot.pt/2013/11/bejaia-port-kabyle.html
Reparem na ordem de leitura e escrita das datas, consoante o idioma: direita esquerda ou esquerda direita.

 A sua caricatura no exílio, e o último retrato, tirado nesse hotel.



Podemos ver nas fotos antigas que se seguem como seria Bougie no tempo de Teixeira Gomes, local aprazível, vistas desafogadas, uma brisa de mar, o Forte Abd-el-Kadero, nome de um herói argelino, o Pico dos Macacos e o seu apêndice, o Cabo Carbon com o seu farol. Não traduzi de propósito, pesquisei no Larousse e não encontrei só a palavra carbon, a tentação seria traduzir para carbono, mas não é, pois a palavra francesa é carbone. Por aqui passa a Cordilheira do Atlas, que vai terminar na Tunísia.

Bougie (Béjaïa) é cidade berbere, palavra para vela, em francês, de cera para iluminar, e as que se fabricavam aqui eram famosas pela sua qualidade (cera de abelha). O nosso Bugio é faro, ilumina, pois é, vem de vela :)

Tudo isto é fantástico, não estive em Bougie , nem conheci Teixeira Gomes, mas os livros e a Internet permitiram construir uma ponte, e assim consegui, conseguimos, viajar no tempo e no espaço. Físicos ou virtuais, ao alcance da mão ou digital. A mão que está sempre presente, a que pega no objecto ou a que clica no rato... e temos nós livros, dicionários, postais ilustrados, fotografias, depois é só montar o puzzle, o roteiro de viagem: texto, imagem, hipertexto. Explorem, cada página que se abre não se esgota no abrir. Tudo na vida não se esgota no abrir, na primeira vez, isso é apenas o começo, há que levantar e sentir a brisa no rosto... sentir no corpo o corpo e o que está fora do corpo.

http://www.vitaminedz.com/bejaia-ou-bougie-algerie-vue-generale-en-1930/Photos_20155_137710_6_1.html

http://www.vitaminedz.com/bougie-algerie-vue-generale-prise-du-fort-abd-el-kader/Photos_20155_137060_6_1.html
Conseguem encontrar o Hotel l'Étoile? Vale a pena espreitar para estes quatro postais (um - dois - três - quatro), é uma escolha quase aleatória, dos muitos que existem aqui.

Béjaïa é assim... um encanto :)

https://www.flickr.com/photos/tomtalib/11102752914

Quem pratica pode procurar a geocache Teixeira Gomes PRP7, quem não sabe, ou quer experimentar, é um bom pretexto.

Para terminar, um trabalho académico com referências a Bougie, e o mapa de Piri Reis (famoso e misterioso, que ainda hoje dá azo a muitos devaneios, é assim a natureza humana) onde aparece representada.

E agora a outra...

Sinaia, a Sintra romena, assim aparece designada num artigo da autoria do Professor Victor Buescu, publicado no Jornal de Sintra de 7 de janeiro de 1948. Aqui nasceu, no Castelo de Peles, inaugurado em 1883, o nosso Palácio da Pena é de 1847 e Neuschwanstein de 1892, o Rei Carol II da Roménia, que viria a exilar-se em Portugal (Estoril), onde faleceu. Foi sepultado no Panteão dos Bragança (Mosteiro de S. Vicente de Fora). A sua avó paterna era Antónia de Bragança, filha da rainha D. Maria II. Em 2003 foi transladado para a Roménia.

Aqui ficam as fotos que encontrei, pois ainda não tive a oportunidade de visitar Sinaia.

http://en.wikipedia.org/wiki/Sinaia

http://www.romaniatourism.net/where-to-go/mountains/

http://photos2see.wordpress.com/2013/05/08/sinaia-town-romania-travel-photography/

Mais fotos e postais.

Existem umas famosas placas de chumbo que foram encontradas em Sinaia. Todas as Sintras têm que ter os seus mistérios e lendas.

Para quem estiver interessado em saber mais sobre os romenos, com a particularidade de ter sido escrito para nós, portugueses, por Mircea Eliade, o livro que encontram aqui. O contacto com a língua e a cultura portuguesa aconteceu na Índia, e Camões fascinou-o.


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P.S. Em Portugal temos outras Sintras, a saber: Sabrosa (Sintra do Douro), Figueiró dos Vinhos (Sintra do Norte), Alpedrinha (Sintra da Beira), Rio de Moinhos (Sintra do Ribatejo), Castelo de Vide (Sintra do Alentejo) e Monchique (Sintra do Algarve). As comparações valem o que valem.

sábado, 17 de maio de 2014

A propósito de Turim...

Aqui nasceu e morreu Primo Levi. Escreveu...

Capa da primeira edição italiana e da edição portuguesa de 2001.


Pode ler o resto aqui, bem como outras páginas soltas, sublinhadas a lápis por mim, um livro que faz parte do meu cerne. Também escreveu sobre ciência, de um ângulo inesperado, o que lhe valeu o prémio de melhor livro de ciência jamais escrito, pela Real Academia de Londres, a 19 de outubro de 2006. Pode ler aqui um excerto.

Deixo esta dica para decifrarem o seu epitáfio:



Mas em Turim (Piemonte) também temos o Sudário, a FIAT, e de lá vieram três rainhas portuguesas, a começar pela primeira, D. Mafalda, e a antepenúltima, D. Maria Pia. D. Luís I mandou forrar de seda azul as paredes do seu quarto no Palácio da Ajuda, para combinar com o ruivo dos seus cabelos. Existe uma ligação de 9 séculos entre Portugal e o Piemonte.

Brasão Bragança e Saboia (rainha M. P.) na cozinha do Palácio Nacional de Sintra (interior das chaminés cónicas).

E nem a propósito, é inaugurada hoje uma exposição sobre os tesouros da Casa de Saboia no MNAA. Esta exposição também tem uma contrapartida em Itália.

Não fui a Turim, mas gostava muito de ter ido.

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P.S. O futebol é... mas para mim não é.

Ascensão...


Enquanto espero a abertura do sinal luminoso... elevo-me no olhar e no espírito... fico feliz com este deslumbramento de simplicidade em pleno maio.

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P.S. É uma foto georreferenciada, pode descobrir onde a tirei com a ajuda do Geotag.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Urbi et orbi...

Espalhar aos quatro ventos o nosso recato,
O longe que se faz perto,
O calor que refresca,
O que é, o que existe, o que é impossível...
Só tu sabes que é para ti. Sabes?

Isto requer um golpe de asa,
Mas falta-me o engenho.

Emprestai-me uma flor, silvestre,

Flor de esteva.


ou poema que nos toque,



para o nosso cancioneiro...

Largo do Espirito Santo, 2 - 2º

Nem mais, nem menos: tudo tal e qual
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral.

E moramos num largo... E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo).

Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas... E pensaras
que haviam nossos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho...

E o nosso quarto? Agora podes dar-me
teu corpo sem receio ou amargura.
Olha como a Senhora da moldura
sorri à nossa alma e à nossa carne.

Em tudo, ó Companheira,
a nossa casa é bem a nossa casa.
Até nas flores. Até no azinho em brasa
que geme na lareira.

Deus quis. E nós ao sonho erguemos muros,
rasguei janelas eu e tu bordaste
as cortinas. Depois, ó flor na haste,
foi colher-te e ficamos ambos puros.

Puros, Amor - e à espera.
E serenos. Também a nossa casa.
(Há de bater-lhe à porta com a asa
um anjo de sangue e carne verdadeira.

Sebastião da Gama, in "Pelo sonho é que vamos"

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P.S. São trinta e oito voltas ao Sol :)

domingo, 11 de maio de 2014

Je ne suis pas pour le fini. Je suis pour l'infini...

A frase foi dita pelo escultor francês Auguste Préault, a propósito do seu baixo-relevo Massacre.


De arrebatar dor...

Não conhecia o escultor, nem a sua obra, tropecei hoje nesta imagem enquanto consultava a História da Arte do Janson, 2.ª edição.

Fica o comentário à obra que aparece no livro.



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P.S. A partilha das imagens dos meus livros, o sublinhar, o dar a conhecer, são uma das essências deste blogue, não estão aqui por acaso, ou preguiça :) Mas foi por acaso que esta mensagem hoje aconteceu :)
De dor, mas sem dor.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica.

Vem esta mensagem a propósito de uma observação do meu amigo Osvaldo, sobre a dimensão da igreja e a importância do local, que ao tempo seria arrabalde de Lisboa.

Eis aqui a informação que recolhi, a começar pela gravura da igreja e lavadeira na Ribeira de Alcântara, e o folheto da comemoração dos 200 anos que te prometi.



A gravura está disponível no blogue Lisboa Desaparecida, da olisipógrafa Marina Tavares Dias, e a notícia original na Hemeroteca Digital (Archivo Pittoresco, Tomo VI, 1863, N.º 14), ou aqui (PDF de melhor qualidade).







Mais informações, com alguma sobreposição, nos seguintes endereços:

Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica
Wikipédia
Blogue Retalhos de Bem-fica

Caro Osvaldo, podemos assim afirmar que existe uma correlação :)
Lindas quintas, de gente importante, com igreja condizente (sem ironia).

domingo, 4 de maio de 2014

Autorretrato...

AUTORRETRATO


Aqui (no meu blog) tudo conta, todos os pormenores, tudo mesmo...
Uma porta com janela... Janus...

Este está na minha lista dos 10+... tudo aqui é delicioso, a começar pelo título,

e no interior, vem mesmo a propósito..

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P.S. Onde fica?... Queluz, perto do palácio.